É impossível não voltar a sonhar

ESPN FC: Por João Luis Jr.

Quando o Flamengo foi eliminado na semifinal da Copa do Brasil, em uma frustrante derrota contra o Corinthians, a sensação era de que a equipe havia abandonado a temporada, jogado a toalha. Quando, depois dessa eliminação, a diretoria decidiu demitir Barbieri e contratar Dorival Junior, técnico que estava muito longe de ser o sonho de consumo de qualquer torcedor, a sensação foi de que além de jogar a toalha haviam decidido incinerar, só pra garantir. Quando Dorival, em sua estreia, contra o Bahia, comandou o rubro-negro num bisonho 0x0, a convicção geral foi de que a toalha, além de jogada e incinerada, havia tido as suas cinzas espalhadas por cima do CT, onde caíram todas nos olhos da equipe titular, que por isso não acertava um passe, chutava sem rumo, cruzava sem direção.

Imagine então a surpresa do torcedor quando, após a segura vitória da última semana contra o Corinthians, o Flamengo novamente venceu uma partida por 3x0, dessa vez um clássico, contra o Fluminense. Mas não foi só isso. O Flamengo não apenas venceu duas partidas seguidas, não apenas as duas por 3x0, não apenas sendo a segunda um clássico. O Flamengo novamente venceu de forma confiante, tranquila, sem margens para contestação. O Flamengo começou na frente, o Flamengo impôs seu ritmo, o Flamengo usou a vantagem para pressionar o adversário e não para recuar, o Flamengo foi superior e traduziu essa superioridade técnica em superioridade no placar, sem matar ninguém do coração, sem dar gols pro adversário, sem transformar uma vitória tranquila num empate complicado ou numa derrota irritante.

Vitinho e jogadores do Flamengo - Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images
Mas calma, não foi só isso. O Flamengo venceu mais uma vez com passes de Vitinho, que ganhou quase todas as jogadas pelo seu lado e vem se mostrando um especialista em cruzamentos, além de contar com dois de Uribe, o centroavante matador que até agora havia matado apenas nossos sonhos, expectativas, anseios, projetos de vida. Éverton Ribeiro mais uma vez transpirou não suor e sim técnica, William Arão segue firme como elemento surpresa (nem sempre uma surpresa boa, ok) e até mesmo Léo Duarte deixou seu gol, reforçando a noção de que a zaga para 2019 é provavelmente ele mais um.

E bem, nessas horas, por mais cedo que seja para falar em título brasileiro, é impossível não voltar a sonhar. Porque o caminho é cheio de confrontos diretos - ainda enfrentamos Palmeiras, São Paulo, Grêmio. Porque pegamos alguns times que estão na parte de baixo da tabela ou que não tem mais grandes sonhos - Paraná, Sport, Santos. E porque, bem, a vocação do Flamenguista é acreditar.

Os problemas do Flamengo estão resolvidos? Claro que não. Quando Éverton Ribeiro quer tabelar a pessoa que ele encontra ainda é Pará, braço erguido, chamando a responsabilidade? Claro que sim. Mas sabe aquela toalha que estava jogada? Já vale levantar, se ninguém estiver olhando você pega, coloca ali por perto. O Flamengo ainda não ganhou nada, não sabemos se vai ganhar, mas nos dois últimos jogos ele mostrou uma coisa que não vinha mostrando, que é vontade. E isso não é pouca coisa não.

E bem, nessas horas, por mais cedo que seja para falar em título brasileiro, é impossível não voltar a sonhar.


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