Psicólogo vê mudanças no Flamengo com a chegada de Dorival

COLUNA DO FLAMENGO: Por: Venê Casagrande

Dorival Júnior, ao chegar no Flamengo para iniciar sua segunda passagem pelo clube como treinador, encontrou um cenário emocional devastador: jogadores cabisbaixos e com a autoestima no chão. O que fazer para melhorar? É aí que entra em cena o “reforço oculto” do técnico: Alberto Filgueiras, psicólogo do clube. Preocupado, o comandante conversou com Alberto para iniciar o processo de melhoria nesse quesito.

Na beira do campo, após o treino da última terça-feira (8), e depois dos gritos de cobrança dos jogadores um com o outro durante a atividade, Alberto Figueiras conversou com a reportagem do Coluna do Flamengo e deu detalhes do cenário encontrado por Dorival Júnior no primeiro jogo pós-eliminação da Copa do Brasil, contra o Bahia, no dia 29 de setembro.

Foto: Gilvan de Souza
— Ele (Dorival) percebeu essa dificuldade na autoconfiança, principalmente no vestiário. Ele chegou no dia do jogo contra o Bahia, e assim que ele chegou, ele veio conversar comigo para perguntar o que estava acontecendo. Todos os clubes em que ele passou, teve psicólogo, importante pontuar. E começamos a trabalhar na questão da autoconfiança. Não existe outra forma de dar confiança a não ser aqui, no dia a dia. Nosso treino está mais vibrante, muito mais falante. É exatamente essa fala, essa comunicação e o apoio de um atleta com o outro que a gente tem reforçado todos os comportamentos positivos. A gente está reforçando um apoio de coesão. Isso é um processo lento. Não é um processo que vai estalar o dedo e vai mudar de um dia para o outro.

Com o revés na Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro é visto como a última cartada para salvar o ano. A panela de pressão aumentou, e Alberto Filgueiras é o responsável por não deixar a cobrança atrapalhar o desempenho dos atletas. Mas, para o psicólogo, a eliminação para o Corinthians não foi o primordial para a queda de autoestima do elenco.

— Na verdade, se a gente for pegar o retrospecto, a dificuldade que os jogadores estavam enfrentando parece ser autoestima, mas isso já vinha de antes. Não foi a queda na eliminação na Copa do Brasil a causa exatamente disso. A gente já vinha tendo uma queda de performance. Isso foi se agravando ao longo do tempo, com os resultados. A grande questão é que você tem o mesmo desafio de quando você está com a autoestima baixa, é o mesmo desafio para alavancar a autoestima. Quando você está com a confiança alta, você lida com isso.

Confira abaixo outros trechos da entrevista com Alberto Filgueiras:

Teve algum jogador específico que precisou de uma orientação diferenciada no pós-eliminação na Copa do Brasil?

— A gente tem como política não fazer comentário sobre jogador específico. O que posso dizer é que todos sentiram a eliminação. Eles também sentiram dificuldades em jogos como São Paulo, aqui no Maracanã, atacaram, bateram, mas em um contra-ataque levaram gol. Como processo e como convicção, a psicologia ouve o que o Flamengo é. O Flamengo é domínio. O Flamengo é ser intenso. É estar o tempo todo com o comportamento vibrante.

Rodinei é um jogador que, muitas vezes, inicia a partida vaiado por parte da torcida presente nos jogos. Está fazendo algo especial com lateral?

— A vaia é algo comum em todos os esportes. Eu trabalhei muito tempo com vôlei. Era a mesma coisa. A gente começa a trazer essa possibilidade para avaliar qual vai ser a reação do jogador. Nem sempre a mesma pessoa vai ter a mesma reação. O Rodinei, eu não vou falar especificamente dele, pela nossa política. A gente trabalha e analisa a demanda e, a partir disso, a gente faz vários processos para que ele possa lidar com isso. O nosso objetivo é mostrar para o jogador que o torcedor é parte do espetáculo. Sem o torcedor, a gente não existe.

Vitinho foi contratado com status de jogador mais caro da história do Flamengo, mas ainda não engrenou. Acredita que a questão psicológica pode estar pesando nas atuações do atacante?

— A gente não fala especificamente de um atleta. O que posso dizer é de uma forma geral. O cérebro humano é o órgão que controla o seu corpo. Todo atleta, no seu cérebro, uma região que é responsável pelos movimentos. Só que o cérebro também é responsável peldos controles da emoção. O cérebro concentra grande parte das atividades humanas. Então dizer que qualquer coisa afeta o psicológico é uma verdade. Fazer um gol vai afetar o psicológico. Você tentar e não acertar também vai afetar. Todos os atletas precisam trabalhar o cérebro. E o profissional responsável por estudar esse órgão é o psicólogo. A ideia é essa: olhar para cada um individualmente e ver o que é preciso ser feito. Isso é um processo científico e sem invenção. A gente tenta da melhor maneira possível e com paciência.

Por falar em paciência… Os centroavantes vivem fase ruim, e Dourado foi o último a marcar, há quase dois meses. Acredito que eles estejam ansiosos para acabar com esse jejum. Você conversa com eles (Lincoln, Dourado e Uribe) para não deixar essa ansiedade atrapalhar em campo?

— Eu trabalho com todos eles. Os três fazem parte desse grupo. A gente tem trabalhos associados à ansiedade. A gente chama de controle das emoções. Digamos que você tenha um companheiro de time que está fazendo muitos gols. Você vai querer dar mais passes para ele ficar feliz e, consequentemente, você ficará feliz. Nem sempre essa é a melhor decisão. Ou seja, nem mesmo o altruísmo vai ser bom no futebol.

No Flamengo, o CEP Fla adota o esquema de “arquitetura cultural” com os jogadores. Pode explicar como funciona esse método da psicologia?

— Imagina um organograma de uma empresa. Você tem o presidente, os diretores e os funcionários. Mesma coisa acontece dentro do campo. A gente tem o diretor, que é o nosso capitão, o Réver. Mas ninguém vê a liderança exercida por outros jogadores no campo, que a gente chama de arquitetos culturais. A gente escolhe um responsável por outro jogador dentro de campo diretamente. Ao ser responsável, ele pode elogiar e também cobrar. A escolha depende da aproximidade dos jogadores. Não faz sentido botar o Rodinei para ser responsável por Vitinho. Depende da organização no campo. Essa é uma técnica utilizada há pelo menos 20 anos. Foi usada, inclusive, na Copa do Mundo de 2002, pela equipe de psicologia da Inglaterra.

Réver, então, é o capitão do time pelo lado psicológico?

— Também. É um dos fatores. O treinador pode chegar e mudar. Eu sou uma fonte de informação. A função do CEP é passar embasamento para que o treinador tomar a decisão.

Alberto Filgueiras, psicólogo do clube. Preocupado, o comandante conversou com Alberto para iniciar o processo de melhoria nesse quesito.

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