Torcida do Flamengo tem sido a paz em meio ao caos

O GLOBO: Por Luiz Cláudio Latgé

Cinquenta e oito mil pessoas no Maracanã para ver o Flamengo jogar — mais que os 4 a 1 sobre o Sport — nos dá uma sensação de que as coisas podem funcionar no Rio, que esta é terra do futebol e se resgata a alegria do povo... O problema é que ainda estamos longe de honrar o hino do clube, fazer com que a jornada se repita, uma vez, duas, três vezes ... sempre Flamengo.

O Campeonato Brasileiro é uma competição longa. Começou em 15 de abril, vai até 9 de dezembro. Sete meses. Tempo demais. Não chegamos nem à metade da competição e veja quanta coisa já aconteceu: 13 técnicos demitidos, uma Copa do Mundo, Arthur (que não foi convocado) estreia com um golaço no Barcelona, Luciano Huck e Joaquim Barbosa se candidataram à presidência e abandonaram a candidatura, o dólar subiu, os caminhoneiros pararam o Brasil, e a campanha eleitoral nem começou ... a eleição vai acontecer antes do campeonato acabar.

Bandeira na torcida do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
Os obstáculos são muitos para o clubes, e o mês promete muitas pedras no meio do caminho, com a retomada da Sul-Americana, da Copa do Brasil e da Libertadores. À medida que as copas chegam às fases decisivas, oitavas e quartas de final, os embates são mais difíceis, a pressão dos torcedores aumenta e o desgaste dos times é maior. O Grêmio, por exemplo, já começou a poupar jogadores. Difícil dizer como estas competições afetarão o Brasileirão.

O Flamengo mostrou mais uma vez que é candidato ao título — por mais cedo que seja para afirmá-lo. Mas é melhor afirmar agora justamente porque daqui em diante começa outro jogo, outra etapa do Brasileiro. As prioridades e organização dos clubes serão decisivas para a competição. O Flamengo lidera com 34 pontos, tem 70% de aproveitamento. É uma performance suficiente para chegar ao título. A questão é manter a regularidade. O São Paulo #segueolíder de perto, 32 pontos.

O formato do Brasileirão disputado em pontos corridos por 20 clubes se repete desde 2006. São 38 jogos. Um time pode fazer 114 pontos. Na média, o campeão soma 77 pontos, 67% de aproveitamento. Mas o São Paulo foi campeão em 2008 com apenas 65% em cima do Grêmio, que teve 63%. Nenhum vice teve mais que 63%. E faz tempo as disputas não são acirradas. A última vez que um clube foi campeão com menos de uma vitória de diferença foi em 2012, quando o Fluminense levou o título sobre o Atlético Mineiro. Nas últimas edições, a vantagem tem sido folgada. Corinthians, em 17, Palmeiras, em 16, Corinthians, em 15, e Cruzeiro, em 13 e 14, tiveram cerca de 10 pontos de vantagem sobre os adversários mais próximos.

O problema é que, nesta altura do campeonato, é muito fácil a receita desandar. Nesta temporada, o Flamengo já trocou de técnico e perdeu jogadores importantes, como Guerrero, só agora reintegrado e talvez já de partida, Éverton e Vinícius Júnior. A contratação de Vitinho, uma das maiores do futebol brasileiro, 10 milhões de euros, é uma demonstração de que o clube quer voltar a ser um dos maiores do Brasil. A torcida tem lotado o Maracanã, num espetáculo que já foi um dos cartões de visita da cidade e que faz tempo não se repetia com tanta frequência. Tem sido uma boa notícia, num cenário em que boas notícias não acontecem todos os dias.

O Flamengo mostrou mais uma vez que é candidato ao título — por mais cedo que seja para afirmá-lo.


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