Terrenos, orçamento e naming rights: Fla quer construir seu estádio

GLOBO ESPORTE: Envolvido da cabeça (de capacete) até os pés com o fim das obras do novo módulo profissional do Ninho do Urubu, Alexandre Wrobel, vice-presidente de patrimônio do Flamengo, recebeu o GloboEsporte.com para balanço de oito anos à frente da pasta no clube.

O CT, a eterna questão do estádio próprio, o Maracanã, o Morro da Viúva, a Ilha do Urubu, a arena de basquete... Muita coisa entrou na entrevista de 40 minutos com o dirigente, que é apoiador de Ricardo Lomba, candidato da situação, mas não pertence a corrente política no clube e lamenta não ter unido os dois grupos para a eleição de 8 de dezembro.

A entrevista foi realizada na última quinta-feira. Na sexta, o GloboEsporte.com publicou a respeito da possibilidade do Flamengo adquirir mais 40 mil m² de terreno para ampliar o CT.

Confira a entrevista com o vice de patrimônio do Flamengo.

Foto: Divulgação
GloboEsporte.com: Está chegando o fim de dois mandatos considerados prósperos em termos de recuperação do clube. Você está há oito anos, desde a Patricia Amorim. Que balanço faz desse período?

Alexandre Wrobel: Em termos patrimoniais e estruturais o Flamengo saiu da chacota para a referência. Isso não é milagre. Demanda tempo, planejamento, disciplina. Lembro que da primeira vez que estive aqui no CT, em meados de 2010, e eu saí envergonhado com o que estava vendo.

A partir dali começamos trabalho muito árduo para chegar ao CT que a gente tem hoje. A estrutura que vamos deixar para a base não conheço igual no Brasil. E o que vamos deixar para o profissional está entre os melhores do mundo. Isso dito por pessoas que trabalham no mercado, profissionais ligados a estrutura do futebol. E é importante destacar: tem a mão e a contribuição de muita gente. Todo rubro-negro sinta-se parte disso. Isso aqui começou lá atrás. Eu mesmo, muito antes de ser VP do Flamengo, comprei pulseirinha, camisa, depois teve o tijolinho.

O Morro da Viúva era um prédio destruído, deteriorado. Um prédio de 150 apartamentos, 50 deles muito mal alugados, outros 50 abandonados, outros 50 ocupados por gente que a gente sequer sabia. Tínhamos trabalho enorme de desocupação, de limpeza do prédio, até chegar ao edital público de licitação, poucas vezes vi isso na história do clube, acho que não teve. Agora vai ter o lançamento do prédio, um presente para o Rio, um presente para o Flamengo, que continua como proprietário de 30%, que certamente vai nos ajudar e muito para a realização do sonho do estádio próprio.

O estádio é sonho e, mais do que sonho, foi promessa de encaminhar solução nessa última gestão do Bandeira. Por que não saiu do papel?

Acho que conseguimos caminhar bem em muita coisa. Em outras, nem tanto. Fazendo uma mea-culpa também, não caminharam como a gente gostaria, como a gente esperava. Como a Arena McFla. A gente esperava que agora estivesse em fase de construção ou até acabada. Mas enfrentamos algumas dificuldades, tivemos alguns problemas comerciais com o Mcdonald´s e não foi possível ainda tirar do papel.

Caminhamos bem com o CT, por exemplo. Vamos entregar um CT muito acima do que a gente podia imaginar, podia sonhar. Isso por que quando a gente finalizou a primeira etapa, começou a negociar o Morro da Viúva e viu a situação financeira do clube, a gente verificou que era possível dar um salto além. Era possível ser uma referência. Aí contratamos escritório de arquitetura, visitamos inúmeros CTs no Brasil, visitamos inúmeros CTs lá fora e o resultado é esse. Conseguimos dar um passo além, conseguimos fazer algo que a gente não imaginava.

Bandeira falou em campanha em 2015 na definição sobre o rumo do estádio. Estava no plano de metas. Houve a questão do terreno da Avenida Brasil. Era onde esperava avançar?

Eu sempre fui defensor do Maracanã. Frequentei minha vida inteira, tenho cadeira no Maracanã, em termos de localização não existe nada melhor. Tem metrô, ônibus, trem, tudo.

De dois anos para cá, de tanto estudar o assunto, de tanto visitar outros estádios, de tanto trabalhar nesse projeto, eu passei a ser árduo defensor da construção do estádio próprio.

Só que o Flamengo não pode entrar numa aventura, não pode cometer loucura, não pode afetar a sua saúde financeira. O projeto do estádio é muito diferente do projeto do CT ou do Morro da Viúva. Tem questão de terreno, localização, que na cidade do Rio de Janeiro tem mais dificuldades que outros locais, pela geografia, topografia da cidade. Tem segurança, que nos preocupa.

Isso te limita muito em termos de área de construção. Existe a questão de preço de terreno, que é absolutamente relevante. Nós tínhamos opção de terreno excepcional, em termos de metragem e até em localização, na Avenida Brasil, mas acabamos não exercendo essa preferência por conta de algumas dificuldades, entre elas a questão de segurança. Uma região relativamente perigosa. Um jogo à noite para sair meia-noite talvez fosse uma dificuldade. Por isso acabamos desistindo.

Foram 42 terrenos observados ou terminaram vendo mais?

Fizemos levantamento extenso no Rio e vimos esses 42 terrenos. Contratamos um expert de mercado e passamos tudo que imaginávamos e queríamos. Quais eram as condições mínimas em termos de terreno e fizemos levantamento detalhado de 42 terrenos no Rio de Janeiro. Em todas as zonas: São Cristóvão, Avenida Brasil, Barra, Recreio...

Vou pedir para falar sobre alguns desses terrenos. São Cristóvão era uma possibilidade?

São Cristóvão seria excepcional. Mas não tem efetivamente um terreno limpo, arrumado para instalar um estádio. Não seria simples. Teria que fazer uma composição, tirar uma coisa daqui, comprar um prédio, tirar uma escola, demolir. Seria entre o Vasco e o Maracanã, do outro lado da linha do trem, mas não tem um único terreno que comporte estádio.

Tentamos o Gasômetro, fomos na Caixa Econômica Federal por algumas vezes. Tem algumas questões ali complicadas. A questão de contaminação de solo ali é uma. A questão do Cepac (Certificado de Potencial Adicional de Construção) é muito alta, muito grande. Eleva demais o preço. Então se tornou absolutamente inviável. Procuramos Terra Encantada. Zona portuária também. Não tem terreno de 100 mil poucos metros² que comporte um estádio. Tem menores e teria que fazer algum tipo composição também.

Desses 42, excluindo a Avenida Brasil, quantos sobraram?

Hoje temos três terrenos. Dos 42 fomos descartando alguns. Tomo muito cuidado com o que falo neste caso por que, nesse período eleitoral, vamos ser acusados de “prometer mais uma vez”, de “não cumprir”, “vender ilusão”. Não é nada disso. Até por que é um projeto que vai ter que passar pelo Conselho Deliberativo do clube, certamente é um projeto que vai ser analisado pelo próximo presidente do clube, não vai ser esse agora.

O que estamos fazendo é o nosso papel. Vamos tentar assinar, ainda nesse mês, uma opção de compra. A opção não traz nenhum prejuízo ao clube, ao contrário, só protege.

E não obriga o Flamengo a nada. Basicamente separa aquele terreno e dá oportunidade ao Flamengo de estudar todas variáveis em seis a oito meses para se decidir. Se decidir não comprar, abre mão da opção e vida que segue.

Hoje temos esses três que nos interessam. Estamos conversando com os proprietários desses três terrenos, também tem suas dificuldades, também tem as suas questões, que precisam ser estudadas, analisadas. Como questão de legislação, contaminação de solo, qualidade de solo, de transporte público. Tudo isso tem que ser estudo criteriosamente. Estamos falando de um investimento de pelo menos R$ 550 milhões, fora a compra do terreno, que não temos um valor definido, para um estádio de cerca de 50 mil lugares.

Niterói não atraiu?

Desistimos. Foi oferecido, era um terreno próximo do Caminho Niemeyer, terreno pequeno, com dificuldades que nos impediam. Nós fomos ver o terreno, visitamos a prefeitura, mas se mostrou inviável por questões técnicas.

Parque Olímpico?

Chegamos a estudar, mas não comporta estádio com a magnitude do que pretendemos fazer. Grande parte do Parque Olímpico não pertence à prefeitura, mas a um consórcio de empresas. Foi feita Parceria Público-Privada. No terreno que eventualmente comportaria o estádio não cabe aquilo que a gente imagina.

Terra Encantada?

Conversamos, mas é um valor que consideramos muito elevado também. Estádio se concentra num tripé: preço, localização e viabilidade da construção do estádio. Não podemos fugir desses três pontos. Temos uma ideia de limite de gastos entre aquisição do terreno e construção do estádio. Qualquer coisa fora dessa curva acaba inviabilizando o business plan da construção do estádio.

O terreno da Avenida Brasil estava em torno de R$ 50 milhões?

Era R$ 46 milhões. Era um preço excelente de metro quadrado. Mas desistimos por que havia algumas questões, como a qualidade do solo. Em alguns pontos era um pouco mais complicado, embora não fosse impactante. Dava para a gente seguir adiante.

Mas o que nos levou efetivamente desistir foi a questão da segurança. Temos ali jogos noturnos e a saída do estádio meia-noite num local que não nos oferece a segurança devida e para investir R$ 550 milhões era temerário. Resolvemos desistir dessa opção.

O Flamengo tem orçamento de R$ 800 milhões no futebol no próximo triênio. Ao todo, o orçamento em três anos deve beirar R$ 1,8 bilhão. Como pagaria esses R$ 550 milhões?

Com pés no chão. Projetando detalhadamente, fazendo projeto executivo extremamente elaborado a gente consegue partir para a construção do estádio sem afetar o dia a dia. A gente imagina um projeto com a cara do Flamengo. Não é uma arena de shows, não é projeto luxuoso. A ideia é ter arquibancada bem próxima do campo. Acabamentos com muito critério, com muito cuidado.

Nos reunimos, inclusive, com o pessoal do Atlético-MG, da MRV, que está fazendo o projeto da arena deles. Eles estão fazendo isso, um projeto detalhado para não ter estouro no orçamento. Então eu acho que é plenamente viável.

De que maneira?

Temos várias vertentes. Uma delas, o Morro da Viúva, que somos proprietários de 30% do prédio, que vai nos render aí, por baixo, R$ 115 milhões. Outro ponto é a venda de cadeira cativa. Seria algo em torno de oito mil cadeiras, com modelo de 15 a 20 anos de uso. Por que, pelos estudos que a gente fez, o estádio precisa passar por reforma, revitalização e a gente teria que fazer novamente uma captação financeira.

Quanto arrecadaria?

Não temos ideia exata ainda, mas hoje uma cadeira cativa seria algo em torno de R$ 30 mil a R$ 36 mil. Seria uma possibilidade, com pagamento parcelado ao longo da obra. Se pensar em oito mil cadeiras, acho que o Flamengo vende fácil, com trabalho de marketing e série de benefícios para o comprador, tem possibilidade muito grande de arrebentar nessa venda de cadeiras. Também tem naming rights. Conversamos com duas empresas já.

Esse modelo do naming rights tem sido difícil de sair por aqui. Tem o Corinthians que ainda não conseguiu fazer o seu...

Nesse modelo, pelo que li, do que o Corinthians pensa em fazer, efetivamente não fica de pé. Nosso formato é outro, os valores são outros. O estádio sai do chão já com o nome do patrocinador. Estou confiante. Mas, novamente, tudo são perspectivas, estudos, projetos, planos. De concreto, não tem nada.

Temos agora eleição no clube e tivemos a eleição para governador. Pode ser que o governador opte por licitação nova no Maracanã, permitindo que os clubes participem. Dependendo dos termos da licitação, interessa ao Flamengo. Aí esqueceríamos a ideia do estádio próprio. Mas, depois da posse do governador, em mais seis a oito meses, teríamos essa definição. Se isso não for possível, não vejo outro caminho para o Flamengo que não seja cuidar da construção do seu estádio próprio.

Por que, pessoalmente, pensa que a melhor solução não é mais o Maracanã?

Pelo desgaste desse tempo todo esperando uma definição por parte do governo do estado. Aí você acaba conhecendo outros modelos de estádio, outros modelos de gerência de estádio. A questão do custo de manutenção do Maracanã. Isso tudo me levou à convicção, em função da situação financeira hoje do clube, de que o melhor caminho para o Flamengo seria a construção do estádio próprio. Agora, vamos aguardar, pois o Maracanã, em termos de localização, de história, é inigualável.

O Flamengo não quer favor de ninguém. Flamengo quer poder participar de uma licitação. O Flamengo é o trem pagador do Maracanã. Com 70% a 80% de arrecadação do estádio. Não queremos proibir ninguém de jogar lá. Queremos ter a gerência do Maracanã, mudar as bases dessa gerência. Já mostramos capacidade para isso. Nós recolocamos o Maracanã em condições de receber os jogos logo depois das olimpíadas. Em 15, 20 dias conseguimos reformar campo para jogo da Libertadores. Está mais que provada nossa capacidade, nossa seriedade para gerir o Maracanã.

Para pagar seus estádios, Corinthians e Grêmio não contam com bilheterias. O Flamengo poderia fazer modelo parecido?

Cada um tem seu modelo. O Grêmio teve a questão da cessão do terreno onde era o Olímpico. O Atlético-MG vendeu parte do shopping que eles têm lá em Belo Horizonte. O Palmeiras teve outra concepção, que envolveu a W Torre. O Corinthians, outra completamente diferente. Atlético-PR, que acho modelo muito interessante de estádio, bem próximo daquilo que a gente imagina para o Flamengo, lógico que guardadas as devidas proporções, preparou estádio para a Copa. A arquitetura entrou como parte da construção.

A gente ainda não tem esse modelo pronto, finalizado, acabado. É possível que entre parte de bilheteria? Sim, é possível. Mas se esses quatro pontos que destaquei, se derem certo, se caminharem de forma positiva, acho que conseguimos viabilizar a construção do estádio, a compra do terreno, sem afetar a saúde financeira do clube, sem afetar a bilheteria.

Tem ideia do quanto seria gasto por ano no orçamento do clube para o estádio? Por exemplo, 20%,30% num ano?

Não temos essa ideia ainda. Até porque depende muito dessa captação que falei. Tem a venda de cadeiras, que pode ser excepcional e nos trazer aporte de 40%, 50% do custo da obra, tem o Morro da Viúva, que pode ser percentual muito relevante. E um outro braço, que ainda não posso falar, que envolve marketing, outra captação, que se for bem trabalhado e der certo praticamente complementa o custo.

Mas, novamente, tudo isso ainda em fase de estudo. Eu vejo muita gente falando assim, “pô, mas eles falam isso há muito tempo, até agora não saiu do papel...”. É fato, verdade. Não é um projeto simples, não é do dia para o outro. O Flamengo não tinha situação financeira para isso. O Flamengo está entrando agora nessa fase. Então, entendo a impaciência de todos, porque é a minha também.

Eu tinha várias questões aqui que me chocavam demais em termos estruturais e praticamente o que vai ficar me faltando aqui é o estádio. O CT está resolvido, acabado. Gávea está passando por inúmeras melhorias e acho que nos próximos três anos vai ter transformação muito relevante. Vai ficar faltando a questão do estádio. Na minha opinião passa a ser o foco dos próximos três anos.

Havia expectativa nos planos da atual gestão de ter solução em 2017 e em 2018 até implantar a tal solução escolhida (do estádio próprio). Imaginava que seria o da Brasil?

Era uma possibilidade. A gente acerta, erra, quando erra não tem medo de assumir que errou. No primeiro momento imaginamos que poderia até revitalizar um pouco a região. Depois, houve temor de fazer investimento muito alto e algum evento dessa natureza (segurança) afetar a construção. Então, decidimos partir para o estudo dos outros terrenos.

Em maio do ano passado, o Bandeira assinou com o prefeito Marcelo Crivella protocolo de intenções para o estádio acústico da Gávea. Como está isso?

Está em "stand by". Depende muito, está absolutamente vinculado à questão do estádio próprio. Não faz o menor sentido, e o Flamengo nem tem capacidade para isso, construir dois estádios. Um de grande porte, de 50 mil a 55 mil, e ter um estádio pequeno na Gávea. Mesmo porque um estádio pequeno na Gávea custa caro. Tem questão de fundação, de canteiro de obras.

Como seria esse projeto? Quanto custaria?

Ainda não temos um valor. Seria a construção de estádio convencional, mas de pequeno porte. Custa caro mesmo assim. Não faz sentido ter estádio pequeno na Gávea e construir outro, de grande porte, em outro local da cidade. O que teria sentido seria se, eventualmente, o Flamengo pegasse o Maracanã, aí sim, fazer um estádio-boutique na Gávea, para jogos da base, para treinos, jogos de menor apelo. Fora isso, não faz sentido.

Não está sepultada essa opção (estádio acústico na Gávea). Mas estamos aguardando por que essa decisão passa obrigatoriamente pelo estádio próprio ou não, pelo Maracanã.

A Ilha do Urubu não foi diretamente um projeto que você capitaneou. Foram gastos cerca de R$ 20 milhões. De que maneira viu esse investimento? O discurso era que a Ilha serviria favoravelmente na negociação com o Maracanã.

Nós tínhamos necessidade de estádio para jogar no Rio. Em 2016 praticamente não jogamos aqui. Houve vários erros na questão da operação da Ilha. Serviu? Nos atendeu durante o ano? De alguma forma sim, o Flamengo jogou na Ilha e teve aproveitamento muito bom na Ilha. De alguma também serviu para nos ajudar na negociação do Maracanã. Sem sombra de dúvida. Tínhamos negociação com Engenhão também. Então também nos ajudou nesse sentido.

Mas não posso negar que a Ilha acabou tendo erros na concepção, erros na operação, erros na precificação. Coisas que acabaram fazendo com que esse projeto não tenha seguido da maneira que a gente imaginava.
Quando cita precificação, você fala em ingressos?

Também. Em especial na Ilha na minha opinião.

Houve erro de planejamento por não ter feito estudo mais aprofundado no caso do buraco?

Não. Foram feitos os estudos. A questão do buraco a própria Portuguesa arcou com os gastos. De maneira geral, o custo acabou sendo muito elevado. Houve uma série de exigências por parte das autoridades municipais em termos de segurança, de trânsito. Então, a operação do jogo acabou sendo muito elevado, muito alta. Acessos ao estádio também foi questão complicada. Não tivemos fluxo de pessoas por questão também de precificação dentro daquilo que a gente imaginava. Não posso negar que a Ilha terminou sendo frustração nesse sentido.

Você não está dentro de grupos políticos no clube e, pelo que vejo, se mantém um pouco isolado, embora apoie Lomba. Como está sendo esse processo eleitoral para você? Há consultas de grupos da oposição para saber como está algum caso? Pedido de informações?

Continuo sem fazer parte de grupo político algum. Tenho vários amigos em vários grupos dentro do Flamengo. Tem gente boa em vários grupos. Da situação, oposição... É reflexo da nossa sociedade. Sou um apaixonado pelo Flamengo. Minha vida desde sempre é assim.

Nunca imaginei ser vice-presidente do clube. Fui convidado em 2010. Na eleição, não votei na Patricia até. Mas tínhamos amigos em comum e o convite foi feito para tentar tirar do papel a história do CT e do Morro da Viúva, que eram dois pontos problemáticos da gestão. Já prometi para mim e até para minha mulher algumas vezes: “agora acabou”. “Não, vou inaugurar a primeira parte do CT e depois eu saio”. E você vai ficando por que é realmente apaixonante. Vou vendo o crescimento do clube.

Toda vez que venho aqui (no Ninho) é um espetáculo. E já disse aqui que vou dormir aqui no CT um dia antes da inauguração. Já pedi para arrumarem um quarto para mim!

Mas voltando à questão política. Estou absolutamente disposto a ajudar o Flamengo em tudo que puder ajudar. A partir do momento que não puder mais contribuir, problema nenhum. Conheço Landim há muitos anos, conheço alguns que são meus amigos pessoais. Rodrigo Tostes... Claudio Pracownik que é meu irmão. E tenho muitos amigos na chapa rosa. Tentei, batalhei muito pela união. Na minha visão era o caminho ideal para o Flamengo. Pacificar o clube, pegar gente competente, oxigenar, com pessoas que pudessem agregar, fazer um grande governo de união. Mas, infelizmente, não foi possível. Vida que segue. É torcer para o Flamengo não sair do trilho dessa austeridade, de pés no chão. E logicamente acertar aquelas coisas, que tem muita coisa boa nessa gestão e aprender com os equívocos. Trabalhar para melhorar.

A “Arena McFla”, que não vai ter mais esse nome, era outra promessa de campanha que não andou. O que pode ser feito ainda?

O projeto está aprovado, todas as etapas foram cumpridas, todas licenças, que inclusive renovamos agora a licença de obras, absolutamente tudo. Mas durante a negociação com o Mcdonald´s surgiram alguns pontos que foram intransponíveis. Algumas questões comerciais que não conseguimos superar.

Que tipo de questões comerciais?

Prefiro não expor até por questão de ética, de conduta. Eles foram absolutamente corretos. Tudo isso não teve custo algum para o Flamengo. Não teve custo de engenheiro, de legalização, de nada. Mas na fase final, de elaboração de valor de aluguel, de percentual que ficaria para o clube, de garantias, a gente acabou não chegando a um consenso, a um acordo. Decidimos romper as negociações. O projeto é do Flamengo. Pertence 100% ao clube. O clube pode fazer o que bem entender, procurar outros parceiros, coisa que a gente já está fazendo. E cabe à nova gestão decidir se dará prosseguimento a esse projeto. Ou, se for o caso, buscar até fazer com recursos próprios. A arena estava orçada em R$ 26 milhões. Então é plenamente possível o Flamengo tirar do papel se assim a próxima gestão entender que deve fazer.

Não faz o menor sentido, e o Flamengo nem tem capacidade para isso, construir dois estádios.

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