Zico vê erros em contratações: "Tem que saber o que é Flamengo"

SPORTV: Em entrevista concedida ao apresentador do Seleção SporTV, André Rizek, Zico falou sobre o atual momento do Flamengo. Para o ídolo Rubro-Negro, o principal motivo da ausência de títulos são as contratações feitas, que não vêm dando certo.

– Eu acho que estão acontecendo erros nas contratações. Hoje em dia você tem todos os números dos jogadores, tempo que jogou, gols, conquistas. Você não pode contratar um cara como salvação. Você tem que contratar em cima de dados concretos. Não pode contratar de acordo com empresário, privilegiar. Você não vai acertar tudo, mas a possibilidade de erro tem que ser reduzida. O Flamengo tem um ataque praticamente todo contratado, mas não está dando resultado. As pessoas analisam que você gastou tanto, ele tem que me dar tanto de resultado, mas futebol não é assim – disse Zico.


Além disso, o ídolo Rubro-Negro destacou outro erro nas contratações. Para ele, falta ao jogador "saber o que é Flamengo".

– O cara quando vêm tem que saber o que é Flamengo, o que a torcida cobra. A torcida não cobra jogada de efeito, cobra briga, guerra. Eu estava vendo quarta-feira passada, ao mesmo tempo, estava passando Atlético-MG e São Paulo e Flamengo e Inter. O time do Flamengo era o único que não estava jogando uma decisão. Toca para lá, toca para cá... e a torcida do Flamengo não aceita isso. Não à toa o Rondinelli virou o Deus da raça. O cara que vem para o Flamengo tem de saber disso. O Cuéllar está aí tendo sucesso por causa da luta dele. As pessoas quando vão contratar alguém tem que pensar se ele se encaixa no perfil do Flamengo – completou Zico.


Leia abaixo mais tópicos da entrevista com Zico

Sobre sua volta ao Japão, para o Kashima Antlers: É um trabalho não muito lá dentro do campo, mas mais uma reformulação geral do clube. O clube cresceu muito, principalmente nas divisões de base. E o japonês gosta de novidade. E alguns outros clubes criaram situações que possam ultrapassar o Kashima, e eles não querem isso. A base do Kashima cresceu demais. O time profissional tem uma boa parte que surgiu da base. Você tem que separar profissional da base. Está meio tumultuado. A sala de musculação já ficou meio obsoleta. Você precisa criar um tipo de clube diferente para a importância do Kashima. A ideia foi justamente essa, a questão fora do campo, de administração. É um time jovem, um time que precisa conhecer um pouco a história do clube. Eles chegaram na final contra o Real Madrid e meio que o “pavãozinho” subiu, aí tem que colocar no lugar.

Futebol japonês: O Japão tem um problema sério, que é o emocional. A psicologia esportiva é o ponto principal no futebol do Japão, e eles encaram isso como se tivessem alguma doença. O japonês está jogando bem, criando e tal, mas se ele leva um gol, cria um desespero que pode perder em dez minutos. Eu sofri isso, não consegui resolver isso. A qualidade técnica deles, profissionalismo, educação, é fantástico. Mas esse emocional ainda não. Parece que dá uma pane, tipo a do 7 a 1, parece que é isso.

Voltar ao Flamengo: Não volto. Não volto porque é um trabalho diferente. As pessoas que estavam no Flamengo na época que eu quis ir para lá, eu só aceitei ir para lá porque era uma ex-atleta que estava na presidência. E eu achava que o ex-atleta pode dar uma contribuição, ainda mais o conhecimento que ela tinha pelo próprio clube. Só que, como você se liga muito na política, a política acaba te envolvendo com pessoas inescrupulosas, pessoas que realmente não tem o que fazer, se agarram naquela situação e começam a jogar coisas no meio da mídia. E se você não tem os resultados adequados, isso acaba virando verdade. Eu não quero entrar para o meu clube, um clube que eu amo, que vivi a vida inteira, que envolvam minha família. Imagina você trabalhando durante 20 anos, dando teu suor, e vem um bobo alegre falar que seu filho está participando de contratação de jogadores. Aí depois, o próprio jornalista, bota isso lá, troca o nome de um filho para o outro, depois recolhe, viu que errou... eu não estou mais para isso. A minha história e da minha família todos sabem. Esse jogo sujo existe no Brasil, então não há a menos condição. Amanhã estarei lá, vou torcer.

Convite para jogar no Corinthians: Foi meio estranho. Foi um campeonato que eu tinha acabado lá no Japão, e teve um campeonato que ele foi no ano seguinte, as finais foram para janeiro, e eu lembro que recebi um telefonema do diretor do Corinthians pedindo para eu jogar só as finais. E eu falei, meu, não dá. Mas fiquei muito agradecido. Corinthians é um time de uma grande história no país, lógico que você receber uma proposta como essa... foi a mesma coisa que aconteceu com o Brunoro, quando o Vanderlei saiu do Palmeiras... ele falou, não vou convidar ninguém antes da sua resposta, sei que vai ser o não, mas quero te chamar para treinar o Palmeiras.

Carreira de técnico: Eu comecei tarde como treinador. Eu tive uma opção de exterior, de ir para lá, devido a tudo que tinha aqui no Brasil, não ter a possibilidade de enfrentar o Flamengo. Mas o que está acontecendo no futebol hoje, e o último caso do Alberto Valentim no Egito, as pessoas que estão no futebol parece que fazem dele um joguinho. Não tem como lidar com essas coisas. Imagina o presidente te dizer o que fazer. Não tem a menor condição, eu vou bater de frente, não vou aceitar. Aconteceu isso na Turquia, o cara da Turquia queria que eu fosse o síndico do CT. Ele chegou ao ponto de proibir os funcionários de jogar uma pelada com a gente. Eu fazia aquele ambiente gostoso, de união, todos satisfeitos, o fisioterapeuta, massagista, todos jogavam. E ele (presidente) começou a ficar com ciúme disso, proibiu o intérprete jogar. Isso que é triste no futebol. Os caras gastam uma grana imensa e depois ficam lá de cima achando que eles têm que escalar.

Cadê os gols de falta?: Porque as pessoas acham que não precisa treinar. Tem o dom, Deus te dá o dom. Mas você tem que aperfeiçoar. Às vezes o cara bate lá e não sabe nem o motivo. Quando você mais treina, mais resultado positivo aparece. Existe uma coisa chamada memória do chute. No momento que você bate uma bola no treinamento, você grava aquela bola que pegou bem, você tenta repetir o movimento, isso faz com que você ganhe confiança. Isso quem me ensinou o Franck Alasse falando de memória muscular. Você fez um trabalho muscular, então toda vez que você deixar de fazer, ela vai murchar. Graças a Deus eu tenho boa memória, Deus me deu um dom, usei muito isso. Eu sei da forma que vou bater, eu me posiciono e a bola vai lá certinho.

O que é jogar bola para você?: É brincar, até hoje. Dois brinquedos que eu sempre adorei, jogo de botão e uma bola. Para mim era isso. Não dá para largar essa brincadeira.

Vinicius Júnior: A gente vê que o moleque tem talento. E o Flamengo tem tido uma boa safra. Vinícius Júnior fez sucesso na copa que eu faço, o Lincoln teve. Então a gente fica feliz quando vê um moleque desse da base. Acho que o Flamengo desperdiçou algumas gerações. O Lincoln, por exemplo, não deveria ser a salvação do Flamengo como centroavante, ele poderia estar sendo usado na base ainda. Uma hora você puxa ele, bota. Eu acredito que o trabalho da base está sendo bom, tem dado resultados. Na parte de trás, com os goleiros, também. Às vezes é lançado mais cedo, comete um erro, e acha que pode atrapalhar a carreira do moleque. Eu vejo um garoto que teve um sucesso na Copa São Paulo, o Ronaldo, e não está sendo aproveitado. Tem o Matheus Sávio, ele entra, faz um golaço, e de repente está fora de tudo. São situações estranhas que só pode falar quem está aí.

Copa do Mundo e Neymar: Bem abaixo do que a gente esperava, por tudo o que vinha sendo feito nas eliminatórias. Óbvio que o Neymar não preocupou somente em jogar de futebol, outras coisas levaram ele a tomar outras atitudes. Eu que sou fã dele, me decepcionei um pouco. Ele tinha condições de ser absolvido de qualquer coisa, um cara que sofreu como ele, vinha de uma cirurgia, o que ele fizesse ali... mas ele não soube usufruir disso. Aí ele deixou muito a desejar. Mas o grande problema da Seleção foi a saída do Renato Augusto, a saída dele modificou tudo. O Coutinho é um jogador de muita qualidade técnica e tinha ganho a posição lá na direita, e o Renato pela esquerda. Ele dá muita segurança. É um cara que tem uma liderança perante aos jogadores. Quando o Coutinho entrou no lado do Renato, o time ficou meio que sem aquela força de meio-campo, e o Paulinho teve que sair da característica dele de ataque e jogar do lado do Casemiro. Ao meu ver, o Tite não conseguiu com o plano B dele, de trazer o Coutinho. O equilíbrio se perdeu com a ausência do Renato Augusto.

Além disso, o ídolo Rubro-Negro destacou outro erro nas contratações. Para ele, falta ao jogador "saber o que é Flamengo".

Postar um comentário

[facebook]

FlamengoResenha

{facebook#https://www.facebook.com/FlamengoSouRubroNegro} {twitter#https://twitter.com/FlamengoResenha} {google-plus#https://plus.google.com/u/0/107993712547525207446} {youtube#https://www.youtube.com/channel/UCiHkjDj2ljgIbiv_zUvdG6g/videos}

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget