Dança das cadeiras sem fim no Flamengo

GOAL: Por Bruno Guedes

Desde que esta coluna estreou na  Goal.com , sempre questionamos até onde os técnicos foram responsáveis pelos maus resultados do Flamengo. Na maioria das vezes, eles eram vítimas de erros da diretoria. Primeiro na falta de critérios para escolhê-los. Segundo pela ausência de convicção e demissões constantes. A mais nova, do técnico Maurício Barbieri, expôs a falência do futebol do Rubro-Negro.

Nenhum treinador durante a gestão Bandeira de Mello começou e terminou uma temporada completa. A última vez que isso ocorreu foi em 2011, com Vanderlei Luxemburgo, ainda com a então presidente Patrícia Amorim. Desde que assumiu foram 14 trocas em seis anos, média de cinco meses e 10 dias. A diretoria que prometia "fazer diferente", na parte esportiva apenas deu continuidade ao caos gerencial do futebol.

Foto: Divulgação
Desde 2001 o Flamengo trocou 42 vezes de treinadores, o clube que mais alterações fez neste século no Brasil. Ao todo foram 26 técnicos diferentes, sendo que muitos treinaram a equipe mais de uma vez. Na atual gestão tiveram quatro interinos, sendo três deles efetivados (Veja os dados abaixo). O único que não seguiu foi o ex-atacante Deivid, com uma vitória e um empate, em 2015.

A troca se prova tão inútil quanto a famosa fuga em busca por medalhões para serem escudos. Os únicos títulos conquistados pelo atual mandatário foi justamente com os chamados "iniciantes", Copa do Brasil 2013 e Campeonato Carioca 2014 com Jayme de Almeida e Campeonato Carioca 2017 com Zé Ricardo. Dorival não tem esse perfil, mas é experiente.

É um mal do Brasil. Falta convicção. Agora Dorival é o técnico. Sorte dele que faltam apenas três meses para acabar a temporada, quem sabe assim sobrevive ao cargo de "treinadores interinos de cinco meses e 10 dias".

Técnicos na Gestão Bandeira de Mello por temporada (ano em que o profissional assumiu):

2012/2013
Dorival Júnior: 37 jogos, 15 vitórias, 12 empates e 10 derrotas. Aproveitamento 73,3%

2013
Jorginho: 14 jogos, 7 vitórias, 4 empates e 3 derrotas. 59,5%
Mano Menezes: 22 jogos, 9 vitórias, 6 empates e 7 derrotas. 50%
Jayme de Almeida: 49 jogos, 27 vitórias, 12 empates e 10 derrotas.  62,7%

2014
Ney Franco: 7 jogos, 0 vitória, 3 empates e 4 derrotas. 14,2%
Luxemburgo: 59 jogos, 34 vitórias, 14 empates e 11 derrotas. 63,8%

2015
Deivid: 2 jogos, 1 vitória e 1 empate. 66%
Cristovão: 18 jogos, 8 vitórias, 1 empate e 9 derrotas. 46,2%
Oswaldo de Oliveira: 19 jogos, 8 vitórias, 3 empates e 7 derrotas. 55%

2016
Muricy Ramalho: 26 jogos, 13 vitórias, 6 empates e 7 derrotas.  7,6%
Zé Ricardo: 89 jogos, 47 vitórias, 25 empates e 17 derrotas. 62,1%

2017
Reinaldo Rueda: 31 jogos, 13 vitórias, 10 empates e 8 derrotas. 52.6%

2018
Carpegiani: 17 jogos, 11 vitórias, 3 empates e 3 derrotas. 70,5%
Barbieri: 39 jogos, 19 vitórias, 11 empates e 9 derrotas. 58.8%

A diretoria que prometia "fazer diferente", na parte esportiva apenas deu continuidade ao caos gerencial do futebol.

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