Barbieri fala sobre legado no Flamengo e futuro como treinador

LANCE: Um brigadeiro, um aperto de mão e um "uma cortesia para você. Muito obrigado por tudo". O "doce" gesto tirou um sorriso do rosto de Maurício Barbieri, que, 10 dias depois de deixar o comando do Flamengo, atendeu o LANCE! em um café na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, e pôde receber o carinho da torcida rubro-negra.

Após o adeus ao clube da Gávea, o treinador tem tido uma rotina mais próxima à família, mas garante que já está com caneta e prancheta na mão, observando o que está acontecendo no futebol.

Foto: Divulgação
- Neste primeiro momento, foi, realmente, ficar em casa, aproveitar um pouco com os filhos. Quem tem filho sabe que é uma fase que passa muito rápido. Tenho um de oito meses, então, em um (mês) ele está engatinhando em outro já está andando. É muito bacana estar acompanhando essa evolução e desenvolvimento. É uma coisa que não estava tendo tempo pelo calendário, pela dedicação. Estava quase que 24 horas de dedicação exclusiva ao Flamengo. Neste primeiro momento, é sentar, fazer o dever de casa, cobrar se fez bem ou não. Mas já acompanhando os jogos, ver o que os outros treinadores estão fazendo, o que as equipes estão apresentando para estar crescendo, aprendendo e se aprimorando - disse.

Barbieri falou ainda sobre a transição para assumir o time após a saída de Paulo César Carpegiani (no fim de março), Vitinho, futuro, calendário do futebol brasileiro, e até mesmo sobre o momento político pelo qual o Brasil passa.

Como foi aquele momento após a saída do Carpegiani até ser efetivado?

Eu tinha chegado como auxiliar fixo, então, já vinha acompanhando o trabalho do Paulo (Cesar Carpegiani). Quando aconteceu aquela ruptura, acabou saindo muita gente. Eu permaneci. A princípio, o que tinham me passado, era que eu ia dirigir o time enquanto se buscava alternativas. Eu já era treinador antes de vir para o Flamengo, então, não era novidade o trabalho de treinador. E eu já conhecia o grupo. Foi uma coisa meio que natural. Sentei, busquei avaliar quais os pontos que podíamos melhorar, quais os pontos positivos que podíamos potencializar. O trabalho foi neste sentido. Sem expectativa de, em um primeiro momento, efetivação ou não. Para dar sequência no trabalho e ver como a equipe respondia. Os resultados foram acontecendo até que chegou o momento de ser efetivado.

Houve alguma conversa com ele?

Teve uma conversa de despedida. Nada do que iria acontecer para frente, nada sobre essa função de interino. Até porque a conversa foi recente, logo após a saída dele. Ninguém tinha muita clareza do que ia acontecer nas próximas rodadas. Foi um bate-papo de agradecimento mútuo. Acho que ficou uma relação muito boa. Tanto que, quando nos enfrentamos, no jogo contra o Vitória, no Maracanã, nos cumprimentamos. Mais uma vez, agradeci a ele. Ficou uma amizade que vai além do trabalho no clube.

Você já era técnico quando chegou ao Flamengo, mas como foi essa oportunidade?

A diferença está, especialmente, na proporção que as coisas acontecem. O número de profissionais envolvidos no dia a dia do Flamengo é maior que em clubes menores. Tem de lidar com mais gente. É um trabalho super qualificado, trabalham super bem. Pude aprender muito. Já existia um trabalho de fisiologia, de medicina esportiva, encabeçado pelo doutor (Marcio) Tannure, que é muito bem feito. Houve um casamento grande entre a minha metodologia de trabalho com o que já vinha sendo feito. O assédio da imprensa é muito maior, dos torcedores também. Foi um grande aprendizado. Fui aprendendo durante o caminho. Acho que consegui cumprir uma relação saudável com todos, com imprensa, torcedores. Inclusive, quando eu saí, a maior parte dos comentários que recebi foi de incentivo, de apoio, de achar que estava no caminho certo. Lógico que a torcida fica chateada com a eliminação, eu também. O primeiro a ficar, assim como os jogadores, mas acho que se criou uma relação positiva.

Acredita que já se posicione como um técnico de Série A?

Essa resposta quem vai dar de forma definitiva vai ser muito mais o mercado do que eu, mas acho que o trabalho que foi desenvolvido e os números todos que estavam aí, gabaritam para tentar desenvolver trabalhos nesse nível.

Você é um técnico da nova geração e mais acadêmico. Há algum preconceito por isso?

Acho que não. Nunca tive problema com isso. Acho que o que foi mais questionado ao longo da minha carreira foi a questão da idade, que até hoje sou tido como muito jovem. Essa carreira como treinador já tem alguns anos, então, eu era mais novo ainda, né? (risos). Temos vários exemplos de treinadores de sucesso que não foram jogadores. Posso citar Parreira, Autuori, Oswaldo de Oliveira... Quer dizer, tem uma gama de profissionais de muito sucesso que não trilharam esse caminho de ser jogador e depois treinador. Então, acho que isso não é um problema. Os treinadores da nova geração têm de provar um pouco mais que aqueles que já provaram. Talvez, exista um pouco menos de paciência com esses treinadores novos. Talvez, a imprensa, de uma maneira geral, boa parte da torcida... Como não entregaram resultados antes, porque estão chegando agora, não se tenha tanta paciência.

E quanto ao reconhecimento da torcida do Flamengo?

A maior parte do que tenho recebido, é incentivo, é apoio, é agradecimento. Inclusive, no dia da votação (domingo), fui com a minha esposa e as pessoas na rua também me agradeceram. Fico feliz. É uma satisfação pessoal. Gostaria, era o meu desejo, de poder ter entregue mais, feito mais, mas o fato de não ter conseguido não quer dizer que o trabalho não tenha sido bom, satisfatório, que não tenha deixado sementes para coisas que virão, dentre elas, essa reta final. Acho que se hoje o Flamengo tem condição de disputar o título, é porque fizemos um bom trabalho anteriormente. Até pegando o gancho nisso, muito se tem discutido a questão entre priorizar ou não. Provavelmente, se o Flamengo não tivesse priorizado o Brasileiro ou não priorizado nenhuma outra, não teria condição de disputar o título. Temos o exemplo do Cruzeiro. Mano é um grande treinador, que faz um excelente trabalho, mas o fato de ter feito escolhas anteriormente faz com que, hoje, não tenha chances de brigar pelo título do Brasileiro. Se não for campeão da Copa do Brasil, e tem condições para ser campeão, vai acabar o ano sem nada. Como disse anteriormente, não é se existe certo ou errado. Cada um faz as escolhas dentro do contexto que está vivendo, dentro daquilo que entende que é opção do clube.

Vitinho foi a maior contratação, em termos de valor, da história do Flamengo, mas, neste início, não rendeu o esperado. Como foi administrar isso? Houve algum pedido para que ele jogasse?

Essa é uma discussão que tem de ser mais aprofundada. Até começando pelo final, em nenhum momento existiu isso de pedido para ele jogar. Fizemos a opção por ele entendendo que tinha condições de render e entregar dentro de campo. E quando entendi que não tinha condições, pelo momento, não por capacidade, que a gente sabe que ele tem uma capacidade muito grande, fiz a opção por começar de fora, ou sair no decorrer do jogo ou entrar no decorrer do jogo. Muito se fala desta questão do valor que envolveu, contratação mais cara, mas lembro que o Everton Ribeiro, até então, era a contratação mais cara e, quando eu cheguei ao clube, era tido como alguém que não tinha dado certo. Levou um tempo para ele se adaptar e ele vem fazendo um ano próximo do que se espera dele, à altura do que se espera. Acho que, com o Vitinho, é inevitável que aconteça isso também. É um jogador de qualidade, de potencial. Acho que as pessoas atrelaram o valor ao rendimento imediato dele, mas não podemos perder de vista que o valor está atrelado ao que ele vai entregar no futuro e até uma possibilidade de revenda dele, onde o Flamengo vai recuperar esse valor. Não é porque o Flamengo pagou 10 milhões (de euros, cerca de R$ 44 milhões) que ele vai chegar e fazer um gol toda semana. A relação não é direta. Lógico que eu esperava que ele chegasse rendendo em um patamar acima. Ele também esperava. Acho que essa expectativa toda que se gerou fez mal a ele neste sentido. Jogou um peso que acabou sendo prejudicial nesta reta final, mas acredito que ainda vá dar muitas alegrias pela capacidade, talento e profissional que é.

Você, no Flamengo, teve um estilo de jogo de posse de bola. Pretende fazer isso em um trabalho futuro ou acredita que isso vai depender de uma avaliação?

A minha ideia de jogo tem sempre de se adequar ao que é o clube, o que são os jogadores... Ao momento do clube também. Mas, sem dúvida, em todos os trabalhos que fiz até o momento, sempre prevaleceu uma diretriz de praticar um futebol mais ofensivo, de posse de bola, que é a maneira como entendo o jogo. Trabalhar a bola, procurar o espaço, procurar agredir o adversário. Muitas vezes se falou que a posse do Flamengo não era uma posse produtiva. Discordo. Em quase todos os jogos, finalizamos mais que o adversário. É claro que tinha coisas a ajustar e reconheço isso. Poderíamos criar situações mais claras, ser mais efetivo em algumas situações, enfim, tinha uma série de ajustes que acabei não conseguindo até em função do pouco tempo para trabalhar. De abril a outubro, são seis meses como treinador, treinei seis semanas. Não fiz as contas, mas acredito que o Dorival vai ter mais que isso nesta reta final. Mas, voltando, tenho uma ideia de jogo que é de tentar controlar o jogo, procurar os espaços, mas seria arrogância da minha parte dizer que vou tentar implementar isso em toda e qualquer circunstância. Acho que tenho de fazer uma análise do elenco, dos jogadores, da filosofia do clube. Essa minha maneira como quero como minhas equipes atuem veio a casar muito com o Flamengo. Flamengo prega isso, futebol ofensivo, de não aceitar que faça um jogo reativo, torcida pede que vá para cima. Acho que as coisas casaram, só os resultados não aconteceram como imaginado.

Tem algum técnico como inspiração?

Tenho vários. Não seria capaz de dizer um só, mas acho que todos os grandes treinadores, tanto do Brasil como de fora. Tenho uma admiração grande, no Brasil, pelo que foi o Telê Santana, Parreira, (Paulo) Autuori, Abel Braga. Lá fora, Sacchi, Guardiola, pelo Mourinho também em muitas coisas. Acho que tem de saber observar o que cada um agrega e tentar tirar o que tem de bom.

O telefone já tocou?

Com oferta, não (risos). Acho que é cedo. (A temporada) Está em uma reta final. Não acho que vão acontecer grandes mudanças e mesmo que haja mudanças, agora é pensar bem sobre o próximo passo. Acho que o Flamengo conseguiu me dar a oportunidade de mostrar o trabalho em uma outra proporção. Mais gente conheceu o trabalho. Então, acho que tem de ter cabeça no lugar para escolher bem o próximo passo, um lugar onde eu possa, mais uma vez, mostrar meu trabalho.

Em outras oportunidades, você comentou sobre o fato de ser ano de eleição no Flamengo. Como fazia para blindar o elenco?

No dia a dia, com os jogadores, esse era um assunto que a gente não entrava, não se discutia isso em nenhum momento. Nosso foco era dentro de campo, em entregar o melhor, tentar fazer o trabalho para que as coisas dessem certo no jogo. Quando me referi sobre isso, era que a coisa acabava tornando o ambiente mais pesado por uma cobrança de resultado, que as pessoas atrelaram o resultado de campo ao resultado da eleição. Isso acabou, de uma maneira ou de outra, fazendo com que o ambiente ficasse mais tenso. Mas a pressão por resultado no Flamengo existe independentemente de ano de eleição ou não. É um clube gigante, um dos maiores do Brasil. Então, quem trabalha ali sabe que tem de entregar resultado sempre. Mas acho que, de alguma maneira, o fato de ser eleição e essa correlação do resultado do campo com o da eleição, acabou trazendo um peso maior do que o que normalmente haveria. Mas a gente não debatia ou discutia sobre isso.

Se pudesse escolher um jogo dessa passagem pelo Flamengo, qual seria?

Difícil dizer. Acho que fizemos grandes jogos em que, de repente, não conseguimos a vitória. E aí, eu acho que contra o Grêmio lá (quartas de final da Copa do Brasil), fizemos um jogo muito bom sem conseguir a vitória. Acho que, no primeiro turno, fizemos jogos muito bons contra o Inter, contra o Corinthians. Difícil escolher um jogo. Acho que, no geral, o trabalho em si foi bem desenvolvido. Conseguimos colocar pontos importantes que, às vezes, passam despercebidos por um olhar menos atento. Outro dia mesmo saiu uma reportagem dizendo que o Flamengo era a única equipe que não tinha sofrido gol de contra-ataque. Isso é fruto de reagirmos muito rápido quando perdíamos a bola no campo de ataque. Foi uma marca muito forte que tivemos contra os adversários. Inclusive, no jogo contra o Corinthians, aqui no Maracanã (semifinal da Copa do Brasil), em que se falou da postura defensiva do Corinthians, mas, em minha opinião, não deixamos o Corinthians jogar. Acabou que não conseguimos fazer o gol e pagamos o preço no segundo jogo. Houve pontos importantes que conseguimos desenvolver e que vou levar.

Muitos jogadores da base tiveram oportunidade sob o seu comando...

Eu vim da base. Passei em todas as categorias, do Sub-14 ao profissional. Tenho essa relação forte com a base. O Flamengo tem uma relação muito boa, jogadores que já vinham fazendo essa transição. Acho que, de alguma maneira, a diferença de idade (dele com os jogadores), por ser menor, facilita a comunicação no dia a dia, mas não quer dizer que seja determinante. Acho que o aproveitamento desses jogadores é muito mais pela qualidade que eles têm, empenho, determinação. Demonstraram nos treinamentos e nos jogos que tinham condição de jogar, que mereciam oportunidade. Teve o Léo Duarte, teve a mudança de posicionamento do Paquetá... O Vinicius (Júnior) era um cara que entrava quando cheguei e depois passou a jogar. As pessoas questionavam muito se ele deveria entrar e não começar jogando e, depois um tempo, entrava jogando e rendia bem. O Jean Lucas teve oportunidade, o Thuler teve oportunidade, Matheus Savio. Foram vários jogadores. Como disse, por ter uma geração muito boa e elenco bom, que deu tranquilidade e respaldo para que eles pudessem entrar e render bem. Fico satisfeito. É o tipo de coisa que as pessoas tendem a não avaliar ou ignorar quando o trabalho é interrompido. Poder usar esses jogadores e dar bagagem a eles faz com que o Flamengo tenha jogadores para o futuro e é um legado que vai ficar do trabalho.

A saída de Vinicius Júnior mexeu muito com o time no período após a Copa?

Vinicius fez falta como faria em qualquer time do Brasil, pela qualidade e potencial que tem. Não à toa ele foi para o Real Madrid (ESP), não foi para qualquer equipe. Não à toa, ele foi pelo valor que foi. Acho que, sem dúvida nenhuma, fez falta. Mas não só ele. As pessoas falam muito da saída dele, mas do início do trabalho para cá, saíram Vinícius Júnior, Guerrero, Ederson, que por mais que não estivesse sendo aproveitado, era um jogador de bagagem, Jonas, Everton, que é destaque no São Paulo. Então, foi uma série de jogadores que acabaram saindo que fez com que a gente tivesse que se adequar e buscar soluções. Teve um peso? Teve, mas tiveram jogos importantes que fizemos em um bom nível e sem a presença deles. Acho que conseguimos, de alguma maneira, buscar soluções com a ausência desses jogadores. O que não conseguimos, neste pós-Copa, foi uma constância para encaixar uma sequência de resultados. Fazíamos bons jogos e, depois, alternávamos com jogos que não conseguíamos resultados. E essa alternância foi o que marcou o pós-Copa. Não acho que tivemos um resultado ruim. A palavra não é essa. Não conseguimos ter uma constância, uma sequência. Especialmente no Brasileiro, aquele que ganha três, quatro jogos, vai lá para cima. Talvez, se tivéssemos conseguido essa sequência, teríamos recuperado a liderança e aberto um número bom de pontos. Ao mesmo tempo, não deixamos os líderes distanciarem muito e ainda estávamos na briga. Meu desejo é que o clube possa, nesta reta final, brigar pelo título. Estou torcendo para isso. Que o Dorival consiga encaixar as coisas e pegar esse título.

Você fez críticas ao calendário do futebol brasileiro. Enxerga alguma solução em curto prazo?

É difícil apontar uma solução definitiva. Esse assunto tem de ser tratado com a seriedade e profundidade que merece. Mas existem algumas soluções. Algumas delas passam em readequar o Estadual. Não sei, talvez, os grandes entrarem só na reta final. De repente, a Copa do Brasil ser jogo único, como são muitas copas lá fora. Já diminui o calendário. Acho que a discussão que passa a existir em cima do priorizar ou não, deveria ser um cima do calendário. O calendário é prejudicial. Como pode ter uma equipe no Brasil que, de repente, em algum momento, torce para não ter jogador convocado porque vai fazer falta em uma decisão. E aí, gera toda essa polêmica de Data Fifa. Brasil precisa, urgentemente, sentar e adequar o calendário. Enfim, buscar soluções em conjunto entre CBF (Confederação Brasileira de Futebol), clubes, jogadores, treinadores, todo mundo. Assim, quem vai ganhar é o espetáculo. Do jeito que está hoje, está todo mundo perdendo. Os jogadores têm de assumir uma carga de jogos desumana, os treinadores não têm tempo para trabalhar, a qualidade do espetáculo cai, e aí boa parte das pessoas questiona a qualidade do futebol brasileiro, mas não vê o quanto isso está atrelado ao calendário.

Falta uma participação maior de técnico e jogadores?

Acho que falta representatividade dos treinadores na CBF, falta representatividade dos jogadores na CBF. Acho que essas duas classes precisam estar representadas para abrir espaço para discussão, dar opinião. Sem dúvida, deveria ter espaço para que todo mundo pudesse opinar e pudéssemos chegar em um consenso. Seria bom para todos.

Falta posicionamento de outros profissionais?

Não posso dizer. Vejo alguns profissionais se posicionando. Acho que falta representatividade. De repente, se tivesse um representante dos treinadores e dos jogadores com cargo na CBF. Com essas duas parcelas, acho que a coisa caminharia melhor e seria mais fácil.

Neste ano, não teve a Primeira Liga...

Eu tinha acabado de chegar ao Flamengo naquele momento. Não participei de qualquer decisão quanto a isso. Mas acho que, de alguma maneira, por ser ano de Copa e o calendário ser mais espremido ainda, contribuiu para ter um respiro um pouco maior. É uma discussão que precisa ser melhor aprofundada e levada a sério. De alguma maneira, alguns clubes têm buscado maior representatividade e poder de opinião dentro da confederação e acho que isso é importante. Não estou contra a CBF e nem me coloco contra, em momento algum, pelo contrário. Mas acho que tem de ter discussões que precisam ser mais profundas e mais sérias. E não serem tomadas decisões de forma arbitrária. Várias coisas devem ser levadas em consideração. Quando faz a opção por fazer com que uma equipe jogue partidas em sequência no número mínimo de horas, está prejudicando o desempenho dessa equipe. E, às vezes, está enfrentando um time que teve 24 horas ou mais a mais (de descanso). Isso faz a diferença em um campeonato de 38 rodadas, em um mata-mata. Por isso que, algumas equipes, fazem essa escolha de poupar. A própria confederação está jogando contra a competição dela. Deveria fazer com que os clubes sempre colocassem o melhor em campo. Até para valorizar a competição dela. São discussões que precisam ser feitas de maneira mais profundas.

Além do calendário...

Tema que acho que tem de ser melhor discutido, não sei se já está batido, mas não falei muito, é essa questão do imediatismo. As pessoas, de uma maneira geral, querem tudo de forma imediata. Resultado imediato, tem a ver com a chegada do Vitinho, que tem de render de imediato. Tem a ver com a chegada de treinador, que tem de dar resultado de imediato. Acho que isso tem a ver, em um contexto mais amplo, social também. O tempo inteiro, vou até extrapolar aqui e levar isso para uma eleição, as pessoas estão buscando um salvador da pátria e não alguém que vai fazer um trabalho, uma coisa duradoura. Tanto no ambiente macro como no futebol também. É isso. Pelo menos, acredito nisso. Todo bom trabalho, requer tempo, determinação, acertar, ter altos e baixos. Construir uma coisa duradoura requer dedicação e tempo para desenvolver. E acho que isso tem se perdido. Pela postura dos dirigentes, por uma parcela da imprensa que acaba comprando isso. Ao mesmo tempo que criticam quando se troca, fomentam a troca. Esse é um ponto que acho que deveria se debater.


Após o adeus ao clube da Gávea, o treinador tem tido uma rotina mais próxima à família, mas garante que já está com caneta e prancheta na mão.


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