O peso da camisa

REPÚBLICA PAZ E AMOR: Por Jorge Murtinho

A inspiração para o post vem da dupla derrota tupiniquim nas semifinais da Libertadores. E como a competição, que virou sonho de consumo de cem em cada grupo de cem torcedores brasileiros, passou a contar com a presença anual do Flamengo, creio que o assunto interessa.

Em 21 de maio, publiquei um texto com o título “Fod*-se o River”. Nele eu defendia – e tentava comprovar com um aborrecido rol de fatos – que pouco importava terminar a fase de grupos em primeiro lugar e que era irrelevante decidir os mata-matas em casa. Taí o Boca Juniors que não me deixa mentir. Da mesma forma que acontecera em 2012, agora em 2018 o Boca fez a segunda partida das oitavas, das quartas e das semifinais como visitante, e vai uma vez mais à finalíssima. Enquanto isso, Corinthians, Cruzeiro, Grêmio e Palmeiras caíam em seus estádios – tiro da lista o Santos, que apesar de também eliminado na condição de mandante, só o foi por estranhas e conmebólicas circunstâncias.

Foto: Divulgação
Sim, é verdade que as campanhas de Palmeiras e Grêmio na fase de grupos transformaram seus caminhos até as semifinais em duas tetas, só que chega um momento da Libertadores em que as tetas murcham. Nessa hora, quem vai à final é o Boca. E quem vai à final é o River, que apesar de ter decidido as oitavas e as quartas no Monumental de Núñez, na semifinal foi obrigado a encarar o segundo jogo com o Grêmio em Porto Alegre.

Duas razões motivaram o tal post de 21 de maio.

1ª) A irritante insistência da mídia, em sua volúpia por venda de jornais, fortalecimento de audiência e aumento do número de visualizações, no falso argumento de que é fundamental vencer o grupo. É nada.

2ª) A necessidade que tínhamos de poupar nossos principais jogadores. Cheguei a citar Everton Ribeiro, Lucas Paquetá e Vinicius Júnior – em relação a quem ainda havia a mistura de ilusão com ingenuidade que nos fazia acreditar na remota chance de esmola por parte do Real Madrid. Everton Ribeiro foi poupado, Vinicius Júnior partiu pras oropa e Paquetá levou o cartão amarelo que o tirou da primeira partida com o Cruzeiro. Fez uma falta danada, pois o Flamengo teve, ali, uma de suas mais fracas produções ofensivas no ano, e a vaca foi para o brejo.

De qualquer modo, cabe a pergunta: se eliminássemos o Cruzeiro, passaríamos pelo Boca Juniors nas quartas? Na boa, gente: nosso lema é vencer, vencer, vencer; nossa torcida intimida; nossa camisa joga sozinha; o Maraca é nosso; vai começar a festa; isso aqui é Flamengo, porra; tudo é muito bacana, mas tenho uma certa intuição de que não passaríamos não. Bravatas e ufanismos precisam ser combinados com o adversário (valei-nos, São Garrincha), e eles não costumam dar bola para essas coisas.

Nosso elenco é mais ou menos equilibrado, o que até nos permite sonhar com o Campeonato Brasileiro – longo, cheio de reviravoltas e no qual, quase sempre, planejamento correto e contratações razoáveis são mais determinantes do que a pegada. Entretanto, estamos custando a incorporar o espírito da Libertadores, seja lá que diabo for isso.

Temos produzido a alegria da arcoirizada com sucessivos micos, e nosso grande feito mais recente ocorreu em 2010: fechamos a fase de grupos no último lugar entre os dezesseis classificados, enfrentamos nas oitavas o primeiro colocado geral – Corinthians – com segundo jogo no Pacaembu, e os eliminamos.

Mas por que falar em Libertadores agora, dois meses depois da nossa queda? Ora, porque estão fresquíssimas as dançadas de Grêmio e Palmeiras, e mais: se é esse o título que tanto queremos – se bem que, entre a Libertadores e o Brasileiro, meu coração balança –, a filosofia precisa começar a ser implantada de imediato.

Na virada de 2017 para 2018, fomos ao cúmulo de iniciar a temporada sem treinador e tendo de improvisar Carpegiani, que viera para exercer função diferente. Fizemos, ainda, algumas contratações equivocadas e outras tardias.

As eleições na Gávea só acontecerão depois que o campeão brasileiro já for conhecido. Técnica e matematicamente, estamos na briga, ainda que o tumultuado ambiente insista em tentar nos convencer do contrário. Acredito que o Palmeiras vai dar uma capengada: foi visível o esgotamento do time no empate com o Boca, e os adversários mais difíceis para eles são, justamente, os das duas próximas rodadas. A conferir.

Daí que é o seguinte: ganhando ou não o Brasileiro, e seja com Landim, seja com Lomba, seja com quem vier a mandar na porra toda, não é possível o Flamengo continuar cometendo os mesmos erros dos últimos anos. Com rigor nas avaliações, paternalismo zero e profissionalismo suficiente para identificar quem serve ou não ao objetivo de levantar o caneco continental, há chances.

Se vamos ganhar, é impossível saber. O que não dá é para entrar na brincadeira certos de que perderemos.

Não é possível o Flamengo continuar cometendo os mesmos erros dos últimos anos.

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