Carabao investiu apenas 10% do previsto em contrato no Flamengo

GLOBO ESPORTE: "Não é um patrocínio, é uma parceira estratégica que veio para ficar". A frase é do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, dita no dia 26 de janeiro de 2017 em festa de lançamento da Carabao, no Morro do Pão de Açúcar. Na ocasião, o presidente falava até em renovação do contrato em 2022, quando fossem encerrados os seis anos do acordo original, que previa R$ 190 milhões de investimento no Flamengo. Após a alta expectativa, a realidade veio com a rescisão de saída da empresa tailandesa de energético nos últimos dias de 2018, dois anos depois da assinatura do contrato.

Com dificuldades para contratar executivos e a saída do representante da Carabao no Brasil, Nelio Lucas, então diretor-geral do grupo Doyen, em setembro de 2017, a empresa repassou ao Flamengo R$ 15 milhões no primeiro ano, com alguns problemas de atraso. Em 2018, a Carabao pagou apenas R$ 4 milhões dos R$ 10 milhões previstos. Ficou a dívida de R$ 6 milhões, que foi parcelada. Se contar apenas o que o Flamengo recebeu, portanto, "apenas" R$ 19 milhões entraram nos cofres do Flamengo - 10% do que era previsto no contrato original.

Foto: Gilvan de Souza
O fim da parceria veio após análise da matriz na Tailândia e a ordem de cessar o investimento. O GloboEsporte.com acompanhou o assunto desde a assinatura do contrato no início de 2017. Já em julho do ano passado, as reportagens tratavam da distribuição falha da bebida - que só era encontrada em poucos pontos no Rio de Janeiro e menos ainda no Espírito Santo. As latinhas da Carabao nunca chegaram ao mercado paulista, o maior do país.

Não encarou...

As negociações com a Carabao começaram em meio ao processo de contratação de Marcelo Cirino. No fim de 2014, o diretor-geral do Flamengo, Fred Luz, pilotou as conversas direto com Nelio Lucas, CEO da Doyen, investidora que comprou Cirino do Athletico. O Rubro-Negro se sentiu seguro após fazer o dever de casa: a marca estava no mercado chinês e na Indonésia, além de patrocinar o Chelsea, da Inglaterra.

Na apresentação do patrocínio, no Pão de Açúcar, Nelio Lucas abriu planos ambiciosos. Destacando o slogan "Vai encarar?", o executivo português lembrou a relação com os países asiáticos, a entrada no Reino Unido e apostou no crescimento no Brasil na carona do Flamengo:

- O futebol é o maior e mais rápido acelerador de uma marca para as grandes audiências. Por isso decidimos associar a Carabao com o futebol. Começou pela Inglaterra e chega agora ao Brasil... Basta cada um dos torcedores do Flamengo beberem uma lata para alcançarmos a meta de 40 milhões de vendas. Este é o desafio - disse Lucas, em janeiro de 2017.

Bandeira também mirava o horizonte na ocasião da festa de lançamento:

- A Carabao teve bom gosto em escolher o Flamengo. O Flamengo não é clube de uma cidade só. É clube de dimensão nacional. (O patrocínio) tem tudo para ficar mais que os seis anos de duração do primeiro contrato. Tenho certeza absoluta de que o Flamengo vai ajudar a atingir o objetivo da Carabao de chegar a número 1 do mundo no mercado de energéticos.

Sala da Carabao instalada na Gávea

A "parceria estratégica" do Flamengo tratava de ganho percentual em cima de latas vendidas. Porém, o lucro rubro-negro em cima das vendas só sairia a partir da meta de 40 milhões de produtos vendidos num ano - o que passou longe. Com mercado dominado pela Red Bull e outros grandes produtores, a Carabao penou. No início, funcionava numa sala dentro da sede da Gávea. Mais tarde, foi para um escritório no bairro da Barra da Tijuca.

Os tailandeses chegaram a vir ao Brasil para estudar a situação, quitaram dívida de R$ 9 milhões em atraso do primeiro ano, mas propuseram a reforma do contrato original com o Flamengo - diminuindo investimento de R$ 190 milhões para R$ 100 milhões em seis anos. As vendas, no entanto, não decolaram nem depois de a empresa desfalcar a concorrência em 2017 ao contratar o diretor de vendas da Red Bull Sylvio Faulhaber. O executivo deixou a Carabao menos de um ano depois - em abril deste ano.

Com tantos problemas - que foram minimizados com a ajuda do Flamengo em equipe para licenciamento e importação dos produtos - e com poucos sinais de crescimento das vendas, a matriz decidiu colocar pé no freio e exercer a cláusula de saída do clube. Antes, em novembro do ano passado, clube e patrocinadora ainda apostavam alto:

- Reiteramos: a Carabao compromete-se com o Brasil e com o Flamengo como parceiro estratégico, e juntos conduziremos desenvolvimento deste projeto em todo o país em 2018 - respondeu o então diretor de marketing do clube, Bruno Spindel.

O GloboEsporte.com, durante a produção desta reportagem, tentou contato com diversos envolvidos na parceria - desde Nelio Lucas, antigo represetante da Carabao, até o presidente do Flamengo, passando pelo assessor de imprensa e social media da Carabao (Rafael Cotta, que trabalha, por exemplo, com Diego Ribas).

- Vendi minha participação na Doyen em setembro de 2017 e saí da Carabao quase no mesmo tempo. Não tenho nada para dizer sobre esse assunto. Acho que a parceria tinha tudo para dar certo. E estava dando certo - comentou Nelio Lucas.

Ex-diretor de vendas, Slvio Faulhaber não retornou as mensagens da reportagem. Bandeira comentou que a saída da Carabao "não vai afetar negativamente o clube. Teremos opções para substituir". O vice-presidente de marketing do Flamengo, Daniel Orlean, lembrou que nos dois anos de contrato a empresa cumpriu com suas obrigações estalelecidas na parceria. Fred Luz não atendeu a reportagem.

A empresa repassou ao Flamengo R$ 15 milhões no primeiro ano, com alguns problemas de atraso.

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