O aspecto psicológico no círculo vicioso vivido pelo Flamengo

ESPN: Por Renato Rodrigues

A derrota para o Ceará, diante de mais de 60 mil pessoas no Maracanã, expôs de vez o mau momento que o Flamengo vive na temporada. Depois de um pré-Copa irretocável, a equipe treinada por Maurício Barbieri oscila e mostra poucos picos de desempenho. Posses longas, na maioria das vezes poucas chances cristalinas criadas e uma pressão que só aumenta na Gávea.

Com a ideia de um futebol propositivo e de controle através da posse, o Fla padece para marcar gols. A montagem do elenco, aliás, foi feita com este pensamento de protagonismo dentro das partidas. Mas a verdade é que, no fim das contas, os rubro-negros sofrem dos mesmos problemas de muitas equipes no Brasil que tentam impor este estilo de jogo - com exceção do Grêmio, o modelo mais estabelecido por aqui atualmente e construído ao logo de pelo menos duas temporadas.

Jogadores do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
As derrotas para Atlético-PR e Ceará, por exemplo, nos trazem números intrigantes: 66% e 65% de posse, respectivamente. Por outro lado, no entanto, poucas chances claras criadas e todas elas desperdiçadas. Mas o número frio, neste caso, não nos diz absolutamente nada. A forma como toda essa posse é usada sim nos traz alguns diagnósticos bastante comuns em termos de futebol brasileiro.

No geral falta movimento e intensidade ao Fla em fase ofensiva. Aliás, falta isso a boa parte do futebol jogador por aqui. Mas no caso dos flamenguistas falta também uma porção de confiança para fazer toda uma dinâmica funcionar. O aspecto psicológico, neste sentido, vem batendo forte a cada revés.

Enfrentar equipes fechadas, com muita gente atrás da linha da bola e boas coberturas, não é algo recorrente apenas ao Flamengo. Ao assumir a sua forma de jogo, isso fica ainda mais nítido. E furar esse tipo de situação requer uma posse de bola mais rápida, dinâmica e intensa. E é aí que entra a questão anímica da coisa.

Retém, toca, movimenta... Retém, toca, movimenta... Esta dinâmica, com jogadores mentalmente não tão fortes, é simplesmente quebrada a todo momento. Primeiro que o passe vai vir lento. O domínio vai exigir mais de um ou dois toques. A velocidade de execução não será a ideal. O movimento vai sair atrasado. E por aí vai, como um "loop infinito". Conseguem perceber como todas as ações citadas se interagem e a não excelência em algum ponto deste caminho prejudica todo o funcionamento de uma jogada?

Pois é. A sensação é de um Flamengo que tem dificuldades para cumprir todo esse mecanismo. Em alguns jogos isso fica ainda mais explícito. Outro ponto agravante é ver o tempo passando. Em casa isso se acentua bastante. Um time que por vezes trava, parece hesitar por medo do erro e as reações que acontecem após o mesmo. Com tudo isso, a dificuldade em gerar desequilíbrio e espaços nas defesas do adversário triplicam.

O 1x1 contra o Grêmio, em Porto Alegre, é o ponto alto e a grande antítese de todos estes problemas. Não à toa, foi talvez a melhor atuação do time de Barbieri na temporada. É de fato a referência de desempenho, a conjuntura onde comissão técnica e jogadores precisam mirar. Tudo que se precisa foi feito neste duelo: troca de posição, infiltração, apoios rápidos, posse rápida alternando distância e direção, intensidade nas ações...

E a palavra intensidade é a chave para que tudo isso aconteça. No calendário caótico de agosto, o Flamengo se viu desmantelado neste sentido. Até por certa culpa, já que poderia ter dosado um pouco mais a sequência de alguns atletas, os maiores responsáveis pela qualidade e velocidade do jogo praticado. Sinceramente não sei como foi o planejamento feito, qual foi o diálogo diretoria/comissão e os direcionamentos dados por preparação física e fisiologia, mas era impossível manter um ritmo de jogo satisfatório dentro destas circunstâncias. Até o gramado ruim do Maracanã tem lá seu peso em tudo isso.

Sempre bato muito na tecla que nenhuma equipe fracassa por um ou dois motivos. O futebol é sistêmico demais, mas nossa cultura tem a necessidade de buscar o culpado a cada crise. No caso do Flamengo trata-se de um momento de tirar os diagnósticos de más partidas o mais rápido possível. Esse da confiança é nítido e talvez por isso seja o momento de dar um passo atrás na questão do modelo. Não é abandonar as convicções e tudo que foi construído, mas sim engessar um pouco mais, dar mais consistência e, aos poucos, recuperar o aspecto mental.

Jogar em time grande se exige muito neste sentido e os jogadores precisam responder, o alto nível exige isso. A confiança, em três ou quatro partidas, pode te jogar tanto para o céu quanto para o inferno e, dependendo do estrago, a retomada de desempenho acaba por ser quase impossível de acontecer. Por isso, neste momento, vencer é muito mais importante que desempenhar para os rubro-negros. É hora de estancar a sangria e fortalecer o conjunto.

Os resultados da rodada, por incrível que pareça, deixam o Fla totalmente vivo no Brasileirão. Não vejo um trabalho totalmente mal feito. É possível enxergar as ideias por trás do jogo flamenguista. Por outro lado, já passou da hora de uma resposta e uma mobilização que faça deste conjunto um time confiável. A troca de treinador pode até acontecer, mas só nesta gestão isso acontece mais de 15 vezes. Já está claro que começar do zero não é um bom caminho.

Enfrentar equipes fechadas, com muita gente atrás da linha da bola e boas coberturas, não é algo recorrente apenas ao Flamengo.

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