Maior campeão da Copa do Brasil, Zinho analisa Flamengo x Grêmio

CENÁRIO MT: Levantar taças não foi um ato incomum durante a carreira de Zinho. Maior campeão da história da Copa do Brasil, com quatro títulos, o meia conheceu de perto dois rivais de um duelo de gigantes desta quarta-feira: Flamengo e Grêmio. Em entrevista exclusiva ao site da CBF, o ex-jogador falou sobre suas conquistas e o carinho pelas duas camisas.

 — Eu entrei no Flamengo com 11 anos de idade, e ainda era um moleque (23). Tem um sabor especial por isso, por estar ao lado de ídolos como Júnior e Renato. É um título que te projeta para o mundo do futebol. E jamais vou esquecer a conquista pelo Grêmio, que foi no mesmo dia que eu nasci. Até hoje, comemoro meu aniversário junto com o da conquista em 2001, e gosto de lembrar da torcida cantando parabéns para mim. — disse.

Foto: Lucas Figueiredo
O primeiro título de Zinho na Copa do Brasil foi pelo Flamengo, clube que o revelou, em 1990. Na segunda edição da competição, foi titular na vitória sobre o Goiás na final. À época, era ainda jovem, mas já tinha se estabelecido como peça importante no time, funcionando como um meio termo entre a experiência de Júnior e Renato Portaluppi e a juventude de Marcelinho, Júnior Baiano e Djalminha.

No elenco atual do Fla, Zinho vê similaridades entre o papel que ocupava com a função exercida por Lucas Paquetá. Não exatamente pelas características de seu futebol, mas pelo momento que vive na carreira, o jovem de 21 anos pode ser visto como uma espécie de mistura de “Zinhos”: é novo como o que venceu a Copa União, em 1987, e é fundamental como o que conquistou a Copa do Brasil, três anos depois.

— Ele é jovem, é uma revelação, mas já é um jogador reconhecido pelo torcedor como protagonista. E no Flamengo, por incrível que pareça, o cara que sobe da base tem mais responsabilidade do que o que chega. Tem essa coisa do “craque o Flamengo faz em casa”, de ser campeão aproveitando a base. Então, cria-se uma expectativa muito grande em cima disso — analisou.

Além de Paquetá, o Flamengo conta com jogadores experientes, como Diego, Réver e Everton Ribeiro. Mas nesse sentido, o Grêmio não deve nada ao Rubro-negro, principalmente pela figura de seu treinador, Renato Portaluppi. Amigo dele e campeão ao seu lado pelo Fla, Zinho rasgou elogios ao trabalho do técnico no Grêmio. Ele é um dos trunfos do Tricolor no confronto desta quarta-feira, e o ex-jogador acredita na sua capacidade para comandar os jogadores gremistas em mais um jogo de Copa. Renato reúne o lado bom de dois estilos diferentes de técnico, aliado a um grande trabalho de análise, e costuma exercer uma liderança sobre os jogadores dentro de campo.

– Renato é Renato, e ele é malandro para caramba. O cara que foi jogador sabe a hora de aliviar e a hora de cobrar. É o maior ídolo da história do clube e tem muita autoridade para trabalhar dentro do vestiário — concluiu.

Capitão Tricolor e o título no aniversário

Com o Grêmio, o título veio em um momento completamente diferente da carreira de Zinho. Em 2001, o meia já carregava a experiência dos tempos de Fla, Palmeiras e Seleção Brasileira. Tetracampeão do mundo em 1994, foi o capitão tricolor na tarde em que os gaúchos derrotaram o Corinthians por 3 a 1 em pleno Morumbi.

Segundo o próprio Zinho, aquela foi uma das cinco melhores partidas de sua carreira. E muito disso se deve a um discurso inflamado de Tite antes dos jogadores entrarem em campo. No Rio Grande do Sul, o Grêmio saiu atrás mas buscou um empate por 2 a 2, empurrando o favoritismo do confronto para os paulistas. O treinador soube usar isso ao seu favor.

Ao chegar no vestiário, os jogadores se depararam com pequenos envelopes. Dentro deles, cartas de familiares e amigos próximos, com mensagens motivacionais. Aniversariante do dia, Zinho tentou não se emocionar, mas não resistiu, e acabou deixando as lágrimas rolarem.

– Na véspera, fomos treinar no Morumbi, e ficamos com a impressão de que estava tudo pronto para a festa do título do Corinthians. Então o Tite pediu para jogarmos com ousadia, se tivesse que dar caneta, era para dar, mostrar o nosso talento -, recordou.

Em campo, o Grêmio jogou sem medo, construiu o resultado com autoridade e com todos os dedos do meia. Deu o passe para o primeiro gol, marcou o segundo e participou da jogada do terceiro. Uma exibição de gala em pleno Morumbi, que arrumou um “problema” para ele.

Com festa de aniversário marcada em Nova Iguaçu, cidade onde nasceu, no Rio de Janeiro, o meia foi convocado. Mas não foi para jogar. A torcida do Grêmio esperava o time naquela mesma noite, em Porto Alegre, e o capitão não tinha como não comparecer.  Até mesmo uma viagem agendada para curtir um descanso com a esposa teve que ser remarcada. Zinho não se arrepende disso.

— Graças a Deus eu voltei (para Porto Alegre). Chegamos à noite, todo mundo na rua esperando, a galera cantando parabéns para você, milhares de pessoas dentro do Olímpico para nos receber. Se eu não fosse, além de perder esse momento, poderia decepcionar toda essa gente — lembrou.

Foi no Olímpico que Zinho escreveu, aliás, o último capítulo do confronto entre Grêmio e Flamengo pela Copa do Brasil. Em 2004, os dois se enfrentaram pelas quartas de final e foi dele o gol que garantiu a classificação rubro-negra. Jogando fora de casa, abriu o placar logo aos três minutos, e o gol bastou para dar a vitória aos cariocas (este foi o último triunfo do Flamengo sobre o Grêmio em Porto Alegre).

Mas nem mesmo a eliminação tirou o carinho da torcida gremista pelo capitão de 2001. Substituído com poucos minutos para o fim da partida, o meia foi ovacionado pelos torcedores presentes, com aplausos de pé, um reconhecimento inesquecível para ele. Por isso que ele prefere ficar de fora desta dividida.  Hoje comentarista do canal Fox Sports, que tem os direitos de transmissão da Copa do Brasil, não trabalhará neste jogo e, de certa forma, ficou aliviado por isso.

— Torci para ser escalado para o outro e não ter que sofrer com esse jogo — revelou.

Dá-lhe ô, o Zinho é copeiro

Além dos títulos por Flamengo e Grêmio, ele ainda levantou a Copa do Brasil por outros dois clubes. Sua transferência para o Palmeiras marcou um período glorioso na história do time, que ganhou praticamente tudo que disputou. Foi bicampeão paulista, bicampeão brasileiro, venceu a Libertadores da América e, é claro, a Copa do Brasil, em 1998, mesmo ano em que conquistou a Copa Mercosul. A última Copa do Brasil de Zinho foi em 2003, com a camisa do Cruzeiro, e também marcou sua carreira. Foi parte da inédita tríplice coroa dos mineiros, já que, além do torneio, o clube ainda venceu o Brasileirão e o Campeonato Mineiro daquele ano.

Mas qual é o segredo de Zinho para ser tão “copeiro” assim? Para ele, é um misto de coincidência, estar no lugar certo na hora certa, e de qualidade individual. Reconhecidamente técnico, transformou-se no jogador que compunha o esquema de jogo. Organizava o time para permitir que os jogadores mais ofensivos, como Zico, Renato, Marcelinho e Alex pudessem brilhar. Com essas características, facilmente caiu nas graças de grandes treinadores do futebol brasileiro. Não foi à toa que trabalhou, ao longo da carreira, com Vanderlei Luxemburgo, Felipão, Carlos Alberto Parreira e Tite.

– Virei esse jogador importante para o treinador, e onde eles iam, queriam contar comigo. Nunca tive o status de craque, fenômeno, que também não fui. Mas o time em que eu jogava estava arrumado. Já saí do Flamengo para o Palmeiras com um rótulo de jogador campeão, e ganhei tudo lá. — recordou.

Até hoje, torcedores dos quatro times param o ex-jogador na rua para pedir uma foto, um autógrafo ou simplesmente agradecer pelos grandes momentos. Esse é o carinho que move Zinho e que faz com que ele se sinta privilegiado pelo futebol.

– Uma vez, fui na feirinha de Cabo Frio, e aquilo lá é cheio de mineiro (risos). Assim que eu cheguei, parecia que a torcida do Cruzeiro toda estava lá. Não consegui andar, minhas filhas foram para o carro. E conseguir se identificar com um clube é sensacional. É um privilégio ter escrito histórias assim por tantos times grandes do país. Isso que fica marcado e não tem preço. — finalizou.

Em entrevista exclusiva ao site da CBF, o ex-jogador falou sobre suas conquistas e o carinho pelas duas camisas.

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