Muralha sonha em voltar ao Flamengo: "Serei muito grato e feliz"

GLOBO ESPORTE: Alex Muralha deixou o Flamengo em janeiro com um propósito claro: dar um ponto final no inferno astral que estava vivendo para reencontrar a paz. Felizmente, está conseguindo. No Japão, onde atua pelo Albirex Niigata, o goleiro aos poucos tem readquirido a confiança e se vê novamente em um bom momento. E pôde voltar a sair na rua com tranquilidade.

De quebra, foi presenteado com motivação extra. A esposa, Tayrine Seifert, está grávida de sete meses de Benjamin, que já ganhou apelido do próprio papai. Depois de Davi, o "Muralhinha", fruto de um relacionamento anterior e que está com 5 anos de idade, vem aí o "Muretinha".

- Estou conseguindo. Ainda mais pela vinda do novo filho. Estou conseguindo ter uma boa fase, um bom momento, fazer bons jogos. Infelizmente a gente não está bem no campeonato, mas estou conseguindo reconquistar minha confiança de novo, fazer um bom trabalho. Estou podendo ajudar meus companheiros e fico feliz por isso, por poder estar voltando a ser o Alex que sempre fui. Tive um momento ruim da minha vida, profissionalmente falando, e agora estou retomando aquela fase que sempre foi boa - disse, em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com.

Foto: Divulgação
Pelo lado positivo, por exemplo, Muralha defendeu seu primeiro pênalti depois de um longo período. Pelo negativo, escorregou ao cobrar tiro de meta e levou um na sequência da jogada no último fim de semana. No geral, o goleiro tem vivido mais momentos bons do que ruins na segunda divisão japonesa. Mas ele ainda se vê perseguido no Brasil, principalmente pela imprensa.

Muralha, que está com 28 anos de idade, tem contrato com Flamengo até o fim de 2019, e o empréstimo ao Albirex Niigata vai até o fim de 2018. O goleiro ainda não sabe como será o futuro, mas fez questão de mostrar nesta entrevista o grande carinho que tem pelo Rubro-Negro.

A seguir, veja na íntegra o bate-papo com Alex Muralha:

GloboEsporte.com: Então quer dizer que vem o Muretinha por aí?
Alex Muralha: Está vindo mais um herdeiro, o Muretinha, carinhosamente apelidado. Está no sétimo mês de gestação, e a gente está muito feliz. Fiquei sabendo aqui que seria pai novamente. E é sempre bom ter uma notícia de que vai ter um filho. Fiquei muito feliz. Agora a gente está ansioso para a chegada dele.

Como ele vai se chamar?
Vai se chamar Benjamin. Eu tinha um velho amigo, que já não está entre nós, e eu tinha um carinho muito grande por ele. Era uma pessoa muito boa, do bem, e acabou que a gente optou por escolher esse nome.

Sua esposa fez uma surpresa para te contar, né? Como foi?
Foi uma surpresa boa, porque eu vim para o Japão primeiro, e depois a Tayrine veio. Todo mundo ficou sabendo no Brasil, os familiares, menos eu. Chegando aqui ela colocou umas plaquinhas, e eu nem me tocava do que era. Na primeira plaquinha saquei o que era, aí só alegria. Não deixei nem ela terminar todas as placas, dei um abraço nela de felicidade (veja no vídeo abaixo). Depois sentei, me acalmei e vi as plaquinhas da surpresa até o final.

Como está a vida no Japão? O que tem achado do país?
O Japão é um país de primeiro mundo. Quando vem para cá, tem algumas coisas que funcionam aqui que às vezes a gente meio que não acredita. O horário aqui é primordial. Os intérpretes lá no clube costumam brincar: erra tudo, menos horário. E a gente acaba adaptando isso, uma coisa muito boa. É muito organizado, as pessoas são educadas, praticamente tudo funciona.

E o futebol japonês?
O futebol é muito rápido, né? São 90 minutos intensos, muito intensos. Tem muita tática também, mas é um futebol onde a velocidade é primordial.

Depois do que viveu no Rio, você foi ao Japão para viver uma nova fase. Está conseguindo?
Sim, estou conseguindo. Até pela vinda do novo filho. Estou conseguindo ter uma boa fase, um bom momento, fazer bons jogos. Infelizmente a gente não está bem no campeonato, mas estou conseguindo reconquistar minha confiança de novo, fazer um bom trabalho. Estou podendo ajudar meus companheiros e fico feliz por isso, por poder estar voltando a ser o Alex que sempre fui. Tive um momento ruim da minha vida, profissionalmente falando, e agora estou retomando aquela fase que sempre foi boa.

Conseguiu encontrar a paz que precisava?
Sinceramente a gente está numa paz aqui. A gente sempre comenta. Está uma paz muito boa aqui. A cidade nossa é grande, mas é de interior, muito tranquila e calma. Realmente passei momentos ruins ano passado. Aqui eu pude ter mais tranquilidade para poder trabalhar, para poder fazer as coisas de dia a dia tranquilamente.

E a confiança? Está tendo sucesso em reconquistá-la?
Sim, sim, estou conseguindo reconquistar minha confiança. Para mim está sendo muito importante, estou mostrando para mim mesmo as minhas qualidades, como eu sou bom, o meu futebol. Ainda assim, por parte da imprensa tem certa perseguição. Hoje já estou muito mais tranquilo, sei lidar melhor com isso e relevo muita coisa. Claro que as críticas construtivas a gente pega e traz pra gente para poder crescer. Mas já estou lidando muito melhor, estou mais tranquilo em relação a isso.

No último fim de semana a imprensa noticiou que você falhou em um gol sofrido pelo Albirex Niigata (veja no vídeo abaixo). Quando você pegou pênalti aí, isso também foi noticiado. Você acha que existe perseguição da imprensa?
Creio que sim, porque no lance que acabei escorregando foi um acidente, não uma falha. E acabam intitulando como se fosse falha. No decorrer da jogada, foi um chute do adversário, a bola desviou e foi para o gol. Tende a isso, a tudo ser falha, erro, mas já estou bem tranquilo em relação a isso. Sei das minhas qualidades, do meu potencial. Estou trabalhando muito aqui, meu preparador de goleiros me dá muita confiança, meus companheiros também, e espero continuar para cada vez mais voltar ao que sempre fui.

Você sente que a sua falha sempre é tratada como mais grave do que a dos outros goleiros?
Com certeza. Acho que de um tempo para cá foi um dos primeiros gols defensáveis que a gente toma, as pessoas intitulam de uma forma muito agressiva. Um jogador normal pode errar. O goleiro erra, claro. A gente é a última linha defensiva, acaba sofrendo gol e é muito criticado. Então, goleiro tem que ter cabeça muito boa e saber lidar com isso.

Aí a torcida tem te tratado com carinho, né?
Olha, a gente aqui é muito bem tratado pelos torcedores. Todo final de treino tem um grupo de torcedores que vai lá no CT. Tem uma área separada para eles, a gente vai lá e tira fotos. Eles nos dão presentes, suco, água... É de uma forma carinhosa que eles tratam a gente. Dão muitas fotos para nós também. E sempre estão apoiando e torcendo. Nossa torcida é boa, porque sempre comparece onde a gente vai, sempre está nos apoiando.

E você virou até boneco. Como surgiu isso?
Eles chamam de Muraia. Falam assim, de uma maneira engraçada. Não conseguem falar o final. Falam Muraia. Foi depois do pênalti que defendi. O patrocinador do clube fez um trabalho para levar mais pessoas ao estádio, para chamar mais torcedores. As crianças adoram, os adultos também gostam bastante, fazem filas para poder brincar. Fico feliz. Ainda não fui lá fazer um gol no Muraia, mas quando tiver oportunidade vou lá (risos).

Existe cobrança dos torcedores?
Sim, aqui também tem cobrança. Externa, interna, entre nós, jogadores, diretoria... A gente está sempre querendo o melhor para o clube, o melhor para nós. É uma cobrança forte, não tanto quanto no Brasil, mas é forte também, que deixa a gente alerta para fazer sempre o melhor.

Seu contrato com o Albirex vai até o fim deste ano. Pretende ficar mais? Qual a sua ideia?
Olha, bem sinceramente, no momento meu foco total é aqui. A gente tem chances ainda de subir para a primeira divisão. Faltam alguns jogos, e só depende de nós fazer uma sequência boa de vitórias para poder ter o acesso. Como ainda tenho contrato com o Flamengo, ainda não decidi meu futuro. Creio que agora vai ser fundamental para eu fazer um bom resto de campeonato aqui para ganhar cada vez mais confiança. Depois, no final do ano, dá para pensar com mais calma no futuro.

Você gostaria de voltar ao Flamengo?
Tenho contrato com o Flamengo. Tenho um carinho muito grande por esse clube. Foi o clube que me revelou para o mundo todo, um dos maiores do mundo. Estou torcendo para os meus companheiros. Acompanhei o último jogo, torcendo pela vitória. Claro que a gente sempre quer estar num clube grande igual ao Flamengo, não desmerecendo o Niigata, que também é um grande clube do Japão. Mas minha ideia é realmente agora focar aqui, me concentrar e depois com calma pensar no futuro.

Não necessariamente no ano que vem, mas você de um dia voltar ao Flamengo para mudar a imagem que ficou?
Olha, a gente sempre quer deixar uma imagem boa, né? Não sei se vai ser novamente no Flamengo. Se tiver essa oportunidade, serei muito grato e muito feliz. Quero mostrar realmente quem é o Muralha. As pessoas hoje em dia pegam muito no pé dos goleiros. Não só de mim, de outros goleiro também que cometem falhas. A gente está ali e sabe da dificuldade de ser goleiro, não é fácil. É uma profissão difícil, mas é a que escolhi, é a profissão que amo. Então, a gente tem sempre que trabalhar e ter uma cabeça muito boa para sempre seguir em frente, e seguir bem. Tenho um carinho muito grande por esse clube (Flamengo). Foi o clube que me revelou para o mundo todo, um dos maiores do mundo. (...) A gente sempre quer deixar uma imagem boa, né? Não sei se vai ser novamente no Flamengo. Se tiver essa oportunidade, serei muito grato e muito feliz. Quero mostrar realmente quem é o Muralha.

Na Copa do Mundo, nas oitavas entre Espanha e Rússia, o De Gea pulou para o lado direito em todas as cobranças e não fez nenhuma defesa. A Espanha foi eliminada, mas isso não repercutiu muito, diferentemente do que aconteceu com você, que pulou para o canto direito em todas as cobranças na final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro. O que achou disso?
Acho que no país deles foi uma estratégia até normal. Agora, no Brasil, é uma situação diferente. Teve uma semifinal de Copa do Brasil em que o Vanderlei (do Santos), na época, pulou a maioria dos pênaltis para o lado direito e não virou tão notícia que nem virou comigo. A gente viu um exemplo na Copa recentemente, então é mais normal do que se imagina. As pessoas acham que são coisas anormais de se acontecer. Houve outros jogos, de grandes clubes da Europa, na Champions. O Real Madrid, no caso, bateu todos os pênaltis do lado direito. São coisas que corriqueiramente acontecem. As pessoas levam para o lado negativo, para um lado muito maldoso. Mas tem que ter cabeça tranquila para saber lidar com isso.

Curiosamente, quando você pulou para o lado esquerdo, pegou o pênalti aí no Japão. Houve brincadeiras por conta disso? Até mesmo dos seus familiares?
Os meus familiares são muito tranquilos em relação a isso, sabem do meu potencial, sabem que sempre faço meu melhor nos treinos e no campo. Acabou que ali mudei o canto. Em relação a escolher um canto ou não, é uma coisa que vai acontecer normalmente, porque a gente está ali e tem que definir um lado. Tem que estudar o adversário, logicamente, mas tem que definir um lado. Mas hoje, como fiquei marcado pelo lado direito, no dia em que eu for para o lado esquerdo e o cara bater no direito vão comentar e criticar. Então, em relação a isso estou com a cabeça bem tranquila.

Você sente que amadureceu nesses seis meses de Japão?
Com certeza, a gente vem para cá e acaba ficando um pouco mais sozinho, fica mais com a esposa aqui, então acaba refletindo um pouco mais, pensando com um pouco mais de calma, sempre tentando melhorar e tentando crescer na área profissional, na pessoal também, que é sempre importante. Aqui, como é um país muito tranquilo e calmo, deu para refletir bastante em relação a isso.

Quando estava no Flamengo, você disse que sentia falta de sair na rua por causa das cobranças. Estava sentindo muita falta disso?
Com certeza, né? Sempre gosto de poder ir ao mercado, fazer as compras do mês, comprar coisas diferentes para fazer em casa. Aqui eu e minha esposa estamos fazendo sushi também, o sushi do Brasil, pois a gente sente um pouco de saudade de comida brasileira. A gente sente falta, sim, de poder ir comer em um restaurante, ir aos lugares com mais tranquilidade, sem tanto assédio. E aqui está dando para viver bem isso. Hoje estou muito mais tranquilo, a gente está muito mais em paz aqui

De 0 a 10, o quanto você voltou a ser o Alex Muralha de antigamente?
De 0 a 10, sinceramente... Sou um cara muito crítico em relação a mim. Acho que 7. Preciso melhorar mais. Preciso sempre dar meu melhor, fazer por onde para sempre estar bem.

E o que precisa melhorar?
(Risos) Tem que trabalhar sempre. A gente nunca está contente com nada. Nós, goleiros, queremos sempre estar bem, corrigindo detalhes para ficar cada vez mais perto da perfeição. Ser perfeito é difícil.

Muralha, que está com 28 anos de idade, tem contrato com Flamengo até o fim de 2019, e o empréstimo ao Albirex Niigata vai até o fim de 2018.



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