Respeito o Abel Braga, mas é hora de Renato Gaúcho no Flamengo

GLOBO ESPORTE: Por Janir Junior

Na noite de 8 de dezembro, encerrada a contagem de votos nas eleições presidenciais do Flamengo, uma das primeiras perguntas que o novo presidente eleito terá de responder é uma que já ecoa na Gávea: quem será o técnico para 2019?

Com respeito a Abel Braga - outro nome que agrada bem situação e oposição – Renato Gaúcho é o nome que mais combina com o Flamengo versão 2019.

Flamengo e Renato flertaram em outras situações, mas nunca com cenário tão favorável quanto se desenha agora.

Foto: Lucas Uebel 
Aos 56 anos, mais maduro profissionalmente, o treinador chegaria no início de um novo mandato – podendo também ser o de nova gestão -, no começo de temporada, participaria de contratações, pré-temporada, num clube que hoje vive situação financeira controlada e que permite honrar compromissos em dia.

Uma figura que não está tão nos holofotes é o preparador físico Alexandre Mendes, uma espécie de eminência parda que Renato levaria consigo ao Flamengo. Além de ser um conselheiro e "devoto" desde o início da carreira como treinador, é um estudioso e conhecedor da parte tática.

Em 2003, quando ainda dava os primeiros passos na carreira de treinador, Renato Gaúcho cunhou a frase “Eu não sou mágico” ao reclamar da pouca qualidade técnica do elenco que tinha em mãos no Fluminense. Na ocasião, a torcida - irritada - levou ao estádio uma faixa com a frase “Renato, você não é mágico e nem técnico”.

A faixa tricolor está aposentada. Renato hoje é técnico, e ainda fez algumas mágicas ao levar um elenco do Grêmio com jogadores desacreditados – que voltaram a ter destaque sob o comando de Renato, como Léo Moura, Cícero, Jael – ao título da Libertadores 2017.

Renato ganhou ainda a Copa do Brasil (2016), e Recopa e Campeonato Gaúcho neste ano.

Depois de deixar o Fluminense em 2014, Renato ficou dois anos sem trabalhar à beira do campo. E nada de cursos em clubes europeus. Um treinador que estuda, mas do seu jeito. Assiste a muitos jogos, mas a principal experiência que aflora agora parece ser moldada no Renato jogador, que teve grandes treinadores.

Após a conquista da Copa do Brasil pelo Grêmio em 2016, soltou a pérola: “quem precisa aprender vai para a Europa estudar, e quem não precisa vai à praia”.

E até a praia pesa para Renato. No Rio e no Flamengo, ele está em casa. Os hobbies de Renato são praia - apesar do medo que tem do mar - e futevôlei.

Apesar de acolhido em Porto Alegre, o treinador, em tom de brincadeira, reclama constantemente do frio com amigos próximos. Desde a chegada à cidade em setembro de 2016, o técnico mora em um hotel próximo ao CT gremista, da Arena e do aeroporto. Chamado constantemente de “Alcatraz” por Renato em entrevistas, o treinador seria agora o protagonista de uma fuga de Alcatraz.

Renato voltou ao batente depois de dois anos e manteve traços da sua personalidade. As entrevistas coletivas quase sempre rendem bela manchete. O estilo enérgico à beira de campo, nas palavras e no vestiário seguem iguais. Assim como a autoestima sempre em dia. E em alta.

Renato mantém o estilo fanfarrão.

Dia desses, no meio da resenha com amigo, Renato soltou: "Sabe esse papo aí que estão dizendo que sou o melhor treinador do Brasil, técnico pra seleção brasileira?! Então...é tudo verdade!"
A risada foi estridente. Mas para Renato é mesmo verdade.

Chegaram os cabelos brancos e o aprendizado de contar até 10 em situações que antes explodiria. Renato mudou, deixou para trás um rótulo que quase colou de técnico motivador, passou a ter maior interesse em disciplina tática. É possível ver um time com cara de time. O treinador é capaz de mudar um jogo no decorrer dos 90 minutos. Um time que vai além dos “rachões” que Renato tanto gosta de promover nos treinos.

No Flamengo, Renato seria a opção pelo “novo” depois do universo de técnicos rubro-negros que passaram na era Bandeira de Mello. Foram 14. Bandeira assumiu em janeiro de 2013, com Dorival Júnior como treinador, ainda da gestão Patricia Amorim, e com Dorival encerrará seu mandato.

Os outros: Jorginho, Mano Menezes, Jayme de Almeida, Ney Franco, Vanderlei Luxemburgo, Cristóvão Borges, Oswaldo de Oliveira, Muricy Ramalho, Zé Ricardo, Reinaldo Rueda, Paulo Cesar Carpegiani, Maurício Barbieri e Dorival.

Setorista de Grêmio no GloboEsporte.com, Eduardo Moura acompanha o dia a dia do treinador nos últimos tempos e analisa o trabalho de Renato:

“Os pouco mais de dois anos de comando de Renato no Grêmio são praticamente inquestionáveis. O resultado apareceu, deu cambalhota e dançou na frente de todos. Renato, na figura de treinador e também de ídolo, jogou no vestiário um pensamento vencedor. Esse é um dos seus grandes méritos no comando do clube gaúcho. Tecnicamente sempre teve leituras corretas dos jogos enfrentados - constantemente, o time vencia por alguma jogada montada pela comissão técnica antes do jogo.

Geralmente, os treinos na véspera das partidas são fechados para que Renato trabalhe a parte tática. Algumas vezes com coletivos, algumas vezes com treinos sem adversário. Em grande parte do ano, isso funcionou. Mas a queda de rendimento da equipe após o meio deste ano é nítida em comparação com o próprio Grêmio. Não se verá treinos mirabolantes ou diferentões no dia a dia.

Nos últimos meses, por exemplo, o elenco tem feito quase sempre um trabalho em campo reduzido, com três equipes divididas. A gestão de vestiário do ídolo é irrepreensível - a ver como será em um ambiente muito mais conturbado. O pacote todo do trabalho é muito bom".

E o Abel?

Quando anunciou sua saída do Fluminense, no dia 16 de junho, Abel Braga garantiu que não mais trabalharia em 2018. O motivo foi a morte do filho caçula de forma trágica. O treinador decidiu só voltar a campo na próxima temporada.

Nesse meio tempo, foi sondado pelo Flamengo e declinou do convite para substituir Mauricio Barbieri. Viajou com a mulher Claudia por mais de uma vez. Os últimos dias foram em Punta del Leste, Uruguai, de onde chegou no início da semana. Além do Santos, Abel tem sido procurado por outros grandes times do país.

A oposição mantém Abel no radar em contatos telefônicos, mas o treinador já estuda outras propostas apesar do desejo de dirigir o Flamengo. E mostra certo incômodo com o panorama atual, já que foi procurado mais de uma vez pela situação ao longo do ano e teria recebido acenos de novas conversas ao fim da temporada de ambas as chapas.

Em enquete realizada recentemente pelo GloboEsporte.com, de 104.555 votos Renato recebeu 51.172 (48,94%) contra 34.490 (R$32,99%) de Abel. Mesmo com a saída anunciada de Dorival, ele recebeu 18.893 (18,07%) votos.

O universo de pouco mais de 100 mil torcedores entre milhões de rubro-negros mostra a preferência por Renato, o respeito e apreço por Abel e o reconhecimento por Dorival, que soma sete vitórias, três empates e apenas uma derrota, com aproveitamento de 73,8%.

Mas é a hora do reencontro de Renato com o Flamengo. Sai Portaluppi, entra Renato Gaúcho. Carioca e rubro-negro.

Flamengo e Renato flertaram em outras situações, mas nunca com cenário tão favorável quanto se desenha agora.

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