O Presidente que não sabe de futebol

FORA DA ÁREA: Por Talita Nunes

Eduardo Carvalho Bandeira de Mello, ou somente o Bandeira, como é popularmente conhecido o atual presidente do Clube de Regatas do Flamengo, está em seu segundo triênio de mandato e a poucos meses de despedir-se do cargo no Clube.

Torcedor do Flamengo e frequentador de estádio desde pequeno, formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-chefe do Departamento do Meio Ambiente no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde trabalhou por 35 anos, EBM teve muitos altos e baixos a frente do Clube carioca, aliados contestados por sua torcida e episódios polêmicos em sua trajetória.

"Eu não entendo de futebol", disse Eduardo Bandeira, Presidente do Flamengo - Foto: Reprodução
Sócio proprietário do Flamengo desde 1978 e membro do Conselho de Administração do clube entre 2007 e 2009, Bandeira lançou sua candidatura à presidência do Clube pela “Chapa Azul”, após Wallim Vasconcelos, o então candidato da chapa, ter sua candidatura impugnada em uma reunião do Conselho Administrativo, em novembro de 2012. Lembrando que, em sua campanha de reeleição em 2015, Wallim foi seu principal adversário, quando enfim pôde se candidatar ao cargo de presidente do Clube. O candidato ficou na segunda posição, com uma larga diferença de votos entre ambos.

Quase seis anos se passaram desde que Bandeira tomou à frente do Flamengo e propostas foram concretizadas, dívidas consideravelmente sanadas, reputação internacionalmente  positiva, esportes olímpicos com investimento, entre tantos outros aspectos positivos. Mas e o futebol? O carro-chefe do Clube ainda busca melhorias e respostas dentro de campo, que é o que mais importa para sua grande e numerosa torcida.

O Flamengo não é apenas uma empresa onde você visa lucrar com investimentos de sucesso. É visto por muitos como uma religião, um estilo de vida. Há quem diga que prefere o time da saga dos salários atrasados, do CT com menos luxo e inovações, mas que dentro de campo fazia o que a torcida queria ver e era respeitado por seus rivais. É óbvio que o Flamengo verdadeiramente necessitava desta transformação financeira para recuperar a credibilidade de um dos maiores clubes esportivos do mundo, despertar interesse em grandes atletas de fazerem parte de seus times, tanto de futebol, como de outras modalidades, e claro, adquirir caixa e êxito financeiro para que grandes nomes pudessem ser contratados.

O Clube mergulhava em dívidas, e no ano de 2017 conseguiu o feito de reduzi-las de mais de R$ 750 milhões (2012) para R$ 360 milhões, em apenas cinco anos; e o faturamento que antes era de R$ 250 milhões passou a ser de R$ 600 milhões. A gestão de Eduardo Bandeira de Mello se tornou uma referência financeira para o esporte brasileiro, e recebeu diversos prêmios por transparência e gestão, ganhando destaque até no jornal americano The New York Times.

Venceu prêmios como: Melhor Gestão de Clubes – Prêmio Business FC (2014); Melhor Gestão de Clubes – Prêmio BrSM (2015); Administrador do Ano – Prêmio Estácio (2017); Presidente do Ano – Prêmio Fenaclubes (2017).

Que a gestão de EBM é um sucesso, não temos dúvidas. Em 2012 sua principal promessa de campanha era fazer uma gestão inovadora e arrumar o Flamengo financeiramente para que o futuro pudesse trazer resultados previamente planejados. A então promessa foi cumprida, mas o futuro de resultados planejados ainda é aguardado ansiosamente pela própria diretoria e pela torcida.

À frente do Flamengo, o presidente já coleciona 18 eliminações em competições, em diversas fases de campeonatos nacionais e internacionais, incluindo a final da Copa do Brasil de 2017 e a final da Copa Sul-Americana do mesmo ano. Em 2013, ao conquistar a Copa do Brasil sobre o Atlético Paranaense, em seu primeiro ano de mandato, muitas expectativas foram criadas e esperanças renovadas de que o Flamengo voltaria a ser um grande Clube dentro e fora de campo. O que não ocorreu.

Ano após ano, contratações mal sucedidas de jogadores como Carlos Eduardo, Marcelo Moreno, Val, Wallace, Gabriel, Anderson Pico, Erazo, Elano, Lucas Mugni, Marcelo Cirino, Armero, Bressan, Alex Muralha, Rafael Vaz, Antônio Carlos, Chiquinho e Dario Conca,  entre tantos outros, frustraram expectativas de grandes títulos, especialmente o de Campeão Brasileiro, já que o último foi em 2009, com Adriano Imperador e Petković.

Além de jogadores, alguns técnicos também deixaram a desejar, porém a diretoria, a fim de exercer um trabalho a longo prazo, como é feito comumente em clubes europeus, por exemplo, mantinha a permanência destes, ainda que contra a torcida. Foi o caso de Zé Ricardo, o técnico que era da base, surgiu como um substituto num momento de crise, mas graças a bons resultados no início de seu comando, ganhou a confiança dos membros da diretoria, especialmente do presidente Bandeira. Foi contratado em 2016 e permaneceu até a maior parte de 2017, totalizando 47 vitórias, 25 empates e 17 derrotas.

Tal confiança depositada em excesso sobre jogadores, técnicos, entre outros cargos ligados ao futebol do Flamengo, como por exemplo o de Rodrigo Caetano, que exerceu por aproximadamente quatro anos a função de diretor-executivo de futebol, foi despertando uma certa desaprovação por parte da torcida. De fato, tivemos a oportunidade de entender ao longo desses (quase) seis anos de gestão de Chapa Azul, que a política e a situação financeira do Clube estão a frente de interesses relacionados unica e exclusivamente ao futebol, como títulos de grande importância.

Torcedores mais jovens do Flamengo apenas alimentam-se da história vitoriosa e honrosa do Rubro-Negro, porém esperam por poder viver mais um (ou vários!) capítulos desta história. É comum você ouvir um torcedor do Clube se orgulhar de dizer que faz parte da maior torcida do Brasil e do Mundo; ou que é o único carioca campeão Mundial; ou ainda um dos poucos Clubes que nunca foram rebaixados, ao lado apenas de Chapecoense, Cruzeiro, Santos e São Paulo; ou que é o carioca sempre mais bem colocado na tabela do Brasileirão (mas nunca campeão!).

Até quando? A Nação clama por títulos, tem sede de gritar “É Campeão!”, de ir ao céu, depois de tantos anos no inferno. Afinal, quem é que gosta de iniciar o ano pregando peças nos adversários, sentindo o “cheirinho” de título no ar, mandando seguir o líder isolado, e depois amargando – mais – uma triste eliminação ou uma posição abaixo do 5º colocado na tabela? É frustrante. A torcida não quer mais usar os mesmos argumentos dos últimos 20 anos numa discussão sobre “Quem é o melhor?”, não aguenta mais responder que “O Maraca é nosso” quando os chamam de ‘sem-teto’.

Bandeira de Mello provou o que há anos fez questão de colocar em pratos limpos: Ele não entende de futebol.

Torcedores mais jovens do Flamengo apenas alimentam-se da história vitoriosa e honrosa do Rubro-Negro.

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