Faixa "Brasileiro é obrigação" foi queimada após título de 2009

GLOBO ESPORTE: Ela estava lá. Menor, mais “comportada”, mas o recado é o mesmo de 10 anos atrás. A torcida do Flamengo clama por respeito, comprometimento e exige mais uma vez por escrito: “O Brasileiro é obrigação”. Uma das marcas do título de Adriano, Petkovic e companhia, a faixa que repete a mensagem da conquista de 2009 reestreou no Maracanã na vitória sobre o Atlético-MG, dia 23 de setembro.

A quatro pontos dos líderes do Brasileiro, Palmeiras e Internacional, eliminado da Copa do Brasil e da Libertadores, o recado das arquibancadas tem gosto retrô. A nova faixa é bem menor que a original e já havia pintado brevemente no ano passado na finada Ilha do Urubu, no estádio da Portuguesa - contra o São Paulo (vitória por 2 a 0 em julho do ano passado). A que foi aberta no Maracanã contra o Galo tem 10 metros de comprimento – quatro vezes menor que a antiga, proporcional a um Maracanã que não existe mais, com outro formato de arquibancada.

Foto: Divulgação
Aquela original surgiu num dia de tragédia futebolística na história do Flamengo: 7 de maio de 2008, data da derrota para o América do México, 3 a 0 com a marca de um gordinho que ficaria para sempre conhecido no futebol brasileiro: Salvador Cabañas.

O professor de geografia Vitor Pimenta, de 39 anos, da torcida “Urubuzada”, responsável pela confecção das duas faixas, lembra a história:

- Fomos campeões estaduais no domingo (contra o Botafogo) e o Brasileiro começaria no domingo seguinte. No meio disso teve o América. Ficou todo mundo revoltado (com a derrota) e nos reunimos para decidir que protesto e ação poderíamos fazer. Já existia a música “não é mole, não / o Brasileiro agora é obrigação” e decidimos fazer a faixa – lembra Vitinho, como é conhecido.

Com portões fechados contra o Santos, a estreia da faixa foi diante do Internacional (na terceira rodada, 2 a 1, dia 24 de maio). O compromisso dos torcedores – que entregaram carta para explicar ao elenco o motivo da faixa (leia íntegra mais abaixo) – era deixar a faixa durante toda a partida e só retirá-la no dia que o Flamengo fosse campeão brasileiro novamente. O último brasileiro havia sido conquistado em 1992.

Com a taça na mão, faixa virou cinzas

À época, houve reclamação da diretoria do Rubro-Negro e reunião com os jogadores, mas a faixa continuou lá até a conquista de 2009.

- Não íamos tirar a faixa. O Flamengo até foi líder do Brasileiro no início, mesmo assim a faixa permaneceu. Na época, o pessoal da diretoria entrou em contato, falaram que estava incomodando os jogadores. Mas deixamos a faixa. Em 2009 que passamos a colocar só durante o aquecimento e depois recolhíamos – lembra Vitinho.

O gol de Ronaldo Angelim contra o Grêmio (2 a 1) fez o Maracanã explodir e selou o destino da faixa. Saiu a mensagem de cobrança e entrou a da conquista do título no peito.

- Tínhamos essa promessa de queimar a faixa. Logo que saímos do Maracanã a queimamos na nossa sede ali na rua Haddock Lobo – lembra o torcedor, que não tem foto da "queimada".

Estudante de odontologia na UFRJ, George Sotero, de 22 anos, participou da nova versão que voltou ao Maracanã depois de tanto tempo. Se Cabañas e um longo jejum foram as motivações em 2008, agora é um novo momento do Flamengo, estruturado e com poderio financeiro, mas carente de títulos, o que causa irritação e alto volume de cobranças.

- A gente falou: “precisamos fazer algo para sentirem que precisamos de um título de expressão”. Desde 2013 não ganha. Está sempre batendo na trave. A ideia é que os jogadores vejam e se sintam mais motivados, uma pressão boa – explica George.

No ano passado, além da faixa “O Brasileiro é obrigação”, havia ainda outra da mesma torcida que pedia preços mais baixos na Ilha do Urubu. Mas, após a estreia contra o São Paulo, as faixas foram vetadas de entrar no estádio.

Este ano, a permanência da faixa foi garantida diretamente pelo promotor Rodrigo Terra. Isto por que a “Urubuzada” ficou suspensa por dois meses do estádio pela participação de um integrante num dos protestos no Galeão contra o time.

- O Rodrigo Terra disse que se fosse vetada poderíamos entrar em contato com ele. No ofício que fizemos ao Gepe para levar a faixa já liberaram sem problemas. Colocamos a faixa contra o Atlético, com um minuto de jogo o Flamengo fez o gol. A ideia era colocar no aquecimento e botar de novo no segundo tempo. Mas falamos: “vamos deixar que deu certo” – conta o estudante.

Relembre o texto da faixa original:

“O Brasileiro é sim obrigação. Voltemos à brilhante década de 80, quando o Flamengo entrava em qualquer competição para buscar o título. Mesmo que esse não viesse, o clube sempre jogava com condição e vontade de obter a conquista. Passado o ano de 1992 (que já não foi tão brilhante) o Flamengo tem vivido a coadjuvar dentro do maior campeonato do país. O até então maior vencedor do torneio (e primeiro Pentacampeão) alternou disputas contra o rebaixamento e campanhas medíocres, passando seus últimos 15 anos vivendo de primeiro semestre, com títulos estaduais e uma Copa do Brasil.

Vivemos o segundo semestre de cada ano com uma decepção atrás de outra (exceto a Copa Mercosul de 1999 e alguns pequenos torneios, como a Copa dos Campeões de 2001, não capazes de suprir a necessidade da conquista do maior título nacional). Dos 15 últimos Campeonatos Brasileiros, o Flamengo apenas conseguiu posições razoáveis em 1997 (ofuscada pelo título de nosso maior rival) e no último ano, quando nos recuperamos de uma campanha pífia e conseguimos uma terceira colocação.

A torcida do Flamengo e sua instituição conquistaram uma grandeza inigualável (até hoje) por todas as suas conquistas e glórias, algo hoje não tão constante. Esperamos sempre dos jogadores, que vestem o Manto Sagrado, honra e dedicação, mas não apenas isso. Exigimos, também, um trabalho digno por todos aqueles que estão além das quatro linhas. Comissões técnicas, diretorias e até mesmo dos torcedores.

Jogadores com salários astronômicos não justificam o que recebem ao entrar em campo sem foco total, sem determinação e empenho necessário, como ocorrido no recente desastre contra o América do México. Acreditamos que muitos desses jogadores não têm a menor noção do que ele está representando ao jogar pelo Maior do Mundo, não sabem a dedicação de cada torcedor e seu esforço para apoiar e ver o clube do seu coração.

Isso serve também para a Diretoria e comissão técnica. Simples coisas, como os milhares de papéis picados arremessados da arquibancada para recepcionar os nossos jogadores na final do estadual, demandaram, além do valor financeiro, um sábado inteiro de centenas de apaixonados, que em suas rotinas, abrem mão de família, trabalho e outros mil compromissos para se dedicar ao Flamengo. Esse é apenas um pequeno caso de dedicação de uma minúscula fração de rubro-negros. Nós vivemos Flamengo, respiramos Flamengo!

De fato o Flamengo é a nossa vida. E se fazemos tudo por ele, o que exigimos é apenas dedicação e respeito. A grandeza do clube nos priva de sermos apenas participantes de qualquer competição. Temos sempre que entrar para lutar pelo título. E hoje nós estamos há exatos 15 campeonatos brasileiros sem conquistas, algo totalmente inaceitável.

Quando estendemos a faixa “O BRASILEIRO É OBRIGAÇÃO” queremos demonstrar nossa insatisfação ao longo desses 15 campeonatos. Estamos tentando deixar claro (para quem ainda “não sabe”) a grandeza do clube e que de fato temos sempre obrigação de conquistar o Brasileiro, mesmo que isso não ocorra todo ano.

O que não podemos é ficar calados e aceitar essa situação. Temos o direito, e mais ainda a obrigação de cobrar, pela história do clube, o título nacional. Com a faixa queremos, também, alertar que estamos de olho no clube, que o time deve entrar sempre focado para cada partida como se fosse a final do campeonato, pois assim se joga pontos corridos.

Buscamos esclarecer que se tratando de Flamengo é sempre uma obrigação conquistar títulos, e nesse momento o Brasileirão é a prioridade. Sabemos que essa pressão pode incomodar alguns jogadores, mas todos têm que saber que estar no Flamengo é estar sujeito a maior das glórias e, também, das desgraças. Àqueles que não estão preparados para tal: é melhor largar o barco agora!

Mas, ao contrário do que muitos pensam, estaremos sempre apoiando o time durante os 90 minutos. A faixa estará presente até a conquista do campeonato. Mesmo que ela demore mais 15 anos. A faixa estará lá! Porém, na arquibancada, enquanto a bola rola, cantaremos sempre apoiando o time, como sempre fazemos. Somos contra vaias e qualquer canto que não de incentivo ao nosso Flamengo.

Faremos nossa parte e queremos que os jogadores façam as deles. Aprendemos com a derrota na Libertadores, mas, de uma vez por todas, não foi esse o motivo da criação da faixa. Talvez se ganhássemos a Libertadores nós teríamos sidos mais tolerantes, mas essa conquista está engasgada há mais de uma década e chegou a hora de gritarmos: Hexacampeão!”

Não íamos tirar a faixa. O Flamengo até foi líder do Brasileiro no início, mesmo assim a faixa permaneceu.


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