O ano pobre do Flamengo rico

O GLOBO:  Por Martín Fernandez

O Flamengo começou o ano esperando por Reinaldo Rueda, que saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou. Aí entregou o comando do time a Paulo César Carpegiani, contratado poucas semanas antes para ser diretor, não para ficar à beira do campo. Não havia risco de dar certo. A ideia de promover Maurício Barbieri durou uns meses e não resistiu à eliminação da Copa do Brasil. Exemplo acabado do conceito de andar em círculos, o clube vai terminar 2018 com Dorival Júnior, o primeiro técnico da gestão Eduardo Bandeira de Mello.

O futebol do Flamengo nunca teve um rumo, um norte. Barbieri nasceu em 1981, ano em que Carpegiani ganhou a Libertadores e o Mundial como técnico. Dorival, que está no meio do caminho, será o 15º treinador em seis anos, todos escolhidos sem nenhum critério claro.

Diego em Corinthians x Flamengo - Foto: Getty Images
Por outro lado, os erros na montagem do elenco, evidentes a cada derrota, seguiram diretrizes mais ou menos identificáveis. Laterais e zagueiros não enchem aeroportos e não viram hashtags.

As qualidades da gestão de Bandeira de Mello nunca chegaram ao departamento de futebol, que conquistou só um título relevante em seis anos.

Na semana passada, o banco Itaú BBA publicou sua análise anual das finanças dos clubes de futebol do Brasil. E o Flamengo foi aprovado com louvor: “Faturamento elevadíssimo, investimentos e gastos crescendo, mas dentro da possibilidade que foi criada a partir de uma gestão austera. O patrimônio líquido é positivo, a dívida está em queda”, diz a conclusão do estudo. Diria o locutor de apuração de escolas de samba:

“10! Nota 10!"

Recolher impostos e pagar dívidas são tarefas historicamente complexas para clubes de futebol, mas o Flamengo chegou lá. Para quem conseguiu tamanho feito, não deveria ser tão difícil estabelecer um objetivo para o futebol, contratar profissionais capacitados para executar o plano, dar a eles condições de trabalho e então cobrar resultados.

O insano calendário do futebol brasileiro passa a sensação de que Barbieri teve tempo suficiente para montar um time. Falso: o técnico durou 39 jogos, por três competições, empilhados em seis meses.

A cultura de demitir a comissão técnica a cada tropeço tem outra consequência nefasta, a perda de identidade dos profissionais. Quais são as características táticas de um time de Dorival Júnior? Ou de Abel Braga, que era o plano A do Flamengo? Ninguém sabe dizer com precisão. De Dorival só se espera o mesmo que de todos os outros: que faça “algo diferente” do antecessor. Tanto faz o quê.

O novo técnico do Flamengo tem 15 anos de carreira e já trabalhou em quase todos os times grandes do futebol brasileiro — no Rio, só falta o Botafogo, em São Paulo, o Corinthians.

Uma análise superficial de seu currículo mostra um especialista em ganhar estaduais. Dorival já foi campeão gaúcho, paulista, paranaense, cearense, pernambucano e catarinense. Seus melhores momentos — e seu principal título, a Copa do Brasil de 2010 — se deram no Santos, único lugar onde teve tempo para trabalhar, único clube em que durou mais de 100 jogos. Faltam 12 rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro.

A cultura de demitir a comissão técnica a cada tropeço tem outra consequência nefasta, a perda de identidade dos profissionais.

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