Custo do Flamengo com salários é menor que do Corinthians

O GLOBO: Por Rodrigo Capelo

Derrotado na semifinal da Copa do Brasil, eliminado da Libertadores e a três pontos do líder no Campeonato Brasileiro, o Flamengo dá novamente aos seus torcedores a sensação de fracasso. De que nada adianta ter dinheiro e um balanço financeiro superavitário se o futebol, o que importa, não termina o exercício com títulos — uma condição que agora só pode ser revista se o time rubro-negro fizer um segundo turno impecável e chegar ao título no Brasileirão. O torcedor não tem nenhuma obrigação de condicionar as suas reações emocionais à lógica do número. Mas, racionalmente, a derrota para o Corinthians não representa nenhuma grande anomalia.

Andrés Sanchez, Presidente do Corinthians, e Eduardo Bandeira, do Flamengo - Foto: Divulgação
Embora tenha o rótulo de pujante saúde financeira, o Flamengo ainda investe menos do que alguns adversários diretos em seu time de futebol. Entre eles, o Corinthians. No primeiro semestre deste ano, a direção rubro-negra dedicou R$ 77 milhões à remuneração de seu time de futebol profissional — a soma de salários, encargos trabalhistas e direitos de imagem de todo o departamento de futebol, sem incluir esportes amadores e atividades sociais. A direção corintiana gastou R$ 92 milhões no mesmo período. Todos os valores constam nos balancetes, referentes aos seis meses entre janeiro e junho, período mais recente que está disponível.

Nos últimos cinco anos, o Flamengo foi eliminado três vezes na Copa do Brasil por adversários com investimentos superiores em suas folhas salariais: Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG. Por mais que houvesse grande expectativa pelo título, principalmente porque as derrotas ocorreram em semifinais e final nestes três anos, faz parte do futebol perder para adversários mais rico que você. Por outro lado, o torcedor rubro-negro pode reclamar dos maus resultados nas outras duas temporadas. O Flamengo tinha uma folha oito vezes maior que a do Fortaleza em 2016, e uma vantagem de R$ 30 milhões sobre o Vasco em 2015. Nessas ocasiões, foi ineficiência rubro-negra pura.

O estudo do impacto do dinheiro sobre o desempenho esportivo não é novidade no futebol. Stefan Szymanski, economista que se dedica a entender o esporte pelo prisma econômico, publicou em seu livro “Money and Football” (não traduzido para o português, nem publicado no Brasil) dados da primeira divisão da Inglaterra que vão desde 1958 até 2013. Em todo o período, o autor encontrou forte correlação entre os gastos com folhas salariais e as posições dos clubes na Premier League. Uma correlação mais forte do que qualquer outra variável possível.

“Os números deixam espaço para outros fatores além dos salários na maneira como afetam a performance, especialmente a boa e velha sorte (ou azar). Eles deixam espaço para os efeitos da gestão, da cultura, da história, e assim por diante. Mas nada é maior do que o gasto, e a maioria dos fatores tem um impacto relativamente pequeno na performance comparada aos salários”, escreveu o autor no livro.

Quem gasta mais tem maior chance de vencer. E a matemática serve ao futebol brasileiro. Ela demonstra que as bolas rubro-negras na trave são tristes, frustrantes, mas absolutamente normais.

Embora tenha o rótulo de pujante saúde financeira, o Flamengo ainda investe menos do que alguns adversários diretos em seu time de futebol.

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