Flamengo Resenha


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GLOBO ESPORTE: O Flamengo venceu o Bauru Basket por 79 a 66, na noite desta quinta-feira, no ginásio Panela de Pressão, em Bauru, pelo Novo Basquete Brasil (NBB). O time da Gávea ganhou moral para a partida contra o líder Franca na próxima rodada, enquanto Bauru sofreu a sua oitava derrota no torneio nacional.

Olivinha, do Flamengo, foi o cestinha da partida com 19 pontos. Renato Carbonari foi o maior pontuador do Dragão com 16.

Foto: Victor Lira/Bauru
Com a vitória o Flamengo chega a 20 pontos, se torna vice-líder e fica a um ponto de diferença do primeiro colocado, Franca. O Bauru cai para 13º com 16 pontos e continua na briga pelas últimas vagas para os playoffs do NBB.

O Bauru enfrenta o São Paulo no próximo domingo, às 18h, no Panela de Pressão, em Bauru. Em duelo de líderes, o Flamengo encara o Franca, no próximo sábado, às 12h50, no ginásio Pedrocão, em Franca.

O JOGO
No primeiro quarto o Flamengo não tomou conhecimento do Bauru Basket. O Rubro-Negro foi avassalador nas bolas de três com cinco cestas em seis tentativas. O Dragão tentou por várias vezes reagir com Faggiano e Pará, mas não foi o suficiente. 28 a 16 para os cariocas no início da partida.

No segundo quarto o Dragão voltou com outra atitude e equilibrou a partida. O técnico Demétrius Ferracciú resolveu apostar nos mais jovens, que entraram muito bem, como Gabriel Jaú e Emanuel. O time ficou mais equilibrado defensivamente e forçando o erro dos jogadores do Flamengo. Porém a pontaria do Flamengo estava muito calibrada e o time não deixou o Dragão encostar no placar. Vitória dos visitantes por três pontos de diferença no quarto, 19 a 16. No final do primeiro tempo o Flamengo vencia o jogo por 47 a 32.

No terceiro quarto o jogo continuou equilibrado, o Flamengo não fez muito esforço e continuou administrando a vantagem, isso permitiu ao Bauru encostar no placar. Amarrando um pouco mais o jogo, o Dragão chegou a diminuir a diferença para um dígito no finzinho do quarto e o Flamengo descontou. Vitória do Bauru no terceiro quarto por 13 a 8. 55 a 45 para o Rubro-Negro no placar geral.

No período final, o Flamengo voltou a forçar um pouco mais no ataque para garantir a vitória do jogo. O Bauru tentou diversas bolas de três, mas as mãos não estavam calibradas. Vitória do Flamengo no último quarto por 24 a 21. O Rubro-Negro conseguiu a vitória da partida por 79 a 66 e vai com moral para a importante partida contra Franca no próximo sábado.

UOL: Campeão brasileiro com algumas rodadas de antecedência, o Flamengo goleou o Avaí nesta quinta-feira por 6 a 1 no Maracanã. Everto Ribeiro comentou a fome demonstrada pela equipe em campo mesmo diante de um 'amistoso'. Segundo ele, isso mostra o espírito vencedor da equipe, que gostaria de dar um presente para a torcida na despedida do Maracanã no ano.

Além disso, Everton Ribeiro lembrou uma questão um tanto quando importante: o Mundial. Para o apoiador, o Flamengo não tem como tirar o pé do acelerador até chegar à competição em Doha, na próxima semana. O objetivo? Voltar com mais uma taça na bagagem.

Bonde dos jogadores do Flamengo - Foto: M
"Esse é o espírito de vencedor do Flamengo, temos essa fome. Nunca satisfeito. Ganhamos o campeonato, mas tem jogos pela frente. Jogando em casa, na frente da nação. Continuar firme até o final que tem o Mundial ainda", disse o apoiador.

"Todos jogadores sempre preparados. Jorge Jesus sempre pede para estar prontos e mostramos isso nos jogos. Quem entra corresponde. Vamos tentar manter essa pegada e fechar com mais um título nesse fim de ano", completou Everton Ribeiro.

Com a vitória, o Rubro-negro chegou aos 90 pontos e amplia ainda mais o recorde de melhor pontuação em um Brasileiro. A rodada final será contra o Santos, na Vila Belmiro.

UOL: Gabigol mostrou mais uma vez que vive uma grande fase na carreira. O artilheiro do Flamengo marcou um dos gols da vitória rubro-negra por 6 a 1 sobre o Avaí hoje (5), no Maracanã, alcançou a marca de 43 gols em 2019 e igualou a melhor temporada de Neymar em clubes (pelo Santos, em 2010 e 2012).

Artilheiro do Brasileirão, Gabigol fez o 25º gol no campeonato. O camisa 9 do Flamengo também terminou a Libertadores como maior goleador, com nove gols marcados. O atacante de 23 anos ainda foi às redes sete vezes pelo Carioca e outras duas pela Copa do Brasil.

Neymar somou 43 gols pela primeira vez em 2010, aos 18 anos, e repetiu a marca duas temporadas depois, ainda com a camisa do Santos.

Gabigol - Foto: Marcelo Cortes
A média de Neymar em 2012 é superior à de Gabigol: 0,91 contra 0,77. O atual jogador do Paris Saint-Germain precisou de 47 partidas, enquanto o centroavante do Flamengo já disputou 56 partidas no ano. Em 2010, Neymar entrou em campo 63 vezes, com média de gols inferior (0,68).

Naquela temporada, Neymar fez 14 pelo Paulistão, 17 pelo Brasileirão, 11 pela Copa do Brasil, um em partida amistosa. Em 2012, ele marcou 20 gols pelo Paulistão, 14 pelo Brasileirão, oito pela Libertadores e um pela Recopa.

Vale lembrar que Neymar ainda foi às redes em nove oportunidades pela seleção brasileira em 2012. Dois anos antes, marcou um gol com a camisa do Brasil. Gabigol, por sua vez, disputou o amistoso contra a Nigéria em 2019, mas não marcou.

A melhor temporada de Neymar na Europa aconteceu em 2014/2015, quando ele fez 41 gols. No PSG, a melhor marca foi registrada em 2017/2018, com 28 gols. Nos próximos dias, Gabigol pode superar a marca atual, pois o Flamengo terá pela frente o Santos na Vila Belmiro na última rodada do Brasileirão. O time carioca ainda disputará o Mundial e pode entrar em campo duas vezes.

COMPARE AS TEMPORADAS DE GABIGOL E NEYMAR

Gabigol

2019 (Flamengo)
43 gols
56 jogos
Média: 0,77

Neymar
2012 (Santos)
43 gols
47 jogos
Média: 0,91

2010 (Santos)
43 gols
63 jogos
Média: 0,68

EXTRA GLOBO: Marcello Neves

Campeão carioca, do Campeonato Brasileiro e da Libertadores. Artilheiro de duas competições que disputou no ano. Gabigol vive uma lua de mel com a torcida do Flamengo, que pediu pela sua permanência após a goleada contra o Avaí, nesta quinta-feira, no Maracanã. Em tom de incerteza sobre a sua permanência, o camisa 9 agradeceu.

— Espero que esse carinho continue, independente do que aconteça. Mas eu estou muito feliz no Flamengo e todo mundo sabe disso — declarou o artilheiro do Brasileiro com 25 gols.

Gabigol - Foto: Marcelo Cortes
Gabigol foi o autor do terceiro gol do Flamengo na goleada por 6 a 1 e comemorou de maneira pouco comum. Além de levantar os braços, beijou o escudo do Flamengo e o gramado do Maracanã. Quando deixou o Santos, em 2017, fez o mesmo no gramado da Vila Belmiro.

O artilheiro rubro-negro tem contrato de empréstimo com a Inter de Milão, da Itália, válido até o final de dezembro deste ano. O Flamengo tem interesse na permanência do atacante, mas a negociação não é fácil e tem concorrência de clubes europeus.

Com a vitória, o Flamengo atingiu 90 pontos no Campeonato Brasileiro, a maior pontuação de um clube desde que o torneio passou a ser disputado por 20 clubes.

O GLOBO: O reinado de Paolo Guerrero foi encerrado no Flamengo. Desde que deixou o clube em agosto de 2018, o peruano representava o posto de último grande artilheiro que vestiu a camisa rubro-negra. Até agora. Pois Gabigol, ao marcar contra o Avaí, nesta quinta-feira, no Maracanã, chegou aos 43 gols nesta temporada e igualou a marca do ex-camisa 9. Com um detalhe: precisando de dois anos a menos para isso.

Contratado para ser o símbolo de um Flamengo reestruturado financeiramente, Guerrero marcou 43 gols e deu 13 assistências em seus três anos no clube. Sobrou idolatria, mas faltaram títulos, o que atrapalhou a sua passagem. O vínculo se encerrou em agosto de 2018, quando não renovou o contrato e acertou com o Internacional.

Gabigol mandando beijo para a torcida do Flamengo - Foto: Marcelo Cortes
Já Gabigol , logo no primeiro ano de Flamengo, igualou o número de gols marcados pelo peruano e está perto de repetir o número de assistências — são 11 em 2019. Se faltaram títulos para o ex-camisa 9, o atual conquistou os títulos do Campeonato Carioca, do Brasileiro e da Libertadores — e ainda tem o Mundial de Clubes para disputar.

Até o fim do ano, Gabriel entrará em campo em mais três oportunidades, sendo uma pelo Brasileirão e duas pelo Mundial de Clubes. O primeiro compromisso será contra o Santos, marcado para às 16h do próximo domingo. Já no Qatar, atuará na semifinal e final (ou disputa de terceiro lugar) do torneio.

GABIGOL PELO FLAMENGO

- Jogos realizados: 56
- Gols marcados: 43.
- Assistências:  11.
- Títulos:  Carioca 2019, Brasileiro 2019, Libertadores 2019
- Artilharias: Brasileiro 2019, Libertadores 2019

Desempenho em competições

- Na Libertadores: 12 jogos, seis vitórias, três empates e três derrotas.
- No Brasileirão: 27 jogos, 20 vitórias, cinco empates e duas derrotas.
- Na Copa do Brasil: quatro jogos, duas vitórias e dois empates.
- No Campeonato Carioca: 12 jogos, nove vitórias, dois empates e uma derrota.

GUERRERO PELO FLAMENGO

- Jogos realizados: 115 (inclui os três não-oficiais da Primeira Liga).
- Gols marcados: 43.
- Assistências:  13.
- Título: Carioca 2017
- Artilharias:  Primeira Liga 2016 e Carioca 2017

Desempenho em competições

- Na Libertadores: seis jogos, três vitórias, três derrotas.
- Na Copa Sul-Americana: cinco jogos, duas vitórias, um empate e duas derrotas.
- No Brasileirão: 61 jogos, 25 vitórias, 20 empates e 16 derrotas.
- Na Copa do Brasil: 12 jogos, cinco vitórias, três empates e quatro derrotas.
- No Campeonato Carioca: 24 vitórias, 16 empates e seis derrotas.
- Na Primeira Liga: quatro jogos, três vitórias, um empate.

EXTRA GLOBO: Marcello Neves

O corajoso torcedor que enfrentou a forte chuva que caiu ontem no Rio de Janeiro queria festejar no Maracanã. Era o momento de dar o último ‘abraço’ antes do rubro-negro viajar ao Mundial de Clubes e também pedir pela permanência dos ídolos. Felizmente, o Flamengo retribuiu o carinho goleando o Avaí por 6 a 1, em noite recheada de emoções.

Não foram poucos os cantos de “fica, Gabigol” e “fica, Mister” vindos dos 69.090 presentes. Até bandeiras foram customizadas especialmente para clamar pela permanência da dupla. O jogo pouco importava esportivamente, mas valia muito sentimentalmente.

Arrascaeta, Rafinha, Everton Ribeiro, Gabigol e Piris da Motta no Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
Mesmo que a cabeça do Flamengo já esteja no Mundial — apesar de Jorge Jesus, escalou apenas quatro titulares, não admitir —, era preciso fechar com o chave de ouro o ciclo num Maracanã que sediou tantas alegrias ao longo deste “ano mágico”.

As poças de chuva no campo atrapalharam, mas nada podia impedir o campeão de bailar diante do lanterna. A começar com Arrascaeta, que marcou após cobrança ensaiada de falta, a mesma que deu certo contra o Vasco.

O susto no empate do Avaí, em chute feliz de Lourenço, logo foi ignorado pelo golaço de Diego. Tudo preliminar para o momento mais marcante — e de lágrimas.

Gabigol, ao marcar seu 43º gol no ano, beijou o escudo e o gramado do Maracanã, um gesto comum despedida.

— Espero que esse carinho continue independente do que aconteça — indagou.

A vitória virou goleada quando Lincoln marcou o quarto e Reinier fechou a conta com o quinto e o sexto. Os aplausos merecidos após o apito final vieram juntos de um recado para o Mundial: “Liverpool, pode esperar, a sua hora vai chegar”.

GLOBO ESPORTE: A linha emocional que separa alegria e tristeza nunca foi tão tênue no Flamengo como em 2019. No mesmo ano em que viveu na base uma tragédia sem precedentes, a maior de seus 124 anos de vida, o clube vai fechar dezembro com a temporada de maior sucesso de sua história somando todas as categorias. Dez meses depois do incêndio que matou 10 jovens no alojamento do Ninho do Urubu, o Rubro-Negro atinge um feito inédito no país: unificou os títulos brasileiros sub-17, sub-20 e profissional.

O Brasileiro Sub-20, conquistado no último domingo após a vitória por 3 a 0 sobre o Palmeiras em Cariacica (ES), foi o 21º título da base rubro-negra em 2019. Já igualou o recorde do clube do ano passado, só que agora com conquistas mais expressivas entre as categorias sub-16 e sub-20.

Flamengo foi campeão Brasileiro sub-17, sub-20 e profissional - Foto: Alexandre Vidal / Marcelo Cortes
Os títulos da base rubro-negra em 2019:

Sub-20
Campeão Taça Guanabara
Bicampeão Torneio OPG
Bicampeão Carioca
Campeão Brasileiro

Sub-17
Campeão Brasileiro
Campeão MU Summer Tournament (Inglaterra)
Campeão Taça Rio
Sub-16
Campeão Puskas Kupa (Hungria)
Bicampeão Mundial (Dubai)
Campeão Verona Cup (Italia)

Sub-12
Campeão IberCup Porto Alegre
Campeão IberCup São Paulo
Campeão Carioca de Futsal
Campeão Metropolitano 2019

Sub-11
Campeão Taça Os Donos da Bola
Campeão Futsal Torneio de Camburiú

Sub-10
Campeão Copa Dente de Leite
Campeão Carioca de Futsal

Sub-9
Campeão Go Cup

Sub-7
Campeão Novos Talentos
Campeão Carioca

O sub-16, com Caíque Tocantins e Samuel, jovens que escaparam ilesos do incêndio, ganhou três títulos internacionais. Entre eles, o bicampeonato do Torneio de Dubai, considerado o Mundial da categoria. Venceu times como Real Madrid, Porto, Milan, Arsenal e Manchester United.

Tem ainda a final da Supercopa Sub-17 nesta quinta-feira, na preliminar de Flamengo x Avaí no Maracanã, e a Supercopa Sub-20 (que vale vaga na Libertadores Sub-20) nos dias 19 e 22 de dezembro. Chances de ampliar o próprio recorde em um fim de temporada de orgulho para essas categorias, algo impensável após um início tão trágico.

Como tantos jovens, que viveram de perto toda a tragédia e perderam amigos, recuperarem a alegria de jogar futebol tão rapidamente? Superar não seria a palavra correta, até porque o incêndio ainda está muito vivo no dia a dia da base do Flamengo e é tema recorrente entre todos.

Mas o clube aprendeu a conviver com a dor e se unir a ela. O lema "do luto à luta", criado para trabalhar o lado psicológico de todos após o que aconteceu em fevereiro, saiu da teoria para a prática.

– Ninguém vai esquecer isso, de jeito nenhum. Até as pessoas que estão chegando agora perguntam como foi e tal. Na semana seguinte, fomos obrigados a sentar todos: "E aí, como vai ser? O que a gente vai fazer?" Temos que preparar uma forma que todos os profissionais têm que participar e entender que a vida segue. A gente não vai esquecer. Cada vez que ia para um torneio via os jogadores lembrarem, agradecerem, chorarem... – disse o vice-presidente de base, Vítor Zanelli, segurando as lágrimas:

– A gente sabia que eles estavam levando pelo lado positivo e que o ano iria ser bom. Ninguém vai esquecer, tem que jogar por eles como temos feito.

Gerente das categorias de base rubro-negras, Eduardo Freeland trata a tragédia como o pior momento que ele viveu, não só profissionalmente. O dirigente, no entanto, fez coro a Zanelli para destacar a força-tarefa no clube para seguir em frente:

– Foi o momento mais difícil da minha vida. Mas fez com que a gente criasse uma unidade ainda maior no clube. Foi muito bonito, depois de tudo o que aconteceu, ver a entrega dos profissionais, dos meninos. Impressionante como conseguimos reconstruir e reestruturar tudo. Foi um ano muito difícil, por um tempo não podíamos entrar no Ninho, mas gerou uma superação absurda. Acho que todos entenderam que a responsabilidade cresceu por tudo o que estamos representando e jogando pelos meninos.

– Foi muito duro, mas também muito bonito. Dá muito orgulho terminar 2019 como estamos terminando.

Planejamento, metodologia e aposta no futsal

Há três anos o Flamengo conta com a consultoria da Double Pass, empresa belga especializada em categorias de base, que colaborou para a formação da badalada geração belga, além da reformulação do futebol alemão.

Além disso, entre os pilares da rápida reconstrução, o planejamento teve papel essencial para o fim de ano recheado de títulos. Por exemplo, ter montado três times diferentes e competitivos no sub-20 mesclando forças, o que possibilitou a conquista de três competições simultâneas nas últimas semanas: OPG, Carioca e Brasileiro. Para isso, abriram mão de jogar um campeonato, como explicou o vice de base:

– Fizemos algumas coisas "fora da caixinha". Por exemplo, decidimos não participar dessa Copa RS, que é um excelente campeonato, tem visibilidade muito boa, nível de competição altíssimo, mas nós abrimos mão para ter um dezembro tranquilo de preparação para a Copinha, e sabíamos que poderia atropelar o Brasileiro. Não deu outra. E isso decidimos lá em março.

Além do foco na Copinha em janeiro, o sub-20 rubro-negro deve ser bastante requisitado em 2020 pelo profissional para jogar o Campeonato Carioca. Isto porque o time principal entrará de férias mais tarde esse ano e será forçado a atrasar a próxima pré-temporada, paralela ao Estadual.

Levar os jogadores para competir em nível internacional é outra estratégia de planejamento para dar mais bagagem aos garotos. O Flamengo tem competido nos últimos anos de vários torneios de base na Europa e no Oriente Médio.

Outra aposta interna promovida por Zanelli, ex-jogador de futsal do clube, é no salão. O dirigente ampliou em mais duas categorias do Flamengo nas quadras, o sub-15 e o sub-17, e aumentou a integração delas com o campo, ganhando mais tempo para habituar jogadores mais técnicos e rápidos no gramado.

– Dentro do futsal você trabalha a velocidade de raciocínio, parte técnica, então você consegue captar atletas que sejam inteligentes e habilidosos. Hoje nosso trabalho com futsal e campo são complementares. Começamos com o sub-6 no futsal e vamos aumentando a participação no campo até inverter e ficar só no campo. Tínhamos só até sub-13, não tinha captação entre 14 e 17 anos.

Toda a base conta com uma metodologia ofensiva, refletida em números expressivos. O sub-20, sob o comando do técnico Maurício de Souza, fez 142 gols em 79 jogos no ano. O sub-17, 105 gols em 61 partidas. Os dois times ainda contam com os artilheiros nacionais em 2019 de suas respectivas categorias: Rodrigo Muniz com 28 gols e Lázaro com 25, respectivamente.

– Hoje temos uma metodologia, uma forma de jogar única. Algumas vezes fico na televisão e vejo falarem: "Influência do Jorge Jesus já na base". Não é influência, é o DNA do Flamengo. Querer fazer gol sempre, ser protagonista do jogo. Tem que ter esse foco para preparar o jogador para o grande desafio de chegar ao profissional muito bem preparado.

Zanelli também está à frente da recém-criada base de futebol feminino e promete melhorar a estrutura para as jogadoras do Flamengo, que em seu primeiro Brasileiro Sub-18 terminaram na quinta colocação. Neste mês, elas vão disputar o Brasileiro Sub-16. A meta é conseguir repetir o sucesso dos garotos do Ninho com as meninas.

Investimento e captação

Pela primeira vez com um vice-presidente de futebol de base, o Flamengo tem aumentado ano a ano o investimento nas categorias. Neste ano, a garotada herdou o antigo módulo profissional no CT, com estrutura melhor do que a maioria dos clubes profissionais da Série A.

O orçamento anual é de aproximadamente R$ 16 milhões. O que ajuda na captação de reforços para a base. Neste ano, por exemplo, o Flamengo comprou 50% dos direitos econômicos de Matheuzinho por R$ 1,2 milhão. O lateral-direito estava no time profissional o Londrina e chegou para suprir a perda de Wesley Gasolina, que não renovou contrato e foi para a Juventus, da Itália.

Coincidentemente, o Flamengo tem feito a contratação de jovens que figuram entre os profissionais de outros clubes para reforçar seu time sub-20. Além de Matheuzinho, aconteceu também com o zagueiro Chico e o volante Diogo (ambos do Americano), e o atacante Guilherme Bala (do Madureira). Freeland tratou como pontual o perfil e não considera que isso seja uma tendência.

– Temos uma verba em orçamento separada para a aquisição de jogadores na base, que tem aumentado ano a ano. Mas basicamente queremos contratações muito pontuais. Gostaria de em alguns anos nem precisar usar essa verba. Se tivermos a base cada vez mais estruturada, não teremos tanta necessidade de trazer um Matheuzinho, por exemplo.

– Nossa ideia não é contratar por contratar, isso não faz muito sentido na base. Temos que desenvolver esses meninos com a cara do Flamengo e pontualmente contratar alguns destaques – ressaltou.

A diretoria rubro-negra ampliou o número de observadores, os famosos "olheiros", para 14 (11 somente na base), e eles se dividem para monitorar jovens talentos pelo Brasil. Além disso, o clube está fazendo parcerias com clubes de bairro e a Prefeitura do Rio para fazer captação nas vilas olímpicas da cidade.

– Nós fazemos captação a partir dos seis anos. O que pegamos esse ano? "Vamos ampliar isso, buscar novas parcerias porque o funil é muito grande". Objetivo é cada vez mais aumentar a área para ter onde buscar jogadores. Hoje temos uma parceria com o município, e em um ano vamos atingir 3.600 jovens diretamente. Até então, nosso maior celeiro, que é nossa peneira no Cefan, atingia de 2.000 a 2.300.

– A gente sabe que 20% dos jogadores é que chegam, mas nós queremos que cheguem 40%, 50%. A nossa expectativa é conseguir avaliar em torno de 10.000 atletas por ano entre 2020 e 2021.

O Flamengo também está voltando olhares para o mercado estrangeiro, onde compete com grandes clubes europeus atrás de joias sul-americanas. Na semana passada, por exemplo, o Rubro-Negro enviou um observador técnico para acompanhar de perto o Sul-Americano Sub-15 em Assunção, no Paraguai.

E as apostas internacionais já começaram, sendo a Colômbia do ex-rubro-negro Cuéllar o alvo inicial: de lá vieram o atacante Luis Caicedo "Mesu" e o meia Richard Ríos, de 18 e 19 anos, respectivamente. O primeiro não vingou e já deixou o clube, mas o segundo, destaque no futsal de seu país, correspondeu às expectativas e tem sido titular na maioria das partidas no sub-20.

Frutos imediatos e a longo prazo
A base tem sua temporada mais vitoriosa, mas não é de hoje que o Flamengo colhe frutos. Nos últimos três anos, o clube arrecadou cerca de R$ 440 milhões em vendas de pratas casa, valor que contribuiu para investimentos pesados no profissional.

Vendas como as de Vinicius Junior e Paquetá permitiram que a diretoria fosse forte ao mercado e montasse o elenco campeão brasileiro e da Libertadores.

– Nosso foco é entregar o melhor jogador que podemos entregar. Temos dois desdobramentos, que é o retorno esportivo, como Reinier e Vinicius Junior deram, e o retorno financeiro, que é uma realidade do futebol brasileiro. Saber que os números estão chegando nesse montante é motivo de orgulho porque mostra que os jogadores que estamos formando estão chegando a esse nível mundial – disse Freeland.

Jesus de olho em novos talentos
E a fábrica não para. Reinier e Lincoln são nomes com mercado na Europa. Especialmente o primeiro, alvo constante de assédio. Aos 17 anos, renovou no mês passado com o Flamengo até 2024. Em contrapartida, sua multa caiu para 35 milhões de euros. Mais cedo ou mais tarde, sua venda parece ser questão de tempo. No entanto, há sempre novos nomes na fila.

Dos 30 inscritos na decisão da Libertadores, 13 foram formados na base. E em 2020 o profissional deve ter novas caras incorporadas gradualmente. Nomes como Vitor Gabriel, Hugo Souza e Vinicius Souza já figuram no time principal, mas serão promovidos definitivamente. O meia Yuri César, o atacante Rodrigo Muniz e os laterais Ramon e Matheuzinho trilham pelo mesmo caminho, mas ainda têm idade para mais um ano na categoria.

Há também a safra do sub-17, com Lázaro, Daniel Cabral e Gabriel Noga. O trio, que inclusive já participa de jogos do sub-20, é observado com carinho. Apesar de o clube ter cautela para não se precipitar e pular etapas, não está descartado que eles em breve repitam a trajetória de Reinier, da mesma geração.

– O Carlos Noval (coordenador de transição) tem feito esse trabalho e conversa bastante com o Jesus e a comissão técnica. Estamos mandando por semana de 10 a 12 jogadores para treinarem com o time principal. Obviamente, ele focou no profissional e entregou muito bem os resultados. Mas Jesus e João de Deus estão sempre levando nossos jogadores e observando – elogiou Freeland, dando exemplos:

– O Vitor Gabriel desce para nos ajudar, mas já é jogador do profissional, assim como o Hugo Souza, o Vinicius Souza, que vem sendo aproveitado. É mérito dos meninos, que têm mostrado o valor deles.

Porém, não é fácil conseguir um lugar no time profissional. Com investimento pesado em jogadores renomados, o Flamengo foi campeão brasileiro e da Libertadores sem jogadores da base no time titular. Um desafio a mais para a garotada, mas Freeland aponta para o lado positivo da concorrência:

– Eles sabem que vão competir com jogadores muito bons. Para nós é ótimo ter Rafinha, Filipe Luís, Gerson, Gabigol, Bruno Henrique... Porque eles sabem que terão de brigar lá em cima. Talvez isso diminua um pouco o espaço dos meninos, mas faz com que a gente eleve o nosso sarrafo.

– É natural que isso eleve o nosso nível. E se estamos no Flamengo e temos que ter excelência em tudo, também temos que elevar o nosso nível na base. Diminui um pouco o espaço, mas eleva em qualidade.

UOL: O Flamengo foi notificado pela Conmebol e terá de responder pela entrada de crianças no campo do Monumental, palco da decisão da Libertadores, que aconteceu em Lima, no Peru. Durante a comemoração e a festa do título, meninos e meninas, grande parte familiares dos jogadores, entraram no gramado, violação prevista nos regulamentos da entidade. O time comandado pelo técnico Jorge Jesus venceu por 2 a 1, de virada.

O mais provável é que o Rubro-Negro leve uma multa no valor de 15 mil dólares (R$ 62,7 mil), já que foi a primeira infração do Flamengo neste sentido. A Unidade Disciplinar poderia até adotar penas mais pesadas, mas é improvável que imponha aos atuais campeões uma pena maior que um "castigo" financeiro.

Jogadores do Flamengo com os filhos na comemoração da Libertadores - Foto: Alexandre Vidal
Campeão da Libertadores, a equipe estreia no Mundial de Clubes no dia 17, contra o vencedor do duelo entre Al Hilal, da Arábia Saudita, ou Espérance, da Tunísia. Caso chegue à decisão, o luta pelo título será no dia 21.

Logo mais, pelo Campeonato Brasileiro, o já campeão Flamengo encara o Avaí, que está matematicamente rebaixado. No domingo, pela última rodada da competição nacional, o time visita o Santos, na Vila Belmiro.

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