Jogo de contra-ataque parece estar vencendo o Flamengo

O GLOBO: Fernando Calazans

A impressão que se tem é que este Flamengo que perdeu de 2 a 0 para o Cruzeiro ainda não voltou ao Brasil depois da Copa. Está passeando pela Rússia, apreciando o Modric, o Mbappé, o Hazard, o De Bruyne, o Rakitic e o Pogba. Aliás, minto. Na volta da Copa, o Flamengo teve boa atuação, no grande jogo do empate de 1 a 1 com o Grêmio. Depois, sim, esqueceu-se do time que era antes da competição na Rússia, quando estava na liderança do Campeonato Brasileiro, e virou este de quarta-feira, que se desintegrou na derrota para o Cruzeiro, diante de sua torcida no Maracanã. (A julgar pelo preço dos ingressos, a diretoria do Flamengo decididamente não quer seus torcedores mais humildes no estádio).

Léo Duarte durante Flamengo x Cruzeiro - Foto: Bruno Haddad
E o que foi o Flamengo? Foi a defesa que já leva muitos gols e o ataque que não faz nenhum. Isso, vale a pena registrar, num Flamengo que teve, contra o Cruzeiro, o domínio da posse de bola. Com uma ressalva definitiva: o domínio mais inútil e improdutivo que vi nos últimos tempos. E com um fundamento a ser corrigido obrigatoriamente se o time quiser prosseguir na luta em suas três competições: a pontaria desastrosa nos chutes a gol.

Dois contratados recentes já mostraram que ainda não estão prontos para assumir o posto no time titular: Uribe e Marlos Moreno. Diego, o intelectual do time, pensador do jogo, tem uma participação ativa, uma entrega absoluta na transição da defesa para o ataque, mas há tempos não cria nem oferece aos companheiros um lance decisivo. O mesmo acontece com Éverton Ribeiro. A defesa insegura e exposta ao contra-ataque tem um Réver que vem atuando melhor na área do adversário, em bolas altas, do que na sua própria.

A vulnerabilidade da defesa — não só a do Flamengo — chama a atenção para a arma do contra-ataque. Esta acaba de ganhar relevância e prioridade internacionais, na recente Copa do Mundo. São as alternâncias características do futebol. Há não muito tempo, era a posse de bola que comandava o futebol — e que teve o seu auge, naturalmente, no Barcelona de Pep Guardiola. Era o modelo para o futebol bem jogado e sonhado. Como vimos muito bem na Rússia,e não só lá, a moda agora tende a ser outra. Os dois finalistas, a França, campeã, sobretudo, e a Croácia, vice, nem tanto, apostavam na rápida passagem do ataque à defesa. A França, com uma clara preferência pela defesa bem postada — e com gente de alta qualidade para decidir a parada na frente.

Aqui no Brasil, e em outros países também, a posse de bola começa a ser desafiada e, não raro, desprezada. O futebol oferece essas nuances. Sempre fui francamente favorável ao futebol bem jogado e vistoso — mas não quero dizer com isso que sua prática seja impossível ou improvável com um esquema de contra-ataque. Melhor ainda quando se pode lançar um Mbappé, que combina velocidade com qualidade. Pena não termos um Mbappé no Brasil.

De volta ao assunto do Flamengo, depois da derrota de quarta-feira, o meia Diego, que eu disse ser o intelectual do time, não criticou a velocidade, mas sim a “correria”, que são coisas bem diferentes. E fechou o comentário com franqueza: “Fizemos um jogo desorganizado, com muita correria e pouca produtividade”.

Aqui no Brasil, e em outros países também, a posse de bola começa a ser desafiada e, não raro, desprezada.



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