"Centro de inteligência do Flamengo é burro", diz Marcelo Vargas

O GLOBO: Marcelo Vargas, da chapa branca, é conselheiro do Flamengo, tem nove anos de Conselho Fiscal, oito anos de Conselho Deliberativo, e é o candidato do grupo Flamengo, Tradição e Juventude nas eleições do dia oito de dezembro. O candidato se diz a real oposição no clube e afirma que vai mudar toda a filosofia de, segundo ele, pensar o clube sob o prisma da gestão financeira.

O GLOBO: Em 2012 o perfil de gestão do Flamengo mudou e veio para ficar. Você quer ir contra esse modelo?

Flamengo não é empresa. O objetivo é superávit esportivo. Tem que ser aplicado no clube. Com margem, claro. Mas não tem que comemorar superávit, tem que reinvestir no clube, no futebol, parte social, olímpico, estrutural. Primeiros pelos resultados, não deu certo. Flamengo teve perdas desportivas e patrimoniais. O Flamengo vendeu a Casa de São Conrado e o Morro da Viúva. Ah, mas eles eram deficitários. Ok. Poderia fazer uma permuta com o estádio, um projeto para otimizar o espaço. Os valores que vendidos estão abaixo do mercado. Perdemos patrimônio. Ah, mas e o Ninho do Urubu? Fizeram um puxadinho, obras pontuais, não agregou patrimônio. A parte desportiva eles não entendem nada.

Marcelo Vargas - Foto: Divulgação
Por quê você se sente preparado para assumir o clube?

Porque eu tenho experiência de ser presidente do CopaLeme, clube que peguei destruído e hoje é punjante, vai muito bem. Fui presidente de torcida organizada, vivi o Flamengo na arquibancada durante minha juventude, tenho experiência de Flamengo, vivi o Flamengo, meu pai era sócio-patrimonial . Fiz Escolinha do Zico, conheço o Flamengo desde criança. Tenho 11 anos de vida política no clube. Nove anos de Conselho Fiscal, Oito anos de Conselho Deliberativo. Bagagem que nenhum candidato tem. Conheço amplamente o que é dirigir o clube. Conheço cada ponto da política do Flamengo. Eles estavam juntos no poder.

O que tem que voltar ao que era antes e o que tem que permanecer?

A guerra política que o Flamengo virou. O Flamengo é um Afeganistão, Síria. Eles conseguiram dividir o clube. Isso está no projeto de alteração estatutária deles. Dividir o Flamengo em Fla Futebol SA. Só o torcedor que paga o sócio-torcedor que paga para ir ao jogo é que vai ser visado. O sócio-político, que só vai lá para votar, não tem acesso ao jogo e a parte social. E o sócio-social, que só vai na piscina, não vota nem vai a jogo. Em vez de integrar e unir fica dividindo em castas. Foi o erro principal e isso tem que acabar. Peguei muita eleição quente, mas suja igual a essa é vergonhoso. Pedi para a gente debater Flamengo e eles dois ficam, Landim e Lomba, são duas faces da mesma moeda. Temos um clube esfacelado politicamente.

A questão financeira não os absolve?

Não absolve. Eles tiram o número de contexto e jogam para a galera de forma irresponsável. Ter R$ 800 milhões no próximo triênio me preocupa. Já vi balanço do Marcio Braga, da Patrícia Amorim, do Bandeira. Se analisar os que eles gastaram no futebol ano passado, 350 milhões, vai ficar devedor. Temos contratos longos. Eles oneram demais o departamento. Se comparar com o passado, vamos ficar devendo 250 milhões. Esse número que eles jogaram pra galera não é para comemorar. É muito pouco. Estão gastando mais que arrecadando. E estão deixando os esqueletos azuis. Vou fazer uma auditoria no clube para saber a real condição das finanças.

Aproveita-se alguma coisa da gestão Bandeira?

O marketing pessoal deles. Mas não da forma que eles fazem. Se auto-elogiam de forma fácil. Tem matéria no New York Times como título de campeão do mundo. Não quero isso para o Flamengo. Eu libero o nome Flamengo para eles, eles abrem uma corretora, tenham os lucros deles. Para quê vou botar ação na bolsa de valores? Imagina essa briga do Diego Alves. Ia cair. Futebol é uma coisa, área financeira é outra. Tem que ter expertise de gestão de clube. E responsáveis na parte financeira.

Por quê nesses anos não se conquistou títulos expressivos na sua visão?

De seis anos, quatro não ganharam nada. Ganharam a Copa do Brasil com o time da ex-presidente. Com o Brocador, que na campanha foi achincalhado. E dois Cariocas. E mandaram o Jayme de Almeida embora, que ficou sabendo pelo vendedor de água de coco na praia. Eles não têm respeito com as tradições do clube, não entendem nada de futebol, e tem que aprender de relação humana. Tratam as pessoas sem dignidade. Se o vice-geral dele está acabando a gestão dessa forma... o candidato dele está contra ele. Primeiro tem que gerir pessoas, eles não sabem.

O grupo de vocês é antigo no Flamengo, mas tem personagens controversos, que sofreram acusações no clube. Há como resgatar a imagem de personagens como Capitão Léo?

O grupo Tradição e Juventude é a renovação respeitando a tradição; Trazer de volta o perfil rubro-negro. Temos pessoas ligadas a arquibancadas, mas o grupo é plural, de várias camadas da sociedade e do Flamengo. Sofremos uma perseguição política. Fomos o único contraponto a essa onda azul. A unanimidade é burra, tem que ter oposição. Fizemos esse papel. Esse grupo que lá está, nos pegaram como inimigos. E tivemos alguns dos nossos componentes perseguidos e excluídos de forma covardes. Eles podem voltar, tem ações na Justiça. Dentro do clube já extrapolou o assunto. Mas o grupo não parou seu trabalho.

Como foi ser oposição esses anos?

Difícil. Pegava o microfone sozinho. Quando chegávamos ao Deliberativo, pessoas que eram arredias viam que nossas ideias tinham a ver com os sócios. Ficamos sozinhos nessa batalha. Queria estar errado e assumir que o Flamengo foi para outro patamar, mas não. Perdeu desportivamente, patrimonialmente. E agora eles estão aí se matando na internet. Foram um fracasso na parte esportiva e política. Me orgulho em liderar esse processo. Muitas pessoas de outros grupos falaram conosco. Estamos crescendo.

Quais os nomes que vocês têm para anunciar, especialmente no futebol?

Nosso vice de futebol vai ser o Mauro Serra, meu vice-geral, foi tricampeão carioca em 2001, último diretor a ganhar título internacional, a Mercosul. É o único grupo que tem especialidade na área. O nosso supervisor é o Guilherme Kroll, que tem experiência no Macaé recentemente. Conhecem Flamengo e conhecem futebol. Não chegar no clube e terceirizar com empresa belga, coaching do Manchester United. Na prática não resolve. Temos problemas primários, dentro do elenco tem problemas graves, não sabem lidar com seres humanos. O Cuéllar foi cobrar do time mais vontade tomou dura. Tem um pacto que ninguém pode reclamar. Outro perfil equivocado é contratar jogadores sem opinião própria e sem personalidade, que fiquem calados, são introvertidos. Tem que ter líder. No futebol do Flamengo não é diferente. Tem que ter perfil de Flamengo. Repatriar jogador que jogou no Flamengo. E eles só contratam jogadores com idade avançada e problemas físicos da Europa e sul-americanos. E base eles só querem vender. Nosso perfil é outro. Tem que ter projeção que daqui dois anos, qual posição vai aproveitar e qual vai sair para buscar no mercado. Tem que saber quem vai dar jogador. O elenco não é ruim, é mal administrado. Tem que analisar custo-benefício de cada atleta. Se não for bom põe no mercado, tranquilo. E tem que ter criatividade nas contratações, ficar refém de empresário. O nosso centro de inteligência é burro. É muito erro grave. Tem que ver o perfil desse profissional de inteligência, está num ponto nevrálgico. Na minha gestão vai ter vice de futebol, supervisor, e eu vou cobrar. Resultado em curto prazo. Se não for campeão todo ano eu renuncio. Se não ganhar a Libertadores eu não quero reeleição. É básico. É loucura querer ser campeão todo ano? Disputamos quatro competições.

Houve muita troca de treinador. Qual seria seu treinador?

Falta de conhecimento de mercado, de Flamengo e do ser humano. É a gestão MBA. Se não entender Flamengo não dá certo. Quem vai decidir o treinador são o vice de futebol e o supervisor. O perfil que fechamos é rubro-negro. Tem que ter conhecimento de Flamengo.

Não pode ser um cara novo?

Não, no Flamengo não cabe. Tem que ter uma bagagem. Precisa de um técnico experiente. E com experiência em mata-mata. Temos nos apresentado pessimamente nesse tipo de torneio. São raros os anos que perdemos duas finais como ano passado. Esse ano fomos eliminados em dois mata-matas. Tem que saber jogar mata-mata.

Como você lidaria com o caso Diego Alves?

Simples. Mandaria treinar 8h na Gávea, com carinho, aquele calor, do torcedor. Teria uma readaptação, recondicionamento, técnico, físico. Separa ele, no momento não era bom estar junto com o grupo. Ele e todo time de futebol, tem que treinar na Gávea antes de um grande jogo. Não pode ser uma ilha no Ninho do Urubu. Tem que ter, é importante, mas alguns jogos têm que ter apronto para sentir o calor. Tem jogo que o Flamengo entra em campo parece que estava dormindo. Não entra eletrizado como a torcida. Isso vai acabar.

Em que posições o clube precisa se reforçar?

Um setor que todo mundo fala são as laterais. Há laterais abnegados. Tem alegria grande de jogar no Flamengo. Mas eu também vou estar feliz e não tenho condição. Quer perfil rubro-negro com condições técnicas e mentais. É mais difícil que jogar na seleção.

Qual sua visão em relação a estádio? Maracanã é a preferência?

Maracanã, a concessão feita por anulada por sentença. É a decisão que temos. Por isso fomos contra o contrato atual. Estranho no apagar das luzes da gestão Bandeira e Pezão fazer um contrato de dois anos e meio. Perguntei ao presidente a bipolaridade da relação com a Odebrecht. Disse que não sentava com a empresa, meses depois diz que é negociável, sabendo que tinha uma ação para anular. O grupo do Landim votou a favor dos dois anos e meio. Por que? Porque ele quer gerir esse contrato? Estranho. Jamais votaria a favor. É um contrato viciado, relação ruim para o Estado e o Flamengo. E o clube ganha pouco dinheiro. Tem que acabar com o padrão Fifa. Não quero nada de padrão Fifa. Tem que ter setor popular para lotar o estádio. O quadro móvel é um absurdo. Não pode ter empresa de segurança cara, quando tem o Gepe. Além disso tem mil pessoas perguntando se pode me ajudar, encarecendo o ingresso.

Sua relação com a torcida organizada será qual?

Botaram a culpa na torcida pela final da Sul-Americana. Eu fui arrastado pela multidão. Foi uma falta de preparo por causa da incompetência da diretoria. O programa de sócio é uma falácia. Não pode botar culpa na organizada, é mais uma covardia. O programa é uma via crucis para pegar ingresso. Basta um aplicativo, debitar do cartão de crédito ou um carnê.

O candidato se diz a real oposição no clube e afirma que vai mudar toda a filosofia de, segundo ele, pensar o clube sob o prisma da gestão financeira.

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