Ex-Preparador de Diego Alves fala sobre situação do goleiro no Fla

ESPORTE 24 HORAS: Jorge Abel Costa

Na última temporada, o problema crônico no gol rubro-negro estimulou a chegada de um grande nome: Diego Alves. O goleiro assumiu a posição e tornou referência dentro elenco. No entanto, quando a conduta de intocável parecia irreversível, Dorival Júnior deu duro golpe de realidade. Toda a situação já foi amplamente debatida e divulgada. Por outro lado, a falta de definição perdura até hoje. Atualmente, Flamengo sinaliza para uma reintegração do profissional. Mas o jogador não se mostra mais disposto a ficar no clube. Em entrevista exclusiva, ao Esporte 24 Horas,  Cassius Hartmann, primeiro treinador de goleiros de Diego Alves, comentou a situação. De acordo o preparador, o arqueiro foi vítimas dos seus impulsos.

“Situações como essa são difíceis de opinar a distância, não sabemos o que ocorreu dentro do vestiário. Às vezes tomamos uma atitude por impulso e acabamos sofrendo consequências desagradáveis logo à frente, mas cada um tem suas razões. Por se tratar de um atleta diferenciado e ser um grande patrimônio do clube, não vejo motivo do Flamengo não contar com ele”, analisa Cassius Hartmann.

Foto: Divulgação
Os motivos apresentados pelo treinador também se colocam como argumento da diretoria. O interesse dos novos dirigentes na permanência do atleta é público. No entanto, o peso da situação criado ainda mexe com Diego Alves. O atleta sente que seu tempo acabou no Flamengo. Segundo Cassius Hartmann, a pressão exercida sobre o goleiro no Brasil é exagerada.

“Está entre os melhores. Acerta e erra como todo bom goleiro do mundo. A diferença que no Brasil, goleiro tem que ter erro zero, a pressão é diferente”, afirma o treinador.

Adaptação no Flamengo

Em meio a uma crise de goleiros, Diego Alves chegou no Flamengo. O status de salvador da pátria colocou uma pressão ainda maior no jogador. Por isso, o processo de readaptação não foi dos mais fáceis. Além disso, o atleta sofreu uma lesão que prejudicou sua performance no fim da última temporada. Para Cassius Hartmann, o retorno ao Brasil exige cuidados que fica distante do olhar do torcedor.

“Adaptação sempre leva um pouco de tempo, não é apenas do futebol, mas a vida muda muito de um país para outro. Além de atleta é um ser humano como nós, esposa, filhos, clima, cidade, hábitos tudo é diferente, sempre é importante colocar isso na balança”, comenta Cassius Hartmann.

Diego Alves na Europa

O retorno ao futebol brasileiro se deu após 10 anos. Ao longo desse período, Diego Alves se consolidou como um importante nome em sua posição. Principalmente, em sua passagem pelo Valencia. Foram vários feitos, vitórias e belas defesas. Por exemplo, os pênaltis defendidos de Messi e Cristiano Ronaldo. Uma carreira construída de maneira sólida e que gera todo o status que ele tem atualmente. De acordo com Cassius Hartmann, os goleiros têm outro nível de valorização hoje.

“O Diego Alves teve uma carreira sólida na Espanha. Como acompanhei, muitas propostas aconteceram para ele ir para clubes maiores da Europa, a não concretização das transferências já não posso saber os motivos ao certo. Nossos goleiros são muito valorizados. Muitos goleiros brasileiros estão espalhados pelo mundo todo, assim como nossos preparadores de goleiros. Hoje um dos goleiros mais valorizados do mundo é o Alisson”, analisa o preparador.

Apesar de todo status que alcançou em sua carreira, Diego Alves não conseguiu oportunidade suficiente na Seleção Brasileira. Mesmo que tenha demonstrado todo potencial para isso, o goleiro esbarrou na questão da confiança. Hartmann conta que a posição de número da 1 de uma seleção é mais questão de confiança do que talento.

“Goleiro de Seleção Brasileira é confiança do treinador. Muitas vezes nem é o melhor do Brasil naquele momento, mas o técnico confia e gosta do seu perfil e liderança. Talvez Diego não tenha tido o tempo para mostrar isso para os técnicos da época”, cogita.

Início de Diego Alves

Embora tenha faltado oportunidade na Seleção, Diego Alves precisou de pouco tempo para provar seu valor no início de carreira. Ainda no Botafogo-SP, o goleiro de pouca idade chamava a atenção pela sua personalidade e habilidade. Tanto que Ricardo Drubscky e Cassius Hartmann não pensaram duas vezes antes de contratar o jogador pelo Atlético-MG.

“Foi uma situação interessante, nosso goleiro era o Velloso, experiente e consagrado, do outro lado o menino Diego. Apenas por já estar atuando com pouca idade em uma equipe tradicional como o Botafogo-SP, e atuando bem, já valeria apostar no talento dele. Ricardo Drubscky era o Coordenador da Base da época e nos perguntou sobre o atleta, e o Atlético-MG acabou fazendo a parceria”, conta o preparador.

Ao fim, uma parceira muito bem sucedida. Ainda que com 21 anos, Diego Alves chegou e assumiu a posição de titular. Aliás, o mesmo caminho César está fazendo, ele fez com o experiente Veloso. De acordo com Cassius Hartmann, a ambição em vencer foi determinante no sucesso do atleta.

“Nós tínhamos que ver mais de perto, percebemos o talento, mas talento sem determinação e vontade de evoluir não vale nada. Ele nos mostrou muita vontade de vencer logo no início. Portanto, iniciado os treinamentos percebemos a sua qualidade técnica, tinha muito boa formação, muita força física e facilidade de aprendizado”, afirma.

Por onde anda, Cassius Hartmann?

Ao longo de toda trajetória no futebol, Cassius Hartmann foi lapidando muitos goleiros e construindo uma grande fábrica no Brasil. Vale lembrar, que o profissional trabalhou com Velloso, Bruno, Diego Alves, Fernando Prass, Jefferson, Fábio, Artur Moraes, Harley, Kléber Guerra, Danrlei e Welerson.

Atletas de sucesso e de história dentro do futebol brasileiro. Atualmente, o preparador se reserva a família. Mas se ajeita para retornar a função em breve.

“Fui preparador de goleiros por 17 anos. Trabalhei como auxiliar-técnico e coordenação de futebol e tive que dar uma pausa por causa família. Estou pavimentando minha estrada para retornar em 2019, e com certeza naquilo que mais gosto de fazer: Preparação específica de goleiros”, conclui Cassius Hartmann.

Em meio a uma crise de goleiros, Diego Alves chegou no Flamengo. O status de salvador da pátria colocou uma pressão ainda maior no jogador.

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