"Melhor time do Brasil", Flamengo é um cemitério de centroavantes

RENATO MAURÍCIO PRADO: Sonhei que era o centroavante do Flamengo! Sim, pisava o gramado do Maracanã todo pimpão, envergando a camisa número nove e com a missão de balançar as redes do adversário, para garantir a vitória e levar a massa à loucura. Tremendo sonho, certo? Não exatamente...

Rolou a bola, me mandei para a área adversária e o nosso time, como de hábito, começou a impor o seu tradicional jogo de toque de bola. Passe lateral pra lá, passe lateral pra cá, recuo até o nosso goleiro e nada de um lance ofensivo de verdade. E eu sozinho, perdidão lá no meio dos beques.

Depois de certo tempo, enfim, surgiu uma jogada um pouco mais incisiva pela direita; uma tabelinha, e veio o primeiro cruzamento sobre a área.

- Pô, Rodinei, é pra cruzar, não pra dar um balão pro alto e seja o que Deus quiser! Sua bola foi parar lá na ponta-esquerda!

Fernando Uribe em Flamengo x Cruzeiro - Foto: Getty Images
Sim, no meu sonho eu reclamava. Com razão, diga-se de passagem. O tempo ia correndo e nada de a maldita da redonda chegar nos meus pés. Na verdade, nem na área inimiga. Às vezes, passava por ela voando, como um pássaro enlouquecido e desorientado. E só! Como marcar gols assim?

- Diego, ô Diego, meu filho: mete uma bola açucarada, pelo amor de Deus! Deixa desse negócio de cavar falta, companheiro. Vamos tentar uma tabelinha, uma triangulação... Me coloca em condição de arriscar pelo menos um chute da entrada da área.

Que nada! O camisa 10 rodopiava feito pião e parecia só querer ser derrubado, para arrumar uma bola parada. Pra que? Pra mandar, pelos céus, pra área. E eu tonto, no meio de zagueiros, que tinham o dobro do meu tamanho. Estava frito.

- O Renê, vem num overlapping, aqui com o Marlos. Chega na linha de fundo e cruza pra trás, como naquele lance do gol do Lincoln, lá no primeiro jogo, na Arena! Rasteirinho, cara, rasteirinho....

Qual o quê! O malandro estava atarrachado na defesa. E o colombiano... Bem de onde não se espera nada é que nada acontece mesmo. E ninguém mais dava pinta pela esquerda. Era só jogada com o Everton Ribeiro e o Rodinei, do outro lado. Não podia dar certo! Os caras fecharam aquele caminho e pronto. Batíamos numa parede.

A única coisa que acontecia em termos ofensivos era um monte de escanteios. E tome de chuveirinho. Eu já disse que não sou bom de cabeça, cacilda! Esse time não tem uma jogada ensaiada? Desespero!

Pra piorar, o meio-campo nem armava, nem marcava bem. Que falta fazia o Paquetá! Havia um buraco gigantesco entre a defesa e o ataque e logo estava 1 a 0 pra eles. Na nossa casa! Com gol qualificado. Isso não podia ter acontecido. E quase aconteceu de novo, em seguida. Salvos pelo travessão! Acabou o primeiro tempo e, no vestiário, perguntei ao Barbieri:

- Professor, não vai trocar? Bota logo o Vitinho (que eu achava que deveria ter começado como titular)! E, pelo amor de Deus, vamos parar com esse negócio de cruzar todas as bolas altas pra área. Não está funcionando!

Ele se fez de surdo. E voltamos da mesma maneira. Se houve alguma instrução pra mudar a maneira tosca de jogar, ninguém ouviu, nem seguiu. E eu continuava sozinho, mais desorientado que cachorro que caiu de mudança. Quer a bola? Pula mais que os caras e mete a cabeça nela, pareciam me dizer meus companheiros, que insistam no chuveirinho, como se só valesse gol feito dessa forma.

Finalmente, entrou o Vitinho, mas continuou em campo o Moreno (vá entender!). E o que estava ruim, piorou. Bagunçou de vez e nada dava certo. Se o goleiro deles estivesse dormindo, não faria diferença. E tome de bola alta! É impressionante como jogador, quando não sabe o que fazer, apela sempre pra isso.

Acabei substituído, praguejando, é claro, e do banco pude ver o sofrimento idêntico a que foi submetido o jovem Lincoln, que entrou no meu lugar. E fiquei me lembrando do Guerrero, do Dourado, desse Uribe de agora e até do garoto. O jeito de jogar do Flamengo, faz tempo, é um autêntico moedor de camisas nove. Ficam de toquinho em toquinho e a bola, simplesmente, não chega neles.

Acordei suando frio e, com uma dúvida na cabeça. Como, um tremendo perna-de-pau como eu, foi contratado pelo Flamengo, ainda que em sonhos? Claro, só pode ter sido coisa do centro de inteligência rubro-negro. O mais estúpido da história do clube. A ponto de ainda não ter percebido que, sem laterais de verdade o time não anda.

Senti, no sonho, como é duro esperar passes do Rodinei e do Renê. E ainda entrou o Pará, no fim! Quer saber, que sonho, que nada. Tive foi um baita pesadelo. Que a torcida rubro-negra, que foi pra Copa sonhando com três títulos importantes, passou a viver nesse fatídico mês de agosto.

Vinícius Jr. faz falta? Óbvio que sim, até porque era o único jogador capaz de chegar à linha de fundo para cruzar certo para a área. Mas sem ele o que time precisa é de laterais de verdade, para voltar a fazer o mesmo. Caso contrário, insistindo apenas nos centros altos sobre a área, continuará a ser um autêntico cemitério de centroavantes.

Senti, no sonho, como é duro esperar passes do Rodinei e do Renê. E ainda entrou o Pará, no fim! Quer saber, que sonho, que nada.

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