Final melancólico da gestão Bandeira no Flamengo

UOL: Por Renato Maurício Prado

Honrosa exceção no combalido futebol carioca, que vê três de seus grandes clubes vivendo em dolorosa penúria financeira e brigando para escapar do fantasma de mais um rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o Flamengo vive um paradoxo desde que Eduardo Bandeira de Mello assumiu a presidência, em 2013.

De instituição falida em 2009, quando entrou para a história a patética entrevista do "acabou o dinheiro", dada pelo então presidente Márcio Braga; ao clube rico, que fatura R$ 600 milhões por ano, não atrasa salários e conseguiu diminuir a sua dívida em 50%; a trajetória de quase seis anos da atual administração é de indiscutível e elogiável sucesso em termos econômicos.

Eduardo Jorge e Eduardo Bandeira, Presidente do Flamengo, fazendo campanha - Foto: Divulgação
Mas em termos esportivos a história é bem diferente.

Somente na atual temporada, o Flamengo investiu R$ 68 milhões em contratações que, ao menos até agora, não vingaram. E o rendimento de um departamento de futebol, que custa a bagatela de R$ 11 milhões por mês, apenas em salários, deixa a desejar e irrita profundamente a maior torcida do país, inconformada com a incompetência da diretoria em montar um time de futebol à altura da história do clube e, acima de tudo, de seu momento de fartura econômica.

Não custa lembrar que foi no mesmo ano de 2009, no qual "o dinheiro acabou", em janeiro, que o Fla conquistou, ao final da temporada, o seu último Brasileiro, com uma arrancada inesperada e improvável do time dirigido por Andrade, no banco, e Adriano Imperador e Petkovic, em campo. De lá pra cá, foram apenas três carioquinhas (autênticos "Me engana que eu gosto") e uma Copa do Brasil – essa em 2013, no primeiro ano sob a presidência de Bandeira de Mello.

Administração que antes mesmo do racha que levou a maior parte da chapa azul original a afastar-se do presidente e lançar candidatura própria (derrotada no final de 2015) já vinha se mostrando neófita em futebol. Prova maior disso, o alto número de contratações equivocadas e mais ainda o fato de algumas outras, que pareciam incontestáveis (caso de Paolo Guerrero), não terem dado certo com a camisa rubro-negra.

Impressiona também o número de treinadores contratados nos últimos seis anos, entre eles, alguns dos mais badalados nomes do mercado. Senão vejamos: Dorival Jr., Jorginho, Mano Menezes, Jayme de Almeida, Ney Franco, Vanderlei Luxemburgo, Cristóvão Borges, Oswaldo de Oliveira, Muricy Ramalho, Zé Ricardo, Reinaldo Rueda, Paulo César Carpegianni e, por fim, o jovem e inexperiente Maurício Barbieri – que já está na corda bamba. Treze técnicos e nenhum deles conseguiu resultados à altura do esperado, diante do que tem sido investido nos últimos anos.

O que dá errado, afinal? Como uma equipe teoricamente tão forte (para o momento atual do futebol brasileiro) não consegue render o que dela se espera? Acerta quem aponta a personalidade narcisista, centralizadora e ao mesmo tempo, paternalista do presidente como um dos maiores problemas.

Ao chegar ao poder, como um autêntico laranja da vetada candidatura Wallim Vasconcellos, Bandeira se deixou picar pela mosca azul e, aos poucos, foi se afastando de todos e se cercando apenas por aqueles que só lhe dizem amém e rezam na sua cartilha.

Seria até aceitável, se entendessem de futebol. Mas não entendem. Lembram aquela famosa grã-fina de narinas de cadáver, de que nos falava Nélson Rodrigues. Aquela que, ao entrar no Maracanã, perguntou, excitada: “Quem é a bola”?

Brincadeiras à parte, o fato é que Bandeira vai encerrando o seu tempo à frente do clube como autêntico "O Médico e o Monstro", personagem principal do clássico romance do escritor inglês Robert Louis Stevenson. Em termos de administração financeira, ele será lembrado eternamente como o Dr. Jekyll, o conceituado e competente médico, mas quando o assunto for futebol, será sempre Mr. Hyde, o monstro.

Com o time em viés de queda livre no Campeonato Brasileiro e numa semifinal e possível final complicadas na Copa do Brasil, suas chances de reverter esse quadro são tão frágeis quanto às do Flamengo de conquistar ainda algum título em 2018.

O que dá errado, afinal? Como uma equipe teoricamente tão forte (para o momento atual do futebol brasileiro) não consegue render o que dela se espera?


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