Bandeira se despede como herói e vilão na história do Flamengo

ESPN FC: Por João Luis Jr.

Por mais que tenha “regatas” no nome, por mais que tenha um excelente time de basquete, por mais que sede social esteja com as obras em dia, a verdade é que o Flamengo é, acima de tudo, um clube de futebol. A nossa equipe de e-sports pode ser a mais forte do mundo, podemos ter a hegemonia nacional no atletismo, um dos nossos atletas da natação pode ter derrotado um tubarão num duelo mano a mano numa piscina, o que vai importar ainda vai ser, no fim das contas, o resultado que o time de futebol obteve dentro dos campos naquela temporada.

E isso é essencial para entender o quão diferentes podem ser as avaliações dos seis anos que Eduardo Bandeira de Mello passou como presidente do Flamengo.

Foto: Divulgação
Por um lado temos Bandeira, o saneador. É a história do presidente cuja administração pegou um clube tão endividado que não conseguia nem pagar as próprias contas de telefone – em julho de 2012 os telefones da Gávea não podiam fazer chamadas, só receber – e reduziu essas dívidas pela metade, pagando mais de 400 milhões de reais. Foram equacionadas as finanças do clube, foi obtida a Certidão Negativa de Débito, o Flamengo deixou de ter a renda dos jogos penhorada por conta de disputas judiciais, o clube resolveu praticamente todas as suas ações trabalhistas pendentes, encerrando uma era em que existiam bem mais jogadores processando o Flamengo do que atuando pelo Flamengo.

Bandeira também foi o mandatário que dobrou o investimento na base, além de ter inaugurado um CT de alto nível para a equipe profissional, acabando com situações como a do jogador que se machucava num treino e era arrastado num carrinho de obra para fora do campo. Durante a gestão Bandeira o Flamengo deixou de ser um clube que assinava um patrocínio com churrascaria pra ser parcialmente pago em churrasco e se tornou a camisa mais cara do Brasil, mantendo receitas anuais acima da casa do meio bilhão de reais.

Mas como eu falei anteriormente, existe o futebol. E no futebol as coisas foram bem mais complicadas. Se entre o começo de 2013 e o fim de 2018 podemos dizer que o Flamengo viveu uma nova era nas áreas de gestão, marketing, comunicação e até mesmo jurídica, no futebol tudo que a gestão atual tem para mostrar é uma Copa do Brasil de 2013, além de dois Campeonatos Cariocas, uma ausência de conquistas que não é condizente com a grandeza do clube ou do investimento realizado.

Porque sim, durante a gestão Bandeira se investiu em futebol, possivelmente como nunca se havia investido na história do Flamengo. Nos tornamos um destino seguro para bons jogadores, já que o clube instituiu uma prática, incomum na Gávea e rara no futebol brasileiro como um todo, chamada “pagar em dia”. Contratamos grande e contratamos muito, o que fica exemplificado na chegada de Vitinho, a segunda contratação mais cara do futebol brasileiro e no orçamento de quase 180 milhões de reais para o futebol em 2018.

Esse desencontro entre futebol de títulos quer dizer que o futebol rubro-negro não melhorou durante a gestão atual? Seria injusto dizer isso. Um Flamengo que durante anos lutou contra o rebaixamento se tornou frequentador assíduo da Libertadores e as opções de meias, que em 2012 envolviam Botinelli e Camacho hoje envolvem nomes como Éverton Ribeiro e Diego, o tipo de mudança gritante e impossível de ser ignorar por qualquer pessoa que já teve que depender de Botinelli para vencer um jogo.

Mas a sensação com o Flamengo nos últimos anos – e que talvez traduza também a frustração de muitos torcedores com a gestão Bandeira – é a sensação de que poderia ser muito melhor.

"Levanta ele no ombro, se ele falar das finanças a gente leva pra sala da presidência, se ele falar do departamento de futebol a gente joga na piscina"

Isso porque da mesma maneira que um grupo que é fruto de tanto investimento deveria ter conquistado mais títulos e isso não foi possível por uma série de questões que vão desde circunstância até erros infantis em momentos chave das competições, um presidente que fez tanto para conquistar seu lugar na história do clube em termos de gestão claramente tinha capacidade para obter resultados melhores no futebol, fosse tomando decisões diferentes, fosse delegando a tomada de decisão para pessoas mais qualificadas.

Essa é talvez a razão de serem tão divergentes as avaliações dos seis anos de Bandeira de Mello no comando do Flamengo. Porque se a história do Flamengo deve muito ao gestor que tirou o clube de um abismo financeiro em cujo fundo parecia haver apenas uma pá, a torcida tem extrema dificuldade para perdoar o presidente em cujo mandato o Flamengo teve mais vice-campeonatos que o Vasco.

O que sobra ao torcedor, após esses seis anos em que o Flamengo resgatou a sua dignidade com instituição mas não precisou realizar grandes expansões na sua sala de troféus, é a expectativa de que a “era Bandeira”, apesar de não marcada por grandes conquistas, tenham ajudado a pavimentar o caminho para inúmeras vitórias que ainda virão. Afinal, como o próprio presidente bem sabe, por mais que seja essencial um clube financeiramente equilibrado e institucionalmente respeitado, é título que coloca estrelinha nova na camisa. E é isso que o Flamengo precisa buscar com um novo presidente em 2019.

O que sobra ao torcedor, após esses seis anos em que o Flamengo resgatou a sua dignidade com instituição.

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