Corregedoria irá apurar agressão de PM a torcedores do Flamengo

ESPN: Por Gabriela Moreira

A Polícia Militar de Minas Gerais vai enviar para apuração da Corregedoria cópia do vídeo em que um torcedor aparece levando um tapa no rosto de um policial dentro do Mineirão. As imagens mostram um rubro-negro falando com um policial dentro do estádio quando um segundo PM se aproxima desferindo um tapa em seu rosto e gritando: "Não vou te falar mais" ou "Não pode falar mais" (o som não é claro).

No entorno da cena, outros torcedores do Flamengo, homens e mulheres, passavam com mãos tapando boca e nariz, aparentemente protegendo-se dos efeitos de gás de pimenta.

Assista ao vídeo abaixo: 


Ao blog, o porta-voz da corporação, major Flávio Santiago disse que encaminhou pedido de esclarecimento ao batalhão responsável pela ação e também levou o caso ao conhecimento da Corregedoria.

"Soubemos do assunto através da reportagem, não tínhamos tido acesso a estas imagens e vamos levá-la para a Corregedoria. Se eles entenderem que foi excessivo, será aberto procedimento apuratório, ele será ouvido e pode virar inquérito se for o caso", disse o major.

O blog ouviu o torcedor agredido. Tiago Oliveira, 32 anos, disse que a situação ocorreu no intervalo do jogo, após os policiais decidirem fechar o bar destinado aos rubro-negros. Segundo ele, nessa hora, houve um princípio de discussão com alguns torcedores reclamando da ação. Ele foi um dos que questionou a atitude, mas sem violência.

Após o tapa, cassetete

"Nessa hora, eu já tinha entendido que o bar ficaria fechado e estava tentando ir ao banheiro. Estava falando com o policial, explicando para ele, quando chegou este outro me dando um tapa no rosto. A câmera parou de filmar e ele ainda me bateu mais. Estou com a barriga doendo do cassetete", disse Oliveira que pertence a um Consulado, como são chamados grupos de torcidas mais regionais do Flamengo.

Morador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Oliveira é eletricista e foi ao Mineirão pela primeira vez.

"Lá fora, os policiais eram muito solícitos, ajudavam com informação e eram educados. Mas dentro do estádio foi muito diferente. Vi policial empurrando mulher com criança no colo, atiraram bombas, atacaram com cassetete

A reportagem ouviu diversos relatos semelhantes ao de Oliveira. Além dele, o repórter Wesley Ramon, da rádio Esporte Metropolitano, do Rio, foi agredido por seguranças privados enquanto tentava filmar a ação da PM.

Ele registrou ocorrência e fez exame de corpo delito para atestar as lesões.

No fim da tarde desta sexta-feira, uma testemunha da agressão ao jornalista procurou o blog e contou ter visto mais do que aparece nas imagens:

"Teve um momento que enquanto uns enforcavam, outro dava soco na barriga dele. Eu ainda discuti com um dos seguranças. E perguntei se iriam matá-lo igual fizeram com o Eros morto por seguranças dentro do próprio Mineirão", relatou a testemunha.

Torcedor morto

Eros Datilo Belizário, de 37 anos, foi morto dentro do estádio, em 2016, após ter sido espancado pelos seguranças privados contratados pelo Mineirão. No laudo feito no hospital para onde foi levado, Odilon Behrens, foi constatado que ele chegou à unidade sem vida e "com múltiplas lesões".

Inquérito feito pela Polícia Civil, no entanto, concluiu que o torcedor foi vítima de um choque elétrico.

Veja abaixo nota da empresa Esquadra, que faz a segurança do estádio, da Minas Arena e o que diz a PM:

"A Esquadra está apurando os fatos para um melhor esclarecimento do ocorrido durante o jogo do Cruzeiro e Flamengo na última quarta-feira,  no Estádio Mineirão. A Esquadra reitera que todos os seus colaboradoras que prestam serviço no Mineirão são treinados para agirem da melhor maneira, mesmo em situações de maior tensão."

"Com relação ao ocorrido com o repórter Wesley Ramon, da Rádio Metropolitana, ontem, após a partida Cruzeiro x Flamengo, a concessionária que administra o estádio está apurando e buscando todos os esclarecimentos junto à empresa que responsável pelo serviço de segurança privada no estádio.
A empresa lamenta o ocorrido e reitera que preza pelo importante trabalho realizado pela imprensa na cobertura das partidas de futebol no estádio".

O que diz a PM

A PM de Minas Gerais, pelo porta-voz major Flávio Santiago, disse que a polícia age com austeridade, mas sem violência. Segundo o oficial, em conversa com os policiais envolvidos eles afirmaram que não abusaram do uso da força.

Apenas agiram para conter torcedores que tentavam descumprir as ordens e que alguns estavam alcoolizados.

Quanto à imagem do torcedor que levou um tapa no rosto de um policial, a PM disse que tomou conhecimento do fato pela reportagem e que já encaminhou questionamentos à unidade, bem como enviou as imagens para a Corregedoria. O policial poderá responder pelo ato, após a instauração de um inquérito administrativo.

Já quanto às cenas de policiais militares agindo dentro de um hotel, em que estavam hospedados torcedores rubro-negros, o porta-voz disse que a PM recebeu três chamados do hotel afirmando que alguns torcedores estava provocando torcedores rivais no estabelecimento. E que foi ao local para controlar a situação.

A PM informou também que, em outras situações, nos confrontos acontecidos entre torcidas organizadas do Cruzeiro, fora do estádio, pelo menos três policiais ficaram feridos. Um deles, o comandante do 34º Batalhão, tenente-coronel Godinho, que está com hematomas no peito, provocado por uma garrafada. Um segundo policial perdeu um dente, também alvo de uma garrafada. E um terceiro, da Cavalaria, sofreu uma fatura no braço após ter sido alvo dos torcedores.

No entorno da cena, outros torcedores do Flamengo, homens e mulheres, passavam com mãos tapando boca e nariz.

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