Fla massacrou o Corinthians, mas não marcou. Qual o problema?

GLOBO ESPORTE: O Flamengo cria pouco porque os adversários defendem bem ou os adversários defendem bem porque o Flamengo cria pouco?

A dificuldade rubro-negra em decidir partidas traz à tona um dilema bem-humorado que fez sucesso em peça publicitária nos anos 90, mas não tem a menor graça para o torcedor que acompanhou o empate sem gols com o Corinthians pela semifinal da Copa do Brasil.

O script é repetitivo, tem sido a marca do Flamengo depois da Copa do Mundo, desde a saída de Vinícius Júnior, e nem o "roteirista" Maurício Barbieri, nem seus atores principais têm sido capazes de criar uma história diferente. A exibição contra o Timão fez o Rubro-Negro repetir a teoria do arame liso: cerca, mas não faz mal ao adversário.

Flamengo x Corinthians
Posse de bola: 70% x 30%
Finalizações: 21 x 3
Chances reais: 5 x 2
Bolas levantadas: 32 x 0
Escanteios: 12 x 0
Passes certos: 584 x 112

Vitinho e Fagner em Flamengo x Corinthians - Foto: Buda Mendes/Getty Images
O Flamengo mais uma vez teve maior posse de bola, mais uma vez teve mais finalizações e mais uma vez o torcedor foi para casa com a sensação de que muito pouco aconteceu nos 90 minutos de bola rolando. Desta vez, diante de um adversário que se recuou ainda mais do que Ceará e Cruzeiro - para ficar em exemplos recentes -, abdicou ainda mais das saídas em contragolpes, e voltou para casa sem ser ferido.

Como virou hábito de agosto para cá, as estatísticas mostram mais o que o Flamengo foi incapaz de produzir do que a frieza dos números poderia sugerir. Friamente, imagina-se que um time com 70% de posse de bola e 21 finalizações deixou o gramado injustiçado com o empate no placar. Não foi o que aconteceu.

Diego foi quem mais levantou bolas na área (12), seguido por Everton Ribeiro (11).

Para não dizer que o tempo do Flamengo com a bola nos pés não valeu de nada, serviu para Cássio ser eleito o melhor em campo pelas defesas em finalizações de Lucas Paquetá e Uribe no primeiro tempo, ambas após cobranças de escanteio. "Pior" para Diego Alves que Douglas e Clayson chutaram para fora nas vezes em que saíram livres na sua frente.

Flamengo em mata-matas em 2018:

4 gols em 7 jogos
1 gol em 4 jogos como mandante
Porque o 21 x 3 em finalizações vira 5 x 2 se levarmos em conta as chamadas chances reais de Flamengo e Corinthians no Maracanã. Estatística mais equilibrada de um "baile" onde os cariocas dançaram sem ritmo e pisaram no próprio pé. Abusaram dos passes para os lados e cruzamentos na área, deixando ainda mais exposta a falta de criatividade - principalmente em partidas decisivas.

Em sete jogos de mata-mata entre Libertadores e Copa do Brasil, o Flamengo fez apenas quatro gols. Em quatro jogos como mandante neste tipo de competição, fez apenas um (diante do Grêmio nas quartas de final). Sinal claro de um time que carece de soluções quando pressionado a tomar decisões.

- Cinco chances claras acho que é um número razoável. Temos que aproveitá-las e também achar soluções para que a bola chegue em melhor condição (para os centroavantes). Passa também pelo posicionamento deles. É coletivo.

A declaração de Barbieri é sobre duas questões básicas do Flamengo atual: a falta de criatividade e a dificuldade de definir um centroavante no rodízio que já contou com Dourado, Uribe, Lincoln e até Vitinho. Seja qual for o escolhido, a impressão é cada vez maior de que a equipe não facilita a vida de um camisa 9.

Contra o Corinthians, coube ao colombiano a missão de começar jogando. Foram duas finalizações e, não por acaso, as duas de cabeça. Com 32 bolas levantadas, o Flamengo apelou para a solução menos criativa diante de um adversário com duas linhas bem postadas e todo atrás da linha da bola.

Responsáveis por encontrar alternativas, Diego e Everton Ribeiro foram os que mais "apelaram": 12 e 11 vezes respectivamente. Não deu certo. Como já não tinha dado em casa contra Ponte Preta, pela Copa do Brasil, Cruzeiro, pela Libertadores, ou Ceará, no Brasileirão de pontos corridos. Como também não foi suficiente em jogo com roteiro parecido diante do mesmo Cruzeiro no Mineirão.

É preciso encontrar soluções para decisão da vaga na final, em São Paulo. Barbieri acredita em um Corinthians menos retrancado, espera encontrar espaços, mas, acima de tudo, precisa sanar aquele que há tempos é o principal problema de sua equipe: a falta de criação. Há duas semanas para isso.

A exibição contra o Timão fez o Rubro-Negro repetir a teoria do arame liso: cerca, mas não faz mal ao adversário.



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