Bandeira nega problema financeiro e vê Flamengo em outro patamar

O GLOBO: Do saguão do aeroporto, rumo a Salvador, para acompanhar a estreia de Dorival Júnior pelo Flamengo, o presidente Eduardo Bandeira de Mello conversou com O GLOBO sobre os seus últimos dias no comando do clube.

O bate-papo, através do WhatsApp, não impediu desabafos e mea-culpa sobre erros em seis anos de gestão, sobretudo a excessiva rotatividade de treinadores.

Candidato a deputado federal e alvo de inquérito no clube por suposto uso da marca em benefício próprio, Bandeira deixou claro que seguirá exercendo sua função até 31 de dezembro.

Foto: Gilvan de Souza
O senhor pretende conciliar as duas agendas e seguir à frente das decisões do futebol enquanto mantém a campanha política?

Problema zero. Vou cumprir meu papel de presidente até o último dia do mandato, mesmo em prejuízo dos projetos pessoais.

A dois meses para o fim do mandato, passa um filme na cabeça do que poderia ter sido diferente? O que o senhor mudaria?

Difícil dizer. Não mudaria nada em relação aos princípios e valores. Se você der uma olhada no meu discurso de posse, verá que tudo o que foi prometido, foi cumprido. Depois que o tempo passa, fica fácil perceber que algumas decisões operacionais poderiam ser diferentes, mas ninguém tem bola de cristal.

Nesse discurso e nos seguintes sempre houve um otimismo, uma ambição, falava-se em voltar a disputar um Mundial. O senhor até como torcedor acreditava mesmo nisso? Faltou o que para isso se tornar uma realidade factível?

Entendo que o Flamengo sempre terá obrigação de trabalhar para atingir o máximo sucesso, conquistar todos os títulos. Nos primeiros anos da nossa administração, as restrições financeiras pesaram muito. A partir do momento em que conseguimos conquistar a solidez econômica e financeira e avançar nas áreas de infraestrutura, excelência em performance, inteligência e no trabalho da base, o sonho fica mais próximo de virar realidade. Acho que está cada vez mais próximo.

São 14 treinadores nas suas duas gestões, um título da Copa do Brasil e dois estaduais. Admite que foi muito pouco pela expectativa criada após os ajustes administrativos e aumento da receita?

Para o Flamengo, sempre será muito pouco. Mas tenho certeza de que fincamos as bases para poder ganhar tudo e sempre.

Na última eleição do clube, o senhor disse que se considerava o melhor presidente da história do Flamengo. O senhor acha que vai ficar na história do clube de que forma?

Não sou eu pessoalmente. Foi um excelente trabalho de equipe. Tenho certeza de que contribuímos muito para mudar o Flamengo de patamar em vários aspectos. Se foi a melhor administração da história, acho que não cabe a mim avaliar. Houve outras excelentes também num passado mais distante.

Qual foi o maior acerto e maior erro até agora?

O acerto foi o conjunto das ações que citei acima. Finanças, infraestrutura, base etc. O resgate da credibilidade e o equacionamento dos passivos financeiro, ético e moral. Erros houve váarios. Poderia citar que deleguei totalmente a administração do futebol no início da administração, o que não faria novamente. E com certeza temos muito que aprender com a questão do “turn over” dos treinadores.

Nas discussões sobre troca de treinadores, o senhor sempre esteve contra. Assim como desta vez, com o Barbieri. Se sentiu sozinho na manutenção da filosofia de trabalho em alguns momentos? Ouvi de algumas pessoas que o senhor considerava-se o único na diretoria a entender de futebol…

Não fui contra. Era uma decisão de curto prazo que precisava ser tomada. Acho que precisamos mudar essa postura no longo prazo, nos preparar para ela. Embora considerando o Barbieri um excelente profissional, tivemos que agir. Quanto ao último comentário, nada a declarar. Deve ser de alguém que não me conhece.

Falando do elenco do Flamengo, este perfil foi formado ao longo dos últimos anos, e é considerado por muitos inapropriado para vestir a camisa do clube, por uma certa frieza, diria. A estrutura do Ninho do Urubu é vista também como uma ilha onde os atletas ficam isolados e desconectados da torcida e da realidade da cidade que respira o Flamengo. Concorda com essas críticas? Ou acha que haja apenas um problema técnico para o time não dar resultado?

De forma nenhuma. Uma infraestrutura adequada e condições dignas de trabalho são fatores absolutamente necessários para se conseguir um bom desempenho. Ao longo dos últimos anos, nosso desempenho melhorou, mudamos de patamar. Mas temos que trabalhar para melhorar muito mais.

O senhor não viu contradição da sua parte ao se candidatar fora do clube a um cargo na política após ter criticado a Patricia Amorim por ter feito o mesmo? O que mudou? O que pensa sobre as acusações internas de uso do nome do clube em causa própria?

Acho que postular um cargo público ou uma outra função no setor privado é direito de qualquer cidadão. As acusações não fazem sentido, provavelmente são motivadas pela disputa eleitoral interna. Não usei o clube nem para as eleições do Flamengo, quanto mais para o processo político externo.

Como tem sido o tratamento dos torcedores nas ruas durante a campanha?

Tenho sido muito bem recebido na rua.

Seus opositores nas eleições do Flamengo o atacam como plataforma de campanha. Alguns estavam na sua administração até poucos meses. Como enxerga essa possibilidade de passagem de bastão?

Todos têm que estar preparados para a alternância de poder. Mas estou confiante de que a Chapa Azul, de situação, vai vencer o pleito e dar continuidade ao trabalho dos últimos anos. Os que me atacam pessoalmente são poucos e já estão na oposição desde o início de 2015. Só estiveram comigo por 2 anos.

O que motivou a escolha do Dorival, e como as conversas para equacionar o passivo dele ajudaram? Por que o clube alterna o perfil jovem e estudioso com os experientes e de mais currículo?

Achamos que neste momento precisávamos de alguém com o perfil dele. E ele também tem muito conteúdo técnico e sabe (e gosta) de trabalhar com a base.

O clube procurou Abel e Renato esse ano. Se tudo der certo com o Dorival você o manteria ano que vem?

Se tudo der certo (e acho que vai dar), acho que seria lógico manter o trabalho. Mas essa será uma decisão do Lomba e da sua equipe.

Manteria o Noval como diretor de futebol?

Sim. Tenho muita confiança nele.

Você acha que ele e o clube foram bem na contratação de reforços este ano? Pelo dinheiro investido, com as vendas que aconteceram, os tiros foram certeiros?

Algumas contratações demoram um pouco mais para apresentar resultados. Confio no sucesso de todas elas.

Qual o passivo deixado com essas contratações? O clube tem esse ano R$ 46 milhões pra pagar de contratações nos anos anteriores. O que fica para a próxima gestão?

Fica a melhor situação financeira da história do Flamengo. Inclusive parte expressiva das luvas do contrato assinado com a Globo em 2016, o que só se verificou no Flamengo. A responsabilidade é uma marca da nossa gestão e nunca nos afastaremos dela.

O Conselho de Administração reprovou o pedido de readequação do orçamento. O quanto a saída da Copa do Brasil pesa?

Sempre administramos nosso fluxo de caixa de forma conservadora para prever situações como essa. Não haverá qualquer dificuldade.

Não havia risco em antecipar receitas dos próximos anos? Das vendas e patrocínios?

Risco zero. O Flamengo nunca teve situação financeira tão confortável. Disparado a melhor entre todos os clubes brasileiros.

Seria interessante esclarecer se a situação financeira desse ano especificamente não compromete os ano posteriores. A renovação de contratos com jogadores no longo prazo também. E qual a estratégia com as promessas para o fim do mandato. O senhor pretende renovar com o Paquetá antes de sair ou acredita que ele será vendido?

Fique tranquilo. Não haverá qualquer problema. A administração do futebol segue inalterada. E não existe nada sobre negociação. Com nenhum jogador.

Onde o Flamengo investiu o dinheiro da venda do Vinicius Junior? E se tentou segurar o jogador até o fim do ano, mesmo adiando os pagamentos?

Tentamos segurar. O Real preferiu ficar com ele. Quanto ao produto da venda, foi aplicado no orçamento do clube, com transparência total. Não existe caixa preta.

O senhor processou de fato o conselho do clube em função da discussão da cor azul das chapas? Pode esclarecer?

Claro que não. Qualquer advogado bem intencionado pode esclarecer.

O senhor já se imagina voltando pra arquibancada?

Claro. Com o maior prazer.

Entendo que o Flamengo sempre terá obrigação de trabalhar para atingir o máximo sucesso, conquistar todos os títulos.


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