Esse Flamengo não merece a torcida que tem

ESPN FC: Por João Luis Jr.

Se você foi ao Maracanã nesse domingo você teve que acordar cedo. Pegou seu ingresso, que não foi barato, entrou num metrô, num ônibus, talvez no seu carro. Metrô lotado, ônibus carioca que é sempre aquela aventura, trânsito do Rio de Janeiro que é uma adaptação live action do video game Carmageddon em que atropelar e bater rende mais pontos. Sozinho, com a família ou com os amigos, você chegou ao estádio e se sentou, sob o sol das onze da manhã, esperando por uma vitória do Flamengo.

Mesmo se você assistiu de casa, tem o preço do pacote de futebol na TV fechada, tem a maldade que é sair da cama antes de meio dia num domingo, tem o olhar torto da família quando você atrasa o almoço de todo mundo, aquela bronca da sua mãe, sua esposa, do seu irmão, porque você tá ali xingando na frente do sobrinho de 4 anos e agora a criança tá correndo pela casa gritando “malos alombado, malos alombado” e você não tá com a menor paciência pra explicar pra ninguém quem é Marlos ou porque ele é um arrombado.

Torcida do Flamengo - Foto: Divulgação
Ou seja, torcer, mesmo nas pequenas coisas, mesmo nos gestos simples e rotineiros, é um ato de dedicação. Você dedica seu dinheiro, seu tempo, sua atenção, seu afeto. Você poderia estar dormindo, poderia estar dando uma volta no parque, poderia estar na praia, poderia estar lavando seu carro, brincando com seu afilhado, mas não, você está vendo o Flamengo, seja ao vivo, seja pela televisão, seja no bar, gesto esse que sua família repudia mais ainda porque são 11 da manhã - “e isso porque é horário de verão, iam ser 10 horas no horário normal”, seu cunhado comenta.

E o que o Flamengo nos oferece em troca? Bem, hoje o Flamengo ofereceu uma derrota, dentro de casa, para o penúltimo colocado do Campeonato Brasileiro, o Ceará. Ele ofereceu mais uma rodada em que vamos ficar mais distantes do 1º lugar do Brasileirão, mais distantes da briga pelo título, mais distantes de sermos campeões de alguma coisa esse ano. Ele ofereceu mais 90 minutos de Marlos Moreno tropeçando na bola, de Henrique Dourado levando mais boladas na nuca do que acertando cabeceios propositais, de um time que decidiu praticar um futebol 80% baseado em cruzamentos na área porém não tem jogadores que saibam cruzar ou mesmo gente dentro da área, na maior parte do tempo.

Em suma, em troca do nosso tempo, da nossa atenção, do nosso afeto, o Flamengo mais uma vez ofereceu vergonha, raiva, displicência, desorganização e a sensação de que você, dentro da sua rotina, da sua casa, no seu trajeto pro estádio, vem se esforçando mais para ver esse time vencendo do que as pessoas que estão dentro do campo, sentadas no banco, comandando o futebol. Nós todos mais uma vez oferecemos ao Flamengo tudo que ele parecia pedir e ele em troca conseguiu oferecer menos até do que era possível imaginar.

Não que ninguém aqui vá desistir do Flamengo, claro. A definição do amor incondicional é exatamente que ele existe sem condições, sem recompensa, sem cobrar nada em troca. Mas Flamengo, e eu falo isso com todo o carinho e toda a paciência que eu consigo reunir após ver na sequência meu time empatar com o América-MG, ser eliminado da Libertadores e perder dentro de casa para o Ceará, pelo tanto que essa torcida te ama, já passou da hora de você se amar um pouco e, se possível, amar a gente de volta. Porque te amar sozinho está realmente sendo muito, mas muito complicado.

A definição do amor incondicional é exatamente que ele existe sem condições, sem recompensa, sem cobrar nada em troca.

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