De saída, Póvoa faz balanço sobre o Basquete do Flamengo

GARRAFÃO RUBRO-NEGRO: Por Enéas Lima

No próximo dia 31 de dezembro será marcado o final do ciclo de Alexandre Póvoa como vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo. Em entrevista exclusiva ao blog Garrafão Rubro-Negro, Póvoa falou do legado que está deixando para o clube, como também os momentos mais marcantes do basquete rubro-negro, montagens de elenco, falta de patrocínio, relação com Eduardo Bandeira de Mello, o atual momento da CBB e a LNB.

Confira abaixo a entrevista na integra:

Foto: Staff Images
O legado no basquete e nos esportes olímpicos que ele deixa para a nova gestão a partir de 1 de janeiro

“Acho que uma LDB, quatro títulos brasileiros em seis disputados, cinco cariocas em cinco disputados (teve um ano que a competição aconteceu), uma Liga das Américas, um Campeonato Mundial e o privilégio de ter sido convidado para cinco jogos contra equipes da NBA falam por si mesmo. Dos seis NBBs disputados, ficamos em primeiro lugar na fase de classificação em cinco deles. Nas duas Ligas das Américas que perdemos, alcançamos honroso terceiro e um quarto lugares. Acho que tudo isso mostra a qualidade do que foi plantado e colhido.

É claro que gostaria de ter ganho absolutamente tudo, mas às vezes não é possível. Acho que o maior legado é exatamente esse, ter conseguido incutir a cultura da vitória “obrigatória” com a camisa do Flamengo. Apesar dos anos vencedores, sempre trabalhamos para melhorar o elenco para melhor ano após ano. Claro que erramos também, mas acredito que o nível de acerto foi alto.

Estruturalmente, hoje o Flamengo provê todas as condições para os jogadores se desenvolverem. Não tenho dúvida que pode até existir uma estrutura igual, mas não melhor que a do basquete do Flamengo no Brasil: um bom ginásio de treinamento, com piso e vestiário totalmente reformados , sala de musculação de alto nível, Centro Cuidar (psicologia, nutrição, fisioterapia, medicina esportiva, preparação física e fisiologia) para acompanhar os atletas durante toda a temporada, uma piscina de alto nível caso necessário trabalho na água, viagens sempre de avião, bons hotéis, enfim tudo que é necessário para o atleta conseguir atingir seu potencial.

Mais importante, sempre pensamos grande. Fizemos um esforço enorme para sediar dois Final Fours da Liga das Américas, 1 final do Intercontinental e duas semifinais de Sul Americano,

Enfim, o Flamengo hoje é a referência no basquete nacional, chamando atenção de franquias da NBA (a seleção norte-americana treinou na Gávea durante as Olimpíadas) e de equipes europeias depois que vencemos o título mundial. Minha maior vitória, no entanto, foi termos conseguido manter no imaginário da torcida do Flamengo, com o trabalho conjunto com atletas, comissões técnicas e profissionais, a imagem do basquete como o “Orgulho da Nação”.

Nos esportes olímpicos, ganhamos 252 títulos em seis anos, o que dá uma média de um título conquistado a cada oito dias. Investimos, com dinheiro dos esportes olímpicos, R$ 25 milhões na Gávea. Além das reformas no Hélio Maurício e uma sala de musculação nova, fizemos duas piscinas, um dojô, mas dois ginásios reformados – Kanela e Cláudio Coutinho, um dojô novo, quadras de tênis, entre várias outras obras. A sede da Gávea hoje, em termos esportivos, não fica a dever a nenhuma outra no país.O esforço foi enorme, mas valeu cada minuto à frente dos Esportes Olímpicos do nosso Flamengo.”

Foram 6 anos voltados na tentativa de sempre montar o melhor elenco possível para o basquete do Flamengo. Se tivesse que fazer uma autocritica sobre o que deu errado e certo no basquete do Flamengo o que falaria? Teria algum fato do basquete do Flamengo que você olhando para trás não tomaria a atitude que teve na época e faria algo diferente hoje?

“Ganhamos o quarto título nacional no primeiro ano do segundo mandato. Perdemos os dois NBBs seguintes, ficando em quinto e terceiro respectivamente. Os Cariocas não valem como títulos para a torcida, são praticamente uma obrigação. Também não fomos bem em dois Sul Americanos, mesmo após a diretoria fazer um esforço de trazer as fases semifinais para o Rio.O problema é que acostumamos mal a torcida. Temos um investimento no basquete que hoje é semelhante a pelo menos três times: Mogi, Bauru e Franca. É natural que eles também ganhem, a questão é que nosso DNA rubro-negro não aceita derrota. O título do Paulistano na última temporada, um clube de menor investimento, pode acontecer em um ano. Difícil é se manter no topo, sobretudo com pouco investimento.

Acho que as derrotas nos dois últimos NBBs foram muito por conta de não termos conseguido manter o “sangue nos olhos” como em outras temporadas. Fomos eliminados por Pinheiros e Mogi, respectivamente, que “quiseram ganhar” mais que a gente .Já o primeiro Sul Americano (no Tijuca), já era o fim de um ciclo da Comissão Técnica que talvez, olhando para trás, tenhamos atrasado erradamente em um ano para mudar.

No Sul Americano desse ano (Jeunesse Arena), pagamos o preço de termos um time em formação. Acho que esse grupo dará alegrias para a torcida, no Super 8 e no NBB.Aprendi que lidar com a vitória é tão difícil como lidar com a derrota. Quando você ganha sempre, é muito difícil manter a motivação alta. Quando perdemos, temos que avaliar se é algo eventual ou se temos que intervir mais fortemente. São formas distintas de gerir um grupo. Os erros e acertos na montagem dos elencos do basquete do Flamengo e a autocritica sobre a base do clube. Acho que nosso processo de contratação de estrangeiros pode melhorar muito. Deixar isso simplesmente nas mãos da Comissão Técnica é insuficiente. Precisamos ter alguém observando potenciais jogadores. Acertamos em alguns nomes e os maiores exemplos foram o Nico e o Jerome, mas erramos também (não vou citar nomes por ética), e reconhecemos isso. Além disso, se as equipes adultas foram bem, as categorias de base precisam melhorar muito. Apesar de termos ganho uma LDB, o trabalho na base não surtiu o efeito que desejávamos. Ganhar de equipes do Rio de Janeiro não pode ser parâmetro para nós, temos que mirar as equipes de outros estados, sobretudo as paulistas. Com o pessoal de casa, não conseguimos avançar. Trouxemos agora um profissional experiente – Diego Jeleilate – que já fez várias modificações que já estão surtindo efeito. Esse trabalho da base, reconheço, deveria estar bem mais avançado depois de seis anos.

A luta diária para se fazer esporte olímpico no Brasil e a necessidade de ter resiliência para não desistir do investimento nas modalidades

“O momento mais difícil do basquete do Flamengo foi em 2013, sem dúvida. Além de termos pego o time com quatro meses de salários atrasados e infraestrutura precária, o basquete viveu o ambiente (sem participar) de cortes profundos na natação, judô e ginástica artística. Vou revelar aqui algo que ninguém sabe: sempre me perguntam qual foi o campeonato mais importante que o Flamengo ganhou nesses seis anos. A tendência natural é apontar para o título mundial. Mas não foi. A vitória mais importante foi no NBB5 (o primeiro da série de quatro seguidos), contra o Uberlândia na final. Se a gente não ganha aquela final, certamente eu não teria força para manter o investimento no basquete, em meio ao caos financeiro do clube. Foi o meu período de maior apreensão como vice-presidente, era uma questão de sobrevivência da modalidade. Aquele título na temporada 2012/13 foi mais ou menos igual àquele gol do Rondineli no Vasco no Campeonato Carioca de 1978. Ali começou tudo para aquela geração vitoriosa. Se aquela bola não tivesse entrado, talvez aqueles anos dourados seguintes não existiriam. Exatamente igual àquela conquista do NBB5. Ali foi nossa tábua de salvação para que o trabalho fosse continuado e atingir o sucesso que teve.A perda do patrocinador máster foi lamentável porque não havia razão objetiva, até porque eles saíram do Flamengo e foram patrocinar a NBB. Mas naquela época já estávamos com a Lei de Incentivo Estadual que cobria a maior parte dos custos. Apenas lamentamos a decisão do patrocinador máster, tanto que ganhamos a NBB 8 na mesma temporada. O Flamengo é maior que qualquer patrocinador, com todo respeito e agradecimento a todos eles por ajudar o nosso clube. Resiliência é a palavra correta para definir o que é ser um VP de Esportes Olímpicos em um clube como o Flamengo. Além dos adversários externo, há uma permanente batalha dentro do clube. Há um “futebol centrismo” onde tudo (marketing, comunicação, jurídico e as diversas áreas de apoio do clube) acabam convergindo para a locomotiva do clube. Em qualquer gestão do Flamengo, por exemplo, entre 12 VPs do clube, a metade ignora a existência de esportes olímpicos (“pode até acabar que eu não ligo”), uns quatro acham “bacana” (mas se a coisa apertar, futebol é a prioridade total”) e somente uns dois (um é o VP de Esportes Olímpicos) realmente se importam com essa parte tão importante do clube.”

O reconhecimento ao trabalho de Marcelo Vido como diretor executivo de esportes olímpicos nesses 6 anos de clube

“. O Marcelo, além de competente, é uma excelente pessoa que se tornou um amigo nesse período. Vivemos todas as alegrias e tristezas do basquete juntos. Trata-se de um excelente profissional e certamente o novo VP irá mantê-lo, por toda as suas virtudes, bem maiores que os defeitos. Eu e ele nos complementamos muito bem. Ele é mais calmo, pé no chão; eu sou mais explosivo, mais ousado, sobretudo quando se trata de Flamengo. Acabamos tendo uma sinergia boa. Como nós jogamos basquete também (ele em alto nível e eu em baixo nível rs), os debates sempre eram frutíferos. Já enfatizei de como era o processo de formação de elenco: Participávamos eu, Marcelo e o técnico. Discutíamos bastante, tentávamos chegar a um consenso, mas se isso não fosse possível, votávamos. Sempre nos respeitávamos, o técnico não tinha a palavra final, sobretudo porque ele poderia estar errado. Dentro da quadra, o técnico tinha 100% de autonomia. Fora da quadra, éramos bastante ativos com o grupo. Ambos os técnicos, tanto o Neto quanto o Gustavo, aceitaram bem esse modus operandi. “

O relacionamento com o presidente Eduardo Bandeira nos 6 anos de gestão do clube e o agradecimento pela confiança no cargo de vice-presidente de esportes olímpicos

“Sou muito agradecido ao Eduardo, que nos deu 100% de autonomia para tocar nos esportes olímpicos, nos apoiando sempre que necessário. Ele cometeu acertos e erros nesses seis anos, da mesma forma que eu também estive longe de ser perfeito. Mas o Eduardo me provou ser um grande rubro-negro apaixonado, o que facilitava muito a convivência com ele. Entrou para a história como presidente. É outro amigo, além do Marcelo Vido, que pretendo levar pelo resto da vida.”

A derrota e a vitória mais marcante do basquete rubro-negro na gestão Póvoa/Vido

“Foram poucas as derrotas, mas duas muito marcantes: A primeira, na semifinal da Liga das Américas de 2016, quando estávamos ganhando de um Bauru desfalcado em Barquisimeto de 17 pontos faltando seis minutos para acabar o jogo. E conseguimos perder aquela partida e a chance de chegar ao bicampeonato do torneio e, consequentemente, a oportunidade de disputar um outro Campeonato Mundial. Vexame difícil de engolir até hoje. O outro jogo marcante de forma negativa foi a vexatória e pífia derrota contra o Olímpia do Paraguai no Sul Americano de 2017, no ginásio do Tijuca. Com todo respeito, é inadmissível pela diferença de investimento. É o famoso “isso acontece, mas não pode acontecer.Em termos de vitórias, evidentemente a maior emoção veio da conquista do título mundial. Entramos para a história naquele dia 28 de setembro de 2014. O Flamengo é o único clube, juntamente de Barcelona e Real Madrid, campeões do mundo de futebol e de basquete.Mas posso citar mais três emoções: A conquista da Liga das Américas, sobretudo por ter sido no Maracanãzinho lotado, onde já havia jogado como atleta; o primeiro jogo do Flamengo contra uma equipe da NBA no Arizona contra o Phoenix. Lideramos o jogo durante três quartos, mas no final prevaleceu a condição física deles; e dos NBBs , destaco o único título que conquistamos fora de casa – em Marília – contra o Bauru, na temporada 2014/15. Gostinho especial de ganhar do rival na casa deles.”

Os principais jogadores que o surpreenderam no basquete do Flamengo e merecem ser destacados

“Tivemos muitos jogadores que podemos listar: Jerome, um rei da comunicação de paixão pelo Flamengo, Marcelinho como símbolo e capitão, Nico pelo talento natural, Marquinhos pela enorme categoria ofensiva, Olivinha como representante da torcida dentro da quadra e tantos outros.Mas tem um atleta que, apesar de ter jogado apenas um ano no Flamengo, eu destaco como o de maior profissionalismo que eu vi, tanto nos meus tempos de jogador como de dirigente: Walter Herrmann. Impressionante, poderia ficar no banco 39 minutos, que entrava 1 minuto e deixava tudo na quadra sem reclamar. Ensinava os mais jovens com paciência, jogador de grupo. Alto nível como pessoa também. Treinava no mesmo ritmo que jogava. Simplesmente incrível, muito importante naquele ano. Não é à toa que foi campeão olímpico.”

A critica de sócios e de alguns torcedores sobre o real custo beneficio da contratação de Anderson Varejão até o momento e a avaliação que ele faz sobre essas críticas sobre o pivô

“A contratação do Anderson seguiu duas lógicas: A técnica, dado que a posição de pivô no Brasil é altamente carente e de marketing, já que se trata do jogados de basquete mais carismático do país.Na parte técnica, é difícil a volta para um jogador que ficou mais de um ano sem jogar. Ele estava chegando em um bom nível no final da última NBB, tendo sido nosso principal jogador naquele playoff que perdemos contra Mogi. É um jogador de 36 anos, já não consegue ter o mesmo rendimento em jogos seguidos e o técnico precisa saber dosar isso para tê-lo inteiro nos momentos decisivos. Temos que ter paciência, confio que ele nos ajudará bastante na temporada. O cara tem 16 anos jogando em alto nível fora do Brasil, ele vai crescer ainda aqui.Na questão do marketing, aponto uma frustração que tive nesses seis anos. Por mais que no campo esportivo tenhamos conseguido muitas vitórias, nunca conseguimos formar um público cativo para os jogos. A Comunicação e o Marketing do Flamengo têm que fazer algo diferente para atrair o público. Não é possível que não consigamos pelo menos 1.500 – 2.000 pessoas de média por jogo. O Flamengo é muito grande. E isso se estende na exploração do carisma do Anderson para conseguir patrocínios para que o atleta se pague”

A relação do Flamengo com a FBERJ, CBB e LNB nos últimos anos e a importância da valorização do trabalho da Liga Nacional no basquete brasileiro

Uma das obrigações de um clube como o Flamengo é liderar todas as discussões esportivas no Brasil. O sistema confederativo e federativo do Brasil, em todos os esportes, é completamente anacrônico, com ilhas de poder de pessoas que se perpetuam no poder por razões nem sempre republicanas. Temos que sempre nos posicionar fortemente para evitar abusos. Portanto, como somos oposição a esse modelo, o relacionamento sempre foi difícil, sobretudo com a Fberj.A Liga Nacional de Basquete (LNB), apesar de alguns erros, é um verdadeiro oásis de governança e de modernidade. Também tivemos desavenças, sobretudo quando reclamamos de arbitragens ruins e quando tomamos um WO absurdo em um jogo contra o Pinheiros no Tijuca. Mas a interlocução é de outro nível.A antiga CBB, com sua suspensão, nos tirou de uma Liga das Américas, A nova CBB parece mais séria, querendo acertar. Só temo que, por vaidade, quando estiverem mais fortes, queiram bater de frente com a Liga Nacional de Basquete. A governança atual é a ideal, com a LNB à frente dos campeonatos nacionais e a CBB cuidando das seleções e do desenvolvimento do basquete nos rincões mais distantes do país.

O agradecimento ao trabalho do blog Garrafão Rubro-Negro

“Gostaria de agradecer o Garrafão Rubro-Negro por tudo que vocês fazem pelo basquete rubro-negro. Sei das dificuldades do projeto, mas vocês, com raça, amor e paixão, conseguem aproximar o basquete do Mengão, o Orgulho da Nação, à sua torcida. Muito obrigado pelo apoio nos últimos seis anos. A jornada foi longa, mas valeu muito a pena.”

A mensagem de sorte ao Delano Franco, novo vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo, a partir de 2019

“Desejo muita sorte ao novo VP. O sucesso dele será o sucesso do Flamengo. A luta de um VP de esportes olímpicos em um clube de futebol e em um país de triste monocultura esportiva é dupla. Primeiro, a briga natural contra os adversários. São mais de 200 campeonatos por ano se formos contar todas as sete modalidades com todas as suas respectivas categorias. O Flamengo tem que ganhar sempre, seja nas piscinas, na Lagoa, nos ginásios e nos dojôs. O futuro VP vai encontrar excelentes profissionais. O clube está arrumado nos EOs, com infraestrutura de alto nível, profissionalização completa, o Cuidar para desenvolver o potencial dos atletas, salários rigorosamente em dia há quatro anos, enfim, é entrar e dar seguimento ao trabalho. Pensando grande, projeto que o Flamengo voltará a ser a maior potência esportiva desse país no espaço de cinco anos.Por fim, peço a ele, como rubro-negro, que continue lutando por um Flamengo único e indivisível – Futebol (como carro-chefe), esportes olímpicos e clube social.A todos que me ajudaram, seja com sugestões, críticas e elogios, meu muito obrigado. Aprendi até a ser um ser humano melhor nos últimos seis anos. Volto para a arquibancada, que é minha origem. Um até breve a todos. “

Alexandre Póvoa falou do legado que está deixando para o clube, como também os momentos mais marcantes do basquete rubro-negro.

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