Antes parceiras, torcidas de Fla e Timão passaram a ser "inimigas"

UOL: Flamengo e Corinthians é o clássico das duas maiores torcidas do Brasil. Juntos, os clubes possuem mais de 70 milhões de torcedores e quando se enfrentam mobilizam boa parte do país. A relação entre eles, inclusive, mostra como o futebol e as organizadas mudaram nos últimos 30 anos. Clubes e torcedores já foram aliados, mas vivem uma rivalidade cada vez mais acirrada.

A história da aliança entre Corinthians e Flamengo se passa em maioria nos anos de 1970 e nos primórdios do Campeonato Brasileiro. Os torcedores vibravam quando os times de outros estados jogavam em praças diferentes. Era o caso dos dois gigantes. A partir daí, a relação se intensificou com hospitalidade nas viagens, festas e "escoltas" para jogos.

Foto: Divulgação
"Os clubes se encontravam poucas vezes por ano, já que não existia o campeonato nacional. A afinidade se tornou natural. Entre 1967 e 1975, praticamente todas as vezes nas quais o Flamengo jogou em São Paulo, comparecemos com a camisa do Corinthians. Fundamos a Gaviões da Fiel em 1969 e a Camisa 12 em 1971. Assistíamos ao Flamengo com os nossos batuques, bandeiras e camisas. No Rio, éramos recebidos pelas torcidas locais, levávamos faixas", contou o ex-diretor financeiro do Corinthians e ex-integrante de organizada, Raul Corrêa.

Em 1977, Cláudio Cruz fundou a organizada Raça Rubro-Negra no Rio de Janeiro. Durante anos, a torcida manteve relação amistosa com a corintiana Camisa 12 e também circulava com tranquilidade na Gaviões da Fiel. O bom convívio foi alvo até de uma brincadeira por parte dos flamenguistas.

"Em um jogo no Maracanã, chegamos mais cedo e colocamos uma faixa embaixo da área dos visitantes: "A maior torcida de São Paulo saúda a maior torcida do Brasil". Eles não perceberam e pularam o jogo todo [risos]. Reclamaram depois, foi aquela coisa. Mas brinquei, né? Ah, era o jeito do carioca. Os caras vinham ao Rio e chegavam com os ônibus na minha casa. Não existia ódio", recordou.

Presidente da Gaviões da Fiel entre 1997 e 1999, Douglas Deúngaro, o "Metaleiro", lembrou que a amizade entre as torcidas resultou até em histórias de amor. "Eu fui dessa geração. Até os anos 1980, 1990 era uma aliança. Levávamos as bandeiras juntos. Todos circulavam à vontade pelas torcidas. O pessoal da liderança deles tinha as namoradas em São Paulo, nós tínhamos as namoradas no Rio. Era de ver o jogo junto e tinha até o grito: Timão e Mengão, amizade de irmão", disse.

E o que mudou para uma relação tão boa se transformar em uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro? Algumas histórias estão no meio do caminho, mas nada prende mais a atenção dos envolvidos como as mudanças no futebol e na própria forma de administração das organizadas.

"Eu sou de uma época na qual até a torcida do Palmeiras nos recebia com churrascos. Mas aí apareceu o dito profissionalismo nas organizadas. Por exemplo: eu vendi um carro para custear a viagem na final da Libertadores de 1981. Hoje, se compra e troca de carro com o dinheiro arrecadado nas organizadas. Os caras elegem amigos, inimigos e isso se propaga entre os aliados. Se tornou algo abominável. A questão financeira trouxe a violência para as torcidas. Tudo virou a partir do momento em que os clubes passaram a dar ingressos. Virou comércio. Até existem algumas alianças atualmente entre organizadas, mas nada como antigamente. Era algo no amor, passou a não ser mais", afirmou Cláudio Cruz.

"Também mudou com a sequência do Campeonato Brasileiro [a primeira edição foi em 1971]. Todos passaram a ser clubes nacionais, isso naturalmente acirrou o relacionamento, passaram a se considerar adversários. Não é saudável. Flamengo e Corinthians são os clubes para liderar o país", pontuou Raul Corrêa.

Já "Metaleiro" citou um episódio que também pode ter influenciado no fim da amizade. "Apresentamos a torcida do Flamengo para a do São Paulo. Alguns são aliados. A Gaviões não tinha briga com a Independente. Quando tivemos problema com os são-paulinos por conta da morte do Rodrigo de Gasperi, em 1992, fomos cobrar e as torcidas do Flamengo ficaram ao lado da Independente. Saiu essa confusão, eles tomaram partido", explicou.

Por fim, o rubro-negro Cláudio Cruz também lembrou da conhecida invasão corintiana ao Maracanã em 1976. Na ocasião, os paulistas fizeram a semifinal do Campeonato Brasileiro contra o Fluminense. O flamenguista crê que o episódio possa ter causado desdobramentos para o fim da relação.

"Essa invasão nunca existiu. Muita gente veio de São Paulo, mas era um Maracanã carioca. Todas as torcidas do Flamengo foram apoiar o Corinthians. Vieram também as organizadas do Vasco, Bangu, Botafogo, todo mundo ajudou. O pessoal da época sabe disso. Contestamos muito isso junto aos corintianos. Os ônibus tinham as numerações puladas. Só podia ser brincadeira aquilo. Tudo para dizer que mais torcedores vieram. Não houve nada disso. Batemos muito nessa tecla por anos e pode ter criado um desconforto", encerrou.

A história da aliança entre Corinthians e Flamengo se passa em maioria nos anos de 1970 e nos primórdios do Campeonato Brasileiro.

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