Equilíbrio só não basta no futebol

O GLOBO: Por Fernando Calazans

Existe uma corrente de admiração e elogios em relação ao atual Campeonato Brasileiro, porque, como dizem, ele está muito equilibrado. Está mesmo. Pena é que, em relação à qualidade do futebol, certamente o que mais importa, não aconteça o mesmo. Pelo nível do futebol, a competição não está nada atraente. Ao menos para aqueles que mantêm um certo grau de exigência. Para os que pouco ligam para ela — a qualidade — , tudo corre muito bem.

Equilíbrio na disputa, simplesmente equilíbrio e nada mais do que ele, pode acontecer tanto na Série A quanto nas Séries B, C , H, Y ou Z. Ou no futebol do Aterro. Pode acontecer tanto nas primeiras colocações, na luta do G-6 pelo título e pela vaga na Libertadores, quanto nas últimas posições, na luta do Z-4, contra o rebaixamento. Basta ver a classificação do campeonato na parte de cima e na de baixo.

Time do Flamengo com César no gol e Uribe titular - Foto: Staff Images
É lógico que o equilíbrio contribui — e muito — para a atração e o interesse da competição. Mas a qualidade e o nível técnico não podem ser relegados a segundo plano. Afinal, mais do que o Campeonato, é o futebol brasileiro que está no campo.

Um dos jogos que mais atraíram a minha atenção, na última rodada do Brasileiro, foi São Paulo x Palmeiras, justamente por reunir dois dos times mais bem colocados. É claro que não faltaram espírito de luta, empenho, competitividade, mas, no aspecto técnico, foi uma decepção só. Ainda mais do lado do São Paulo, que perdeu de 2 a 0. O Palmeiras, mesmo sem brilho, mostrou mais organização e, sobretudo, poder de decisão. O São Paulo mal incomodou a defesa adversária, com um chute só na direção do gol, durante o jogo inteiro. Isso aqui não se trata de desprezo nem de desrespeito a dois times cujos nomes dizem tudo sobre suas histórias no futebol. Mas, se eles, ambos no G-4, estão assim, imaginem os outros. É o nosso futebol, cujo estágio está delineado nesta edição do campeonato.

Em outro grande clássico nacional, a diferença foi maior. O atual campeão brasileiro, Corinthians, perdeu de 3 a 0 para o Flamengo, em sua própria casa. Um Corinthians irreconhecível, contra um Flamengo à moda dos últimos anos no primeiro tempo, e com um dedo aparentemente do Dorival Júnior no segundo, quando fez seus três gols. O futebol brasileiro tem coisas assim, bem típicas: Dorival Júnior estreou no Flamengo na rodada anterior, exatamente no dia seguinte à sua apresentação, sem ter dirigido um treino sequer. Para este seu segundo jogo, teve quatro dias de trabalho: um privilégio, tratando-se da forma como o Flamengo troca de treinadores em horas impróprias! E bateu o Corinthians com três gols.Para onde teria apontado o dedo do Dorival? O time foi mais ofensivo, mais ambicioso, mais dedicado ao ataque. Como mostrou Lucas Paquetá, no plano individual, com seus dois gols. O outro foi de um lateral, Renê, chegando mais próximo da área.

Tampouco chegou a ser uma exibição de alto nível do Flamengo. Apesar de uma certa melhora na postura, o time mostrou algumas deficiências que vêm de longe. Todas três, bem irritantes: a quantidade de passes para trás, incluindo as bolas atrasadas para o goleiro; outra quantidade de cruzamentos a esmo na área adversária, como quem quer se livrar da bola; e, finalmente, outras muitas bolas que atravessam até a pequena área do rival, de um lado para o outro, sem que alguém apareça para a finalização.

Neste caso, faz muita falta o centroavante que o Flamengo não tem desde a saída de Guerrero. E nem sou tão fã assim dele. Pelo contrário, discordo até de uma certa exaltação que sempre fizeram ao futebol do peruano. Mas, centroavante, isso ele era. Depois, ninguém se apresentou como tal. Nem Henrique Dourado, nem o garoto Lincoln (que ainda tem muito futebol pela frente), nem o experiente Uribe.

Eis algumas das questões que Dorival Júnior vai ter que trabalhar para que o Flamengo seja, no futebol, o que sua diretoria nunca conseguiu concretizar.

Leio estupefato: o Vasco conseguiu pacificar e unir todas as suas correntes políticas. Todas. Até a de Eurico Miranda, imaginem só. “Fato histórico”, como foi sentenciado no clube. Torço para que dê certo, e que o Vasco — unido — possa retomar seu trono no futebol brasileiro.

O atual campeão brasileiro, Corinthians, perdeu de 3 a 0 para o Flamengo, em sua própria casa.

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