Flamengo busca o título, enquanto Corinthians busca pagar contas

UOL: Depois de um empate sem gols que gerou pouca empolgação há duas semanas, Corinthians e Flamengo se reencontram nesta quarta-feira (25) com a expectativa por mais emoção para se definir qual será o finalista da Copa do Brasil. O confronto dos clubes de maior torcida do Brasil causa expectativa elevada nas duas partes, mas a motivação de corintianos e flamenguistas, internamente, é de certa forma distinta para o jogo em Itaquera, São Paulo.

Com a perspectiva de receber R$ 20 milhões em caso de passagem à final e eventualmente assegurar outros R$ 30 milhões se for campeão, o Corinthians enxerga na Copa do Brasil a tábua da salvação para uma sequência de temporadas financeiramente difíceis. O dinheiro também seduz o Flamengo, naturalmente, mas é uma vitória em nível nacional que o presidente Eduardo Bandeira de Mello persegue para validar a reconstrução do clube.

Foto: Divulgação
Os bastidores andam agitados, há algum tempo, diante dessa rivalidade e do peso que a passagem à final tem para os dois clubes. Episódios como o pedido do Flamengo para que a data da semifinal fosse alterada, o corte de Fagner da seleção brasileira e a escolha da arbitragem mexeram com dirigentes, que veem numa vitória nesta quarta a grande chance de terminar 2018 com melhor reputação.   

O maior objetivo do Corinthians: Libertadores e zerar o déficit

Ser frio em jogos importantes e ganhar títulos. Esses aspectos marcam a construção do DNA do Corinthians desde 2008 e que, indiscutivelmente, tem o presidente Andrés Sanchez como um de seus personagens. Superar um rival no mata-mata e brigar por um título nacional que ganhou maior peso nos últimos anos seduzem o clube, que viu 40 mil torcedores se deslocarem a Itaquera, na véspera da semifinal, para fornecer um apoio generoso a Jair Ventura e companhia.

Diferentemente do Flamengo, porém, o Corinthians não se vê com uma dívida tão grande com sua torcida no que diz respeito a grandes conquistas nos últimos anos. Encerrado o ciclo de 2011-12-13 com todos os títulos que foram disputados, o clube voltou a levantar troféus na volta de Tite e na sucessão com Fábio Carille. Além de dois Brasileiros, o time ganhou o Paulista de 2017 e repetiu a dose neste ano. A vitória na casa do rival Palmeiras, quase o último ato de Carille, teve sabor acima da proporção normal para os corintianos de um modo geral.

Esse êxtase foi seguido a muitas saídas do elenco e comissão técnica, sinal de que alguma forma um ciclo se encerrou naquele momento. Sanchez, desde então, tenta reconstruir um novo time, com nível menor de investimento e contas mais urgentes organizadas até o fim de 2018. Na previsão financeira que ainda apresenta déficit de R$ 17 milhões, porém, a possibilidade de passar pelo Flamengo é algo que faz sorrir o diretor financeiro Matias Ávila.

Com perspectiva cada vez menor de encostar no G-6 do Brasileiro, com 26 rodadas transcorridas e uma distância que se mantém difícil de ser retirada, o Corinthians também sabe que a Copa do Brasil se tornou o cenário mais acessível para estar na Libertadores 2019. Sanchez, um dos dirigentes que se empenham para que a Conmebol aumente premiações de seu torneio no ano que vem, espera que a nova equipe montada por ele e dirigida por Jair possa usufruir dessas cotas e ter uma vida melhor no ano que vem.

Não por acaso, ciente da fragilidade do time que foi totalmente reconstruído desde a parada da Copa, Sanchez chegou a dizer que a Copa do Brasil, e não a Libertadores, era a prioridade do semestre. Por mais polêmica que possa ter sido a afirmação, a justificativa é que havia metade dos jogos a se fazer e uma premiação muito mais generosa por parte da CBF. A queda contra o Colo-Colo, ainda nas oitavas de final, gerou pouquíssimos questionamentos no Parque São Jorge.

O duelo contra o Flamengo, porém, traz uma expectativa diferente. A rivalidade entre Sanchez e Bandeira nos bastidores coincide com a rivalidade crescente das duas torcidas. Passar pelos rubro-negros em Itaquera, de quebra, validaria a reformulação realizada por Andrés no futebol. E com um impacto tão grande no caixa, também indicaria um 2019 com mais investimentos. 

O maior objetivo do Flamengo: um troféu de peso no fim da gestão

O Flamengo vive uma situação absolutamente particular na temporada. Nenhum clube despreza dinheiro, ainda mais a premiação milionária da Copa do Brasil. Para se ter uma ideia, só o título da edição 2018 vale R$ 50 milhões. Chegar à final garante ao menos R$ 20 milhões nos cofres, além dos R$ 11,9 milhões já embolsados até a fase semifinal. Mas não é o montante milionário que move o Rubro-negro.

É lógico que a quantia é bem-vinda, mas as contas equacionadas do clube mais popular do país viram o foco para o objetivo maior de qualquer clube: conquistar títulos. É justamente isso o que falta na administração do presidente Eduardo Bandeira de Mello.

Com cerca de três meses de gestão pela frente, o mandatário venceu apenas a Copa do Brasil (2013) e o Campeonato Carioca (2014 e 2017). A promessa de triunfar na Copa Libertadores ficou pelo caminho, assim como o sonhado título do Brasileirão, que ainda pode ser alcançado na atual temporada.

A verdade é que para o investimento milionário do Flamengo na formação do elenco e com salários - mais de R$ 10 milhões por mês -, o rendimento do futebol é absolutamente aquém do esperado. Os títulos de expressão não chegaram e cobram o preço, principalmente em razão de o Rubro-negro ter colecionado eliminações no período, algumas vexatórias, como para o Palestino-CHI, na Copa Sul-Americana (2016) e na Libertadores de 2017, quando caiu na primeira fase sem somar nem um ponto sequer fora de casa.

Outro ponto importante e que reforça a necessidade de o Flamengo conquistar títulos está no processo eleitoral do clube. Em dezembro, o Rubro-negro conhecerá o presidente para o triênio 2019-2020-2021. O vice de futebol Ricardo Lomba é o candidato de Eduardo Bandeira de Mello. A Gávea está dividida e vê no opositor Rodolfo Landim uma possibilidade considerável de troca na gestão. Ele tem o apoio de sete dos 12 grupos políticos do clube.

Lomba sabe que ao menos um título aumentará as chances de sair vencedor do pleito. Caso contrário, os próprios pares do dirigente reconhecem que a situação ficará mais difícil. Embora o mandatário seja escolhido por um colégio eleitoral de apenas oito mil sócios, todos sabem que o futebol pode até não garantir a vitória, mas costuma atrapalhar os planos.

Para o Flamengo, a Copa do Brasil vale bastante. Mas, no momento, os milhões da premiação são menos importantes do que a necessidade de um projeto dar resultado, ainda que no "apagar das luzes" do mandato de Bandeira de Mello.

Com a perspectiva de receber R$ 20 milhões em caso de passagem à final e eventualmente assegurar outros R$ 30 milhões se for campeão.


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