Título Brasileiro de 2019 renderá R$ 327 milhões ao Flamengo

GAZETA DO POVO: Por Mauro Cezar Pereira

"A chamada “espanholização” do futebol brasileiro não se concretizou. Ela era a “ameaça” apontada por muitos dos que reclamavam da distribuição das quotas pagas pela televisão por direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Imaginavam uma disparada de milionários Corinthians e Flamengo, que mordem, há alguns anos, fatias significativas deste bolo, cuja distribuição vai mudar. E no primeiro momento não parece surgir a solução, pelo contrário.

A tendência é por algo inspirado no modelo da Premier League, que divide metade do dinheiro igualmente entre os 20 clubes da primeira divisão inglesa, um quarto de acordo com a classificação de cada time na temporada anterior e os outros 25% em função do número de partidas transmitidas. No Brasil, 40% da verba de TV aberta e fechada deve ser repartida em partes iguais, 30% pela colocação e 30% pela frequência na televisão.

Torcida do Flamengo provocando o Sport, na Ilha do Retiro - Foto: Staff Images
Na Inglaterra, a temporada 2017/2018 teve o Manchester United vice na Premier League e dono da maior quota: £ 150 milhões. O clube ficou com £ 1 milhão a mais do que o Manchester City, embora este tenha erguido o troféu de campeão. Isso por que os jogos dos Red Devils transmitidos pela TV no Reino Unido foram mais numerosos e lhes renderam £ 7 milhões a mais na comparação com o rival azul da cidade. A menor quota foi do lanterna e rebaixado West Bromwich Albion: £ 95 milhões."


"O clube que mais dinheiro levou ficou com pouco mais de uma vez e meia (1,58) da cifra destinada ao de pior faturamento. Na Alemanha, a Bundesliga registra distância ainda menor, 1,28 entre os extremos. Mas no Brasileirão ela é de 7,4 vezes. Em 2017, Corinthians e Flamengo ficaram com R$ 170 milhões, cada um, enquanto Atlético Goianiense, Avaí, Chapecoense e Ponte Preta receberam pelos direitos de televisão R$ 23 milhões cada.

Números detalhados pela Ernest & Young, com projeções que não animam quem esperava ver o dinheiro da TV no Brasil distribuído como entre ingleses e alemães. Ocorre que o bolo não é mais apenas aquele, da TV aberta, há outras receitas, que gerarão mais aos que têm mais torcida, como o pay-per-view. “A partir do próximo ano haverá a segregação dos direitos internacionais e das placas publicitárias, que permitirão aos clubes negociarem essas propriedades separadamente”, registra o estudo.

As projeções para o período de 2019 a 2021 apontam os dois times mais populares do país mantendo confortável liderança do ranking do dinheiro da TV, em que pese as discussões ainda em andamento com a Rede Globo e a existência de clubes que fecharam acordo com o grupo Turner.  Na avaliação da consultoria, o modelo que deve vigorar nos próximos três anos será “negativo” para Vasco, Grêmio, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Internacional, Botafogo e Fluminense.

No caso do Santos, não se espera mudanças significativas. Os demais deverão sair ganhando, segundo a análise de Ernest & Young. Simulações mostram, por exemplo, o Flamengo campeão brasileiro em 2019 embolsando mais de R$ 327 milhões. Se ganhasse o campeonato deste ano, não chegaria a R$ 180 milhões. Mesmo ficando em 10º ou 16º os rubro-negros ganhariam mais, assim como Corinthians, São Paulo, Palmeiras…  O cenário é inverso para os clubes acima citados entre os que têm projeções negativas."


"O estudo também mostra como seria a distribuição se o futuro modelo já estivesse em vigor no ano passado. Campeões, os corintianos, que levaram R$ 170 milhões, ficariam com R$ 266 milhões, 9,24 vezes mais do que os R$ 29 milhões dos clubes que menos receberiam, Avaí, Ponte Preta e Atlético Goianiense, que ficaram com R$ 23 milhões e teriam R$ 29 milhões cada. Em outra projeção, com base nos resultados do primeiro turno de 2018, o Flamengo, que levou R$ 170 milhões em 2017, teria R$ 263 milhões, ou 9,13 vezes mais do que Ceará e Paraná, ambos com cifras idênticas aos três de pior quota no ano passado.

E não é só. Clubes acostumados a receber parcelas mensais deverão embolsar a parte fixa no começo do ano e a variável no final. Não há como pagar antes o que depende de resultado, assiduidade na telinha e venda de pacotes. Quem não tem finanças organizadas sofrerá com fluxo de caixa, será muito complicado conseguir a manjada antecipação e até mesmo utilizar a receita futura de TV para obtenção de crédito nos bancos.

As cifras vão variar de acordo com a comercialização de pay-per-view e a quantidade de pelejas exibidas nas TVs aberta e fechada. Não se saberá qual o montante no primeiro semestre com mais dinheiro entrando na segunda metade do ano. O abismo continuará… a crescer."

Se ganhasse o campeonato deste ano, não chegaria a R$ 180 milhões.

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