Faltou disposição, seriedade e comprometimento

REPÚBLICA PAZ E AMOR: Por Arthur Muhlenberg

Quando o Flamengo ganha escrever pro blog é um prazer. Quando o Flamengo perde vira uma obrigação, mais uma entre as tarefas chatas pra cacete que eu tenho que fazer. Com o agravante de não estar ganhando um puto para isso. Mas quem não enfrenta desafios dessa mesma natureza todos os dias? O Flamengo perdeu ontem e hoje de manhã tive que comprar pão, ovo e pasta Joia, tirar roupa da corda, colocar o lixo pra fora e passear os cachorros. Já me conformei que a vida é assim mesmo e o Flamengo, de vez em quando e expressamente contra a minha vontade, perde uns jogos.

O mais chato é que, ainda que não seja dos times mais perdedores, o Flamengo cultiva o condenável habito de perder jogos que não poderia perder. Seja pelo momento na competição, seja por uma alegada superioridade técnica do nosso elenco, uma pelada sábado à tarde contra os reservas do Grêmio era um desses jogos que o Flamengo não poderia perder jamais. Uma constatação óbvia, nem um pouco ufanista, até modesta diante do 2º tempo que jogamos na quarta-feira passada contra o mesmo time reforçado por seus titulares.

Everton Ribeiro durante Grêmio x Flamengo - Foto: Lucas Uebel/Getty Images
Deve ser a obviedade do resultado esperado frente à um adversário sabidamente inferior que dispara um mecanismo de autodestruição dentro do próprio Flamengo. Que se deu ao desfrute de fazer absolutamente tudo errado durante o jogo. E sair de campo com uma justa derrota. Muito mais justa que as derrotas para Chapecoense e São Paulo, onde o Flamengo jogou o suficiente para, ao menos, ter empatado. Ser Flamengo implica em ter que lidar com derrotas inexplicáveis à luz da razão de tempos em tempos.

A escalação do 11 inicial, com a zaga titular e Diego poupados não deveria ser motivo de muita controvérsia, mas foi. Porque a torcida se divide entre poupar ou não poupar jogadores no Brasileiro, privilegiando as Copas. Um tema rico e suculento, muito adequado ao debate interminável, mas que depois que o Flamengo perde um jogo que não podia perder se torna meio inútil. Se os titulares do Flamengo já não são a última Coca-Cola do deserto parece bem lógico intuir que os seus reservas muito menos serão. O que nos conduz à óbvia conclusão de que o elenco do Flamengo não é opulento o bastante para que nos entreguemos ao luxo de poupar. Esqueçam o debate, arquivem essa treta, poupança é pra rico e nós ainda não o somos.

Se me perguntarem se a zaga titular e Diego fizeram falta serei obrigado a responder que sim. O Flamengo se perdeu totalmente em campo e o setor onde a falta de um norte era mais evidente foi na meia cancha. Eu também achava que sem Diego, que adora um toque a mais na bola, o Flamengo poderia sair pro ataque com mais velocidade e intensidade. Mas como Paquetá estava em dia ruim, cheio de firulinhas inúteis, a transição foi feita ainda mais devagar do que antes. Uribe não se encontrou em campo, assim como Everton Ribeiro, que complicou desnecessariamente o seu jogo. Em resumo, sem qualquer efetividade no meio de campo o Flamengo foi dominado com facilidade pelos reservas gremistas. Uma vergonha!

Mas o problema sério mesmo foi na defesa. Juan, que já atingiu o status de totem rubro-negro, entrou no lugar de Rever e Thuler no de Léo Duarte. Acontece que Juan mostra a cada dia que já não tem mais o preparo físico necessário para correr atrás de atacantes com idades para serem seus filhos. Juan tentando marcar o Jael parecia eu tentando jogar FIFA contra a minha caçula. Nos falta ritmo, empolgação e velocidade para oferecer alguma resistência aos ímpetos da juventude. Juan nunca entrou no jogo. E Thuler se deixou contaminar pela insegurança emanada por Juan em todos os lances e, mimetizando o companheiro-ídolo, logo logo ele, que é jovem e tem muita bola, estava também cometendo erros canhestros. Ou seja, a escalação de Barbieri foi um enorme erro. Se é pra isso que nosso estudioso treinador anda estudando é fundamental que Barbieri comece imediatamente a matar aulas.

De uma maneira geral o Flamengo apresentou uma postura não condizente com a que se espera de um time que alega brigar pelo heptacampeonato brasileiro. Faltou disposição, seriedade e comprometimento com o objetivo comum. O Flamengo não jogou como um time, jogou como um bando. Para que não se cometa a suprema injustiça de punir a todos indistintamente livremos a cara de Diego Alves, emérito pegador de penais, e de Cuellar, absoluto na destruição e não totalmente horroroso na saída da defesa pro ataque. O resto, sem exceções, deve ajoelhar no milho em atitude contrita, ao lado do treinador, para que na quarta-feira, pela Libertadores, todos estejam com suas reservas de vergonha na cara reconstituídas.

A única lição positiva que podemos tirar dessa pequena tragédia gaúcha é que agora até os imbecis são obrigados a admitir que esse Flamengo não é a Laranja Mecânica reencarnada como muitos agitadores com objetivos escusos querem nos fazer acreditar. Esse time ainda tem muito o que ralar.

Vamos torcer, vamos cobrar.

Mengão Sempre

O Flamengo apresentou uma postura não condizente com a que se espera de um time que alega brigar pelo heptacampeonato brasileiro.

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