Querem que os jogadores sejam como os torcedores

GLOBO ESPORTE: Por Humberto Peron

Garra. Vontade. Pegada. Determinação. Superação. Vibração. Nos últimos tempos são essas palavras que boa parte dos torcedores usam quando eles querem que a equipe suba de produção em campo e consiga bons resultados.

Esses termos também mostram que os perdidamente apaixonados pelos seus clubes querem que os jogadores realizem tudo aquilo que um fanático faria se estivesse dentro do gramado devidamente uniformizado e jogando.

Hoje, reconheço que a relação dos torcedores – sejam eles uniformizados ou não - com os seus clubes mudou. O fã se sente mais “dono” do seu clube, inclusive alguns mais insanos se sentem mais torcedores do time do que os outros que torcem pelo mesmo time.

Foto: Divulgação
Assim, o torcedor quer se sentir representado no gramado. E pede – ou exige – que os profissionais em campo se comportem como alguém na arquibancada. Alguns até desafiam o elenco e pedem para enfrentar os profissionais, quando o time não está conseguindo bons resultados.

Por tudo isso, o torcedor passou a aceitar no seu time jogadores ruins e fracos tecnicamente desde que eles tenham vontade e que não parem de correr em campo, mesmo se não realizem nada de importante. Por outro lado, por causa disso, alguns jogadores bons tecnicamente, que tentam cadenciar o jogo ou pensar em campo são taxados de lentos, preguiçosos e “sem alma”.

É impressionante como os grossos (jogadores ruins e medíocres, para aqueles que não conhecem o termo) assumem o papel de ídolos das torcidas. E esse tipo de profissional - jogador ou técnico - adora jogar para a torcida dizendo: "se a gente igualar na vontade não tem time que vença o nosso".

O cara pode não jogar nada, não acertar um passe e não saber matar uma bola que vem alta, mas se ele se atirar para pegar uma bola que está saindo – mesmo sabendo que não teria como evitar um simples lateral – será aplaudido como se tivesse feito um gol. Aliás, a maioria vibra muito, como se fosse o gol da vitória, com um simples desarme, um carrinho ou com chutão para cima.

Lógico que, como os torcedores querem seus clones jogando, há sempre aqueles que pedem onze valentões em campo. Caras que não aceitem o desaforo do rivais e que não percam a oportunidade de dar peitadas nos adversários e nos árbitros, pontapés desnecessários e tentam intimidar o adversário usando a força e não a técnica.

Eu sempre fui ao estádio esperando ver os jogadores fazendo coisas que eu nunca conseguiria fazer com a bola nos pés – ou com as mãos, nos caso dos goleiros. Penso que é isso que o torcedor tem que exigir sempre dos atletas do seu clube, além de um time organizado e bem montado em campo. Assim, com certeza, até as vitórias surgirão com mais facilidade.

No futebol, lógico que a vontade é um fator importante, mas está muito longe de ser o único motivo que faça uma equipe vencer um jogo. Excesso de vontade – ou desespero - sempre fez um time perder muito mais jogos do que ganhar.

Hoje, reconheço que a relação dos torcedores – sejam eles uniformizados ou não - com os seus clubes mudou.



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