Pés de craques "somem" da Calçada da Fama do Maracanã

UOL: Templo maior do futebol, o Maracanã guardou por muitos anos uma espécie de relicário da paixão nacional. Com os pés de craques como Pelé, Garrincha, Zico, Beckenbauer e outros, a calçada da fama sempre foi um dos pontos altos da visitação ao local.

Mas as idas e vindas do estádio, os sucessivos fechamentos para obras e a realização dos grandes eventos resultaram no sumiço de grande parte deste tesouro. E peças de nomes como Sócrates, Bellini, Cláudio Adão, Leandro, Nilton Santos, Dirceu Lopes, Zinho, Luisinho Lemos, Roberto Miranda, Geovani, Pepe, Pinga, Waldo, Samarone e Alexandre Torres sumiram do mapa e não tem paradeiro certo. Além dos itens que estão perdidos (ainda que momentaneamente), há descaso e má conservação da memória de quem fez do país um pentacampeão mundial.

"Pés" de Kaká, Romário e Renato Gaúcho danificados

Foto: Divulgação
Em agosto de 2014, a concessionária que hoje administra o estádio contratou o Instituto Brasileiro de Gestão Cultural para inventariar todo o acervo histórico acumulado desde a fundação do Maraca. O laudo assinado pelos museólogos Daniele Torres e Thiago Reis catalogou, dentre outras centenas de objetos, 67 "pegadas" de grandes craques, número já inferior aos existentes antes do início da obra para a Copa do Mundo de 2014. O trabalho inclui material fotográfico e apontou também danos aos moldes de Kaká, Romário, Renato Gaúcho e Zito, por exemplo.

Atualmente, 28 pés podem ser vistos no Tour Maracanã e os outros estariam, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro (SEELJE), em uma sala do Maracanãzinho. O UOL, no entanto, apurou que grande parte se perdeu quando as relíquias foram levadas para um depósito de um prédio administrativo do Governo do Rio, visto que havia a necessidade de entregar o complexo 'limpo' para a Rio-2016. Este material danificado e outros seriam alguns dos que a secretaria garante ter sob sua guarda no ginásio. A reportagem solicitou autorização para visitar o local, mas não foi atendida. Entrevistas das autoridades e o envio de imagens do patrimônio também foram vetadas.

A possível perda definitiva inclui ainda placas que continham apenas os nomes de jogadores que não estavam mais vivos quando a iniciativa da calçada da fama veio à tona. Tanto na documentação do estádio quando na listagem disponibilizada pela SEELJE não constam as homenagens feitas 'in memorian' feitas para Quarentinha, Dequinha, Almir Pernambuquinho, Barbosa, Castilho, Dequinha, Ipojucan e Rubens.

"O acervo do Maracanã é uma atribuição da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj). Por conta da crise econômica que atingiu os estados da federação, o levantamento preliminar começou a ser realizado em junho deste ano", se limitou a informar, por meio de nota oficial, a secretaria.

Homenagem a Sócrates foi cancelada por sumiço

Tão logo venceu a licitação para administrar o complexo, a concessionária pediu que todo este material fosse disponibilizado à época. A entrega, no entanto, foi feita a conta-gotas e nunca chegou perto de sua totalidade, embora a instalação de um museu fosse algo previsto em contrato. Uma homenagem a Sócrates teve de ser cancelada quando os gestores foram informados por representantes da Suderj que o item não havia sido localizado.

"Eu promovi esse encontro com o Governo do Estado do Rio, nós deixamos até um molde em silicone para ser usado futuramente se preciso. Conversei com o Maracanã para usarmos o molde no Corinthians. Tenho certeza absoluta que era para a peça ter sido guardada. Se foi perdido, não tenho como afirmar", lamentou Kátia Bagnarelli, viúva do ex-jogador.

O trabalho especializado encomendado pela administração revelou ainda uma outra questão complicada de ser superada, já que há 12 pares de pés sem identificação estão envolvidos em plásticos pretos. Sem saber quem é o dono do molde, fica impossível repor uma eventual peça perdida.

Marta gravou os pés novamente após sumiço

Em 10 de dezembro deste ano, a craque Marta esteve no Maracanã para deixar a sua marca. Para surpresa geral, revelou que já tinha passado pelo mesmo ritual em 2007. A placa original com os pés da jogadora eleita a melhor do mundo em cinco ocasiões também faz parte deste tesouro que está perdido.

"O pé do Nilton Santos estar perdido é uma brincadeira, não é? É um absurdo a falta de carinho com os jogadores. Depois reclamam que o Brasil é um país sem memória. Homenagens depois de a pessoa estar morta não adiantam de nada", reclamou o ex-centroavante Cláudio Adão, um dos que "perderam" a honraria.

"O Maracanã reforça que catalogou todas as peças recebidas no início da gestão e elas seguem expostas no Tour em boas condições e sob cuidados. Sobre os demais itens que não foram entregues para a sua administração, não há como relatar o seu destino", afirmou a concessionária, que também se manifestou por meio de nota oficial.

Além dos itens que estão perdidos, há descaso e má conservação da memória de quem fez do país um pentacampeão mundial.

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