Lágrimas emolduram despedida frustrante e discreta de Paquetá

GLOBO ESPORTE: Bonita, mas incompleta. A despedida de Lucas Paquetá se assemelha muito ao que foi sua trajetória com a camisa do Flamengo.

A derrota por 2 a 1 para o Atlético-PR, neste sábado, no Maracanã, foi mais do que um banho de água fria no último jogo do jovem que será lembrado pelos lampejos de protagonismo, mas ausência de títulos. Rubro-negro desde pequeno, Paquetá segue para o Milan se orgulhando de seus similares, que lotaram o estádio e quebraram o recorde de público do ano: 66.046 presentes.

A história de Lucas Paquetá no Flamengo, entretanto, vai muito além do que a decepção no adeus. Durou 12 anos para o garoto que chegou aos nove e ruma à Itália com a certeza que valeu a pena.

Lucas Paquetá em despedida do Flamengo - Foto: André Mourão
Valeu encarar a desconfiança pela demora para crescer. Valeu o título da Copa São Paulo. Valeram os gols nas decisões de Copa do Brasil e Sul-Americana. Valeu o destaque no vice-campeonato brasileiro deste ano. Valeram os 35 milhões de euros pagos pelo Milan. Valeu até pelo meme do "Paquetazinho da sorte".

- Passa toda história que vivi no clube. Amadurecimento como atleta e pessoa. Passa um filme na cabeça do menino pequeno que teve dificuldades, passou por cima e conquistou o objetivo. Gratidão pela torcida e levo o Flamengo no coração - disse, após o jogo.

Há de ser justo e reconhecer a importância de Paquetá nos três vice-campeonatos que o Flamengo acumulou no período em que se tornou titular. Não à toa (com exceção do resultado, obviamente), o jovem de 21 anos viveu momentos que serão guardados nesta tarde de Maracanã.

O menino que chegou ao Ninho para fazer teste aos nove anos entrou no gramado cercado por mais de uma dezena de crianças por volta dessa idade e que o têm como inspiração. Em seguida, lágrimas.

O Lucas que tanto manteve a seriedade na maior parte deste período fechou os olhos na execução do hino nacional e chorou:

- Mistura de sentimentos. Eu até me emociono um pouco de falar. Sentimento de dever cumprido, poder ver meu filho hoje almejar outros sonhos e outras trajetórias. Sensação hoje é incrível, de dever cumprido - disse a mãe Cristiane, antes de a bola rolar.

Dever cumprido, mas missão incompleta pela ausência de títulos de expressão. Em três anos como profissional, Paquetá levantou apenas o Estadual de 2017, mas jogando pouco. No total, foram 96 jogos e 18 gols.

No 96º, o que se viu em campo foi um jogador voluntarioso, intenso nos movimentos, incansável e discreto com a bola nos pés. Ovacionado ao ter o nome anunciado no placar, Paquetá pouco produziu.

Aberto pela esquerda, demonstrou nervosismo e simplificou boa parte das jogadas. Com a obrigação de voltar para marcar o lateral rival, até arriscou algumas arrancadas em contragolpes. De levantar a torcida, porém, só um carrinho na lateral.

Nos 45 minutos finais dos últimos 12 anos, ali no lado esquerdo, pertinho de onde estava a família atrás do banco de Dorival, seguiu pouco efetivo. Inquieto, passou a circular pelo meio.

Já com o placar favorável ao Atlético-PR, um déjà vu. Cruzamento da esquerda, Paquetá na marca do pênalti e...chute para fora. Parecia o gol perdido contra o Palmeiras, agora com o pé ruim, o direito. Foi o ato final.

Com o jogo encerrado, Paquetá debruçou-se no chão de joelhos e ficou por alguns segundos. Caiu a ficha de que acabou. O olhar perdido reencontrou as lágrimas no abraço da família:

- Do Flamengo (é o que vai sentir mais saudade). Vestir essa camisa é muito especial. Desde pequeno foi o que eu batalhei para conquistar. Essa torcida é sem comparações. Quando está bem, vibra. Quando está difícil apoiam mesmo com cobrança. Vou seguir com o Flamengo no coração.

O Paquetá das dancinhas, dos gols em finais, da seleção brasileira, não é mais o Paquetá do Flamengo. O Rubro-Negro agora é outro. Ou Rossonero, para ir se acostumando com a Itália, para onde viaja no próximo dia 8.

Veja algumas respostas de Lucas Paquetá na zona mista do Maracanã:

"Medo" da despedida
- Era medo de ter que se despedir de algo que faz parte da história. Algo que sofri, chorei, sorrir, conquistei. Agradeço o carinho da torcida e vou levá-los no coração. Ainda não caiu a ficha. Mas estou feliz pelo meu momento, por tudo que conquistei, e vou para um novo desafio.

Chegada ao Milan
- Falei com o Leonardo, troquei mensagens. O campeonato é diferente, o Milan não joga de uma maneira parecida com o Flamengo, mas vou chegar lá, ouvir e aprender. A posição onde me sinto mais à vontade é pela esquerda, foi como cresci na base. Mas estou à disposição onde for.

Treinadores
- Todos os treinadores que passaram têm uma parcela na minha trajetória. Claro que quem te dá oportunidade marca, e o Rueda foi assim.

Grupo rubro-nero
- Fui um menino de sorte e encontrei um grupo muito amigo e trabalhador. Tenho certeza de que eles vão conquistar muita coisa. São muitas pessoas que me incentivaram, me apoiaram, e a gratidão é muito grande por todos.

O que ficou faltando?
- Faltou o mais importante: os títulos. Mas eu sou novo ainda e vou voltar para conquistar com essa nação.

A história de Lucas Paquetá no Flamengo, entretanto, vai muito além do que a decepção no adeus.

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