O início para construção de mentalidade vencedora no Flamengo

CHUTE CRUZADO: Pedro Henrique Torre

Manter o mínimo de sobriedade após a disputa de um torneio amistoso em pré-temporada é postura essencial para frustrações futuras. Além disso: é interessante tê-los como uma oportunidade de reflexão sobre a temporada passada, afinando a bússola para a que se apresenta à frente. Campeão e com uma taça – ainda que simbólica – já levantada em 2019, o Flamengo pode aproveitar todos os elementos que teve em dois jogos em Orlando para definir claramente suas metas. Se Abel mandou recados no empate em 2 a 2 com o Ajax na primeira rodada, pôde ter uma luz sobre erros e acertos de 2018 na vitória de 1 a 0, gol de Jean Lucas, sobre o Eintracht Frankfurt. Para isso, inverteu a ordem.

Escalou, de cara, um time praticamente reserva diante do rival alemão. Novamente em um 4-1-4-1, com Piris da Motta à frente da defesa, Thiago Santos à esquerda, Ronaldo e Jean Lucas pelo meio e, estranhamente, Henrique Dourado à direita, com Vitor Gabriel à frente. O resultado, de maneira até surpreendente, não foi ruim. Seria até natural que o desentrosamento tornasse o Flamengo absolutamente frágil diante de um rival de bom nível e a pleno vapor na temporada. A equipe procurava trocar passes rápidos e sair em velocidade, buscando fechar espaços do rival. Seria, também, até desonesto dizer que o Eintracht Frankfurt não foi dominante nos minutos iniciais. Postado com três zagueiros, sempre fechando em um bloco de cinco ao ser atacado, o time imprimia velocidade, com um ataque também em bloco e a ótima dupla Rebic e Jovic buscando espaços na defesa rubro-negra.

Jogadores do Flamengo com a torcida na Florida Cup - Foto: Alexandre Vidal
Este, aliás, foi um dos pontos altos do Flamengo em seu segundo jogo na temporada. A dupla formada por Rhodolfo e Rodrigo Caio mostrou segurança. O primeiro, mais alto, livrou bons cruzamentos à área, mostrando agilidade para um jogador de sua estatura. Sem problemas físicos, certamente terá papel fundamental no elenco de Abel na temporada. Rodrigo Caio, por sua vez, mostrou estar mais solto em seu primeiro jogo como titular. E traz um adendo à equipe: une velocidade à qualidade na saída de jogo. Não foram raras as vezes em que, com o time adiantado, ele se incorporou ao meio, iniciando o jogo com qualidade. Por ali, o Flamengo também funcionou melhor. Ronaldo, com ótimas roubadas e limpadas de jogo, e Jean Lucas, rápido no vaivém de uma área a outra, deram mobilidade e tornaram o time ainda mais competitivo. No esquema utilizado até agora por Abel, a boa participação de quem leva e traz a bola de ataque até a defesa será primordial. O garoto teve desempenho satisfatório.

Com maior segurança pelo meio, os laterais sentiram mais confiança para arriscar subidas ao ataque. Rodinei teve boa participação, sempre com boas ultrapassagens. Foi o lado mais acionado, apesar de um Dourado completamente torto pelo setor e destoando do nível técnico da equipe. Boa opção para uma temporada em que o Flamengo perdera Guerrero por doping e maior goleador do ano, parece ser difícil que o camisa 19 encontre espaço diante das boas opções de 2019. Vitor Gabriel, arisco e veloz por dentro, movimentando pelos dois lados, foi boa saída de escape. Recebeu ótima bola de Trauco, um lançamento primoroso, mas concluiu mal. Thiago Santos, arisco do outro lado, mostra personalidade e habilidade necessárias para agredir o adversário. O Flamengo foi, sim, competitivo. E talvez esse sentimento tenha sido representado em Piris da Motta.

Aguerrido até em excesso no primeiro jogo, o volante parece disposto a marcar espaço nesta temporada. Deu boa segurança ao meio, perseguiu adversários e, mais do que isso, desequilibrou o jogo a favor do Flamengo. Adepto da provocação, da pilha, fez com que o capitão rival, o argentino Abraham, perdesse a cabeça com apenas 24 minutos e conseguisse dar um sopapo e ser expulso em um simples amistoso. Claro, o jogo facilitou. Houve mais espaço para as saídas rápidas, para o encontrar de passes. Em uma dessas, Rodinei puxou ao meio e tocou de canhota, em profundidade, para achar Jean Lucas entrando no lado esquerdo. A finalização foi ruim, mascada, mas o suficiente para matar o goleiro Trapp e morrer calmamente no fundo da rede. 1 a 0. Resultado que daria a simbólica taça para o Flamengo.

No segundo tempo, Abel repetiu o primeiro jogo. Promoveu inúmeras trocas. As exceções foram a defesa, que permaneceu durante todo tempo com Rhodolfo e Rodrigo Caio, e o goleiro, desta vez César. Na prática, o time foi basicamente o que finalizou a temporada de 2018, mas em um 4-1-4-1, em vez do 4-2-3-1 de Dorival Júnior. Distinto, portanto, da partida contra o Ajax, quando Arão permaneceu à esquerda e Diego, à direita. Estavam todos de volta às posições originais, o que talvez tenha permitido o time a absorver inteiramente o espírito de 2018, com seus acertos e erros. Acertos pela facilidade em se impor em campo – ainda que com um jogador a mais. Havia espaço e o jogo passou a girar, de pé em pé. Diego, especialmente, estava em boa noite, acelerando, encontrando espaços, sem reter tanto a bola, mais adiantado. Vitinho contava com um latifúndio à frente, reflexo de um rival que tentava remontar a defesa. O chip de 2018 parecia funcionar. Posse de bola, aproximação e…conformismo.

Com o resultado favorável, o Flamengo não se mostrou disposto a liquidar a fatura. Perdeu lances por puro preciosismo. Everton Ribeiro, Arão, Vitinho…todos com chances fáceis à frente do goleiro. O time criou, teve espaços, fluiu e não resultou em gols. Um velho problema, muito mental, de 2018. Abel parece ter detectado diante da bronca pública na coletiva de imprensa após o jogo. Talvez tenha entendido o porquê de o time bater tanto na trave recentemente. Em uma partida oficial, com o adversário disposto a ganhar pontos, vaga, não sacramentar o resultado pode significar um pulo para o fracasso. Desta vez, no entanto, a taça chegou. Um bom sinal para construir mentalidade vencedora. Sempre com o olho na luz que a Florida Cup jogou sobre os caminhos a seguir para 2019.

Sempre com o olho na luz que a Florida Cup jogou sobre os caminhos a seguir para 2019.

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