Olheiro do Flamengo revela o que busca em novos jogadores

GLOBO ESPORTE: Em caderno pequeno debaixo do braço e uma caneta. Na capa, o escudo do Flamengo e as palavras "Departamento Técnico da Base". Naquele momento, as poucas páginas são o bastante. O principal trunfo é a observação. Olhar atento, em meio à movimentação e barulho ao redor. Uma pilastra, no canto da parede, já serve para ter a melhor visão.

Discreto, Givanildo Catende trabalha nesse cenário.

Ele é olheiro do Flamengo - ou como alguns chamam, observador técnico. A missão dele neste final de semana foi caçar talentos para o clube. Enxergar potencial em crianças e adolescentes, que têm entre sete e 17 anos. Dele, pode começar uma carreira promissora no futebol. Uma venda de € 45 milhões (R$ 164 milhões), tipo a de Vinícius Júnior.

Foto: Viviane Leão
Tem o outro lado, que é a maior parte, se for comparar. Promessas que não vingam, ficaram pelo caminho. Uma lesão, uma perda familiar, uma negociação mal feita, deslumbramento... Mais dúvidas que certezas, afinal, são apenas crianças.

- Sabemos que dessas competições sempre aparecem garotos de qualidade e futuro pela frente. Sabemos que a idade entre sete, nove, que no futebol é um pouco incógnita, mas acreditamos. Estamos para ver o perfil, a técnica e tenho certeza que vai ser proveitoso ao Flamengo - analisou o olheiro.

Givanildo ficou em Maceió durante o final de semana. Chegou para ver a Copa Fla Nordeste - competição do sub-7 até sub-17 entre escolinhas do clube da região. Teve times de Maceió, Arapiraca, Caruaru, Campina Grande, João Pessoa e Teresina. No total, a estimativa do clube foi de que participaram até 600 pessoas, entre crianças, adolescentes e comissão técnica.

Confira a entrevista com Givanildo Catende, olheiro do Flamengo no Nordeste.

Muitos jogos, muitas crianças... Como faz para oberservar e o que primeiro chama atenção ao ver a criança jogando?

- É sempre satisfatório porque estamos mexendo com sonhos. Sem dúvida, é sempre a técnica. Isso chama atenção. E, depois, tem outros fatores que observamos. A parte comportamental, disciplina e extracampo é fundamental.

É fácil diferenciar qualidade técnica da força física? Nessa faixa de idade, a força até se sobressai mais do que a técnica.

- Sempre dá porque tentamos, justamente, alinhar as duas coisas. Sabemos que a força em um garoto de sete, nove anos, ainda é incerto para falar o que pode acontecer. Ainda vai passar pela fase de transição de criança, adolescente, e precisamos ter cuidado nisso. Então, procuramos ver a técnica primeiro porque é o mais importante.

Qual a parte difícil em ser olheiro? É achar o talento?

- Não tem parte difícil. Sempre é um prazer muito grande e saber que está em buscade craques do futuro do futebol brasileiro. O talento já nasce. A técnica é o primeiro a ser observado e depois ver o perfil para ser levado para o Flamengo.

Psicólogo, analista de desempenho, nutricionista... São novas áreas no futebol. O olheiro é uma das funções mais antigas. Sempre vai existir o olheiro?

- Creio que sim. Sempre. Os novos talentos são descobertos pelo olheiro. Não vai acabar nunca. É em conjunto com a modernização do futebol.

E como faz para melhorar o nível do olheiro? Nutricionista pode ter novos estudos, o analista tem cursos... E o olheiro?

- Temos que acompanhar o que se faz no futebol. Há algum tempo, seria um futebol mais lento. Hoje, é mais rápido. A cada três meses, voltamos ao Ninho do Urubu para passar por treinamentos e reuniões para acompanhar o que se faz no futebol.

Tem histórico no futebol?

Comecei no Santa Cruz, fiz parte do time tri-supercampeão, joguei com o Peu. Depois, passei pelo Mogi Mirim, Inter de Limeira... Trabalhei no Guaratinguetá, Criciúma, fui auxiliar do Roberval Davino, do Paulo Bonamigo, Argel Fuck, Vadão... Em Alagoas, trabalhei no Corinthians-AL. Temos um pouco de experiência no futebol, justamente para fazer esse trabalho.

Tem como ser olheiro sem ter essa experiência?

- É difícil de responder porque se responder de uma forma pode atingir alguém, e o futebol tem espaço para tudo, desde que tenha uma boa observação e competente. Isso é o mais interessante.

Você é o único do Nordeste? Como funciona essa rede de observação?

- Começou comigo no Nordeste e temos outro, que é o Erisson, do estado do Ceará. Trabalhamos no Nordeste todo e temos, no total, dez observadores do Flamengo espalhados por São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, em todo o país.

Teve indicação recente para o Flamengo?

- Teve um garoto, que é cearense, de Iguatu, e sub-11. Ele está muito bem e é um garoto que esperamos que tenha uma evolução muito maior e possa chegar em um nível que nós esperamos.


A parte comportamental, disciplina e extracampo é fundamental.


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