Karius e Muralha mostram que perseguição a quem falha não ajuda

UOL: “Para aqueles que se alegram em ver os outros falhar ou sofrer, lamento por você. Seja o que estiver acontecendo em sua vida para manter essa raiva e esse ódio, rezo para que isso passe e as coisas boas cheguem até você."

O desabafo acima é de Loris Karius, goleiro do Liverpool. Publicado no Instagram no domingo (22), foi uma resposta a quase dois meses de excessiva exposição por parte de torcedores e imprensa, entre piadas, xingamentos e até ameaça de morte, desde que falhou em dois gols do Real Madrid na final da Liga dos Campeões. O alemão de 25 anos voltou a ser alvo de comentários raivosos por erros cometidos durante a pré-temporada do time inglês, o último deles na derrota por 3 a 1 para o Borussia Dortmund, em amistoso nos Estados Unidos.

Foto: Gilvan de Souza
Após novos ataques, ele ganhou o apoio público de companheiros, como o egípcio Mohamed Salah. "Fique forte, Karius. Acontece com os melhores jogadores. Ignore quem o odeia", aconselhou o atacante do Liverpool. "Deixem o garoto em paz", esbravejou no Twitter o espanhol Iker Casillas, goleiro do Porto e ídolo do Real Madrid.

Nos comentários jocosos das redes sociais, Karius virou a versão europeia de Alex Muralha. Convocado à seleção brasileira por Tite em 2016, o ex-goleiro do Flamengo viu a carreira declinar após seguidas falhas. Pelo Albirex Niigata, do Japão, os vacilos voltaram a aparecer e viraram notícia, como no último sábado, em que tomou um gol bizarro após escorregão na cobrança de tiro de meta.

Para Muralha, refugiar-se na Ásia foi uma forma de recuperar a confiança e seguir com a carreira bem longe das cornetas. Para Karius, a pressão pode levar ao fim da linha sua passagem pelo Liverpool, que gastou 72 milhões de euros (R$ 323,3 milhões) para contratar o brasileiro Alisson, o goleiro mais caro da história do futebol. Ainda que desperte o interesse de outros clubes, o alemão virou aposta de risco, desvalorizado no mercado por sucessivos lances infelizes.

As falhas são fatos, e ser cobrado por elas é o ônus de um jogador de futebol. Mas a repercussão entre crítica e público tem ganhado peso extra, desproporcional até, estimulada pelas redes sociais e pela impulsividade que a paixão por um clube provoca nesses casos. A situação levou o UOL Esporte a um questionamento: os excessos cometidos nessas manifestações podem impactar na carreira de um goleiro que vive má fase? A conclusão é que sim. E que estimular a propagação de rótulos não contribui para que o atleta dê a volta por cima.

Consequência da falha é determinante no peso da crítica

Uma coisa é vacilar em jogo de pré-temporada, a outra é falhar em jogos importantes. Além disso, pesa muito o desdobramento que esse lance gera no resultado da partida. Capitão da França na Copa da Rússia, o goleiro Hugo Lloris tentou sair jogando e largou a bola no pé do atacante croata Mandzukic, um dos erros mais bisonhos da história dos Mundiais. Mas, com o apito final e o placar favorável de 4 a 2, ele ficará eternizado por levantar a taça de campeão. Karius não teve a mesma sorte.

"Se aquele gol fosse o da derrota, ele (Lloris) estaria morto", destaca o treinador Valdir Espinosa, campeão mundial com o Grêmio em 1983.

"Todo goleiro erra. Existem os níveis de erros, as ocasiões e o momento. São fatores determinantes. Karius vinha de boas atuações, mas acabou falhando praticamente no principal jogo do futebol mundial, tirando a Copa do Mundo. Com Muralha já foi diferente. Ele errou em alguns jogos, não tão importantes entre aspas, não em jogo decisivo, mas ele teve seguidos erros", completa Bruno Cardoso, ex-goleiro de Palmeiras, Portuguesa e Santa Cruz.

Tem goleiro que erra até sem falhar

Outro risco para um goleiro exposto após falhas é ganhar fama de inseguro ou frangueiro. É um processo que se assemelha aos boatos que crescem na internet: de tanto ser repetido, "vira" verdade. É um círculo vicioso, e que pode trazer consequências à carreira de um jogador que não tenha personalidade suficiente para assimilar críticas e reagir em campo.

"O problema do erro também é quando falhas são atribuídas quando você não erra. Isso ficou muito claro com o Muralha. Tinha gol que não dava para pegar, que não era erro dele, mas foi atribuído como falha por causa da situação. Então é muito mais fácil culpar o goleiro do que tentar ver o que aconteceu, enfatizou Bruno.

Revelado nas categorias de base do Verdão, camisa que vestiu por 18 anos, Bruno Cardoso viveu momentos de perseguição por uma falha na Copa Libertadores de 2013. Ele não segurou um chute rasteiro de Riascos, no Pacaembu, que determinou a eliminação para o Tijuana, do México, nas oitavas de final. Ainda assim, ele seguiu no elenco e recebeu algumas oportunidades até sair, em 2015.

"No meu caso, eu já não assistia à TV, não abria jornal. Tem um certo tempo que você acaba se esgotando com isso. O goleiro sabe que errou, ele não precisa de ninguém falando que é o pior do mundo, que tem de ir embora. Ele sabe que errou, já está puto, já vai ficar mal. Mas hoje em dia é o normal da sociedade. Se eu achei que um goleiro foi mal, começo a falar, um outro amigo acha que errou, outro vem e daqui a pouco vai virar verdade, e às vezes o goleiro nem tem culpa", completa.

Conversa e timing são fundamentais para recuperar o atleta

Sabe aquela decisão comum entre os treinadores de preservar jogadores que estão em má fase? Deixar fora de um jogo, colocar no banco, para minimizar protestos e vaias? Pois é, com os goleiros é a pior postura a ser tomada, na opinião de Valdir Espinosa.

"Não funciona. Pode abalar ainda mais a confiança do goleiro. Por isso a atuação do preparador de goleiros é de extrema importância quando o jogador está mal. É claro que o técnico vai conversar, conhece o atleta, mas com o preparador a relação é mais próxima", aponta.

"O goleiro, quando entra no jogo, sabe tudo o que o adversário tem de melhor ou pior. O que a gente procura transmitir é tranquilidade, equilíbrio, para que ele entenda que está sujeito a errar, mas também a fechar o gol no jogo seguinte", comenta Haroldo Lamounier, preparador de goleiros do Fortaleza e um dos mentores de Rogério Ceni como camisa 1 do São Paulo. Sabe aquela decisão comum entre os treinadores de preservar jogadores que estão em má fase? Deixar fora de um jogo, colocar no banco, para minimizar protestos e vaias? Pois é, com os goleiros é a pior postura a ser tomada, na opinião de Valdir Espinosa.

"Não funciona. Pode abalar ainda mais a confiança do goleiro. Por isso a atuação do preparador de goleiros é de extrema importância quando o jogador está mal. É claro que o técnico vai conversar, conhece o atleta, mas com o preparador a relação é mais próxima", aponta.

"O goleiro, quando entra no jogo, sabe tudo o que o adversário tem de melhor ou pior. O que a gente procura transmitir é tranquilidade, equilíbrio, para que ele entenda que está sujeito a errar, mas também a fechar o gol no jogo seguinte", comenta Haroldo Lamounier, preparador de goleiros do Fortaleza e um dos mentores de Rogério Ceni como camisa 1 do São Paulo.

Convocado à seleção brasileira por Tite em 2016, o ex-goleiro do Flamengo viu a carreira declinar após seguidas falhas.


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