Cuéllar fala em fome de títulos: "Estou no maior clube do mundo"

GLOBO ESPORTE: Fôlego em dia e uma obsessão: ser campeão pelo Flamengo.

Em um elenco com tantas opções ofensivas, Abel Braga quebra a cabeça para buscar um equilíbrio que não deixe a equipe exposta. Entre um dos intocáveis, entretanto, uma convicção: se necessário Gustavo Cuellar correrá dobrado para que as estrelas façam a diferença e tirem o Flamengo da fila de títulos importantes.

Não é de hoje que o volante colombiano é o pulmão rubro-negro. Não à toa, caiu nas graças a torcida, que o elegeu para “Craque da Galera” do último Brasileirão. Glória individual que não satisfaz um Cuellar angustiado com a sina dos últimos anos:

- Valerá a pena (correr pelos outros) se conquistarmos os títulos. Vou fazer o que o treinador quiser. Será complicado jogar todo mundo junto, mas os caras que chegaram vão dar muita qualidade ao time. Se tiver que me desdobrar, vou fazer para que eles façam o que vale no futebol: os gols que definem os jogos. Isso é o mais importante. Se tiver que correr mais, vou correr para eles resolverem e conquistarmos títulos.

Cuéllar na academia do Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
A importância do colombiano vai muito além das quatro linhas. Incansável em campo, Cuellar era em 2018, de longe, o mais indignado com as frustrações recentes. E é o discurso de inconformismo que ele leva para o vestiário e aponta como determinante para mudar o destino do Flamengo:

- O emocional é muito mais importante. A parte técnica nós temos e demonstramos isso no ano passado, quando brigamos até o fim pelo título. Falta um pouco do pensamento e eu mesmo me incluo nisso. A fome tem que ser maior do que ano passado. Isso é o mais importante.

O posicionamento firme vai ao encontro do discurso de Abel Braga desde o retorno ao clube, e fez com que Cuellar caísse nas graças do treinador. Um dos capitães do elenco ao lado de Diego, o volante recebeu o GloboEsporte.com em sua casa para um bate-papo com a franqueza que lhe é habitual.

A pressão extrema por conquistas foi um dos temas debatidos com o colombiano que não gosta de feijão, mas ouve pagode. Sonha com a Copa América no Brasil e fez do Flamengo a sua “Europa” particular:

"Meu sonho era me consolidar internacionalmente. No Flamengo, tenho isso”.

Confira o bate-papo:

O que esperar do Flamengo de 2019?

A postura tem que ser diferente do ano passado. Infelizmente, não conseguimos as metas, um título de expressão que buscamos há um bom tempo. Temos fome de título, a diretoria também vem assim, e é muito importante abraçar essa ideia e colocar em prática a cada jogo. Chegaram jogadores de muita qualidade em um elenco já muito qualificado.

Como lidar com a pressão para que não vire um problema?

É difícil. Equilíbrio é a palavra da vida, não só no futebol. Quando você tem equilíbrio, consegue pensar no que pode te fazer bem, te fazer mal. E isso é importante. Essa fome de títulos não pode nos atrapalhar. A margem de erro é pouca, mas somos seres humanos e vamos errar. A mentalidade é o que tem que ser diferente.

Ser campeão é obrigação?

Nossa obrigação é entrar em campo sabendo que estamos representando o maior time do Brasil. Pensando desta forma, os títulos vão chegar. A cobrança sobre nós é natural e temos que aprender a conviver. É normal no Flamengo. Eu estou no maior clube do mundo. Para mim, o Flamengo tem essa expressão. Às vezes, os caras me falam: “Você não sabe o que representa e o que é jogar no Flamengo”. Estou tomando consciência disso e muito tranquilo.

Qual maior momento de dor neste período?

Acho que a Copa do Brasil contra o Cruzeiro. Tivemos nas mãos a oportunidade de conquistar um título de expressão e, infelizmente, não conseguimos. Me deixou muito marcado, estava ao nosso alcance. E no Brasileiro, chegar na última rodada sem chance de título também foi marcante. Isso tem que ser um ponto de partida para sermos campeões esse ano.

Ano bom individual, mas não coletivo...

Foi importante e me deixou orgulhoso o prêmio (Craque da Galera). Foi uma coisa que me marcou. Mas no final o que conta é o título do grupo todo, do Flamengo, e isso não conquistamos.

Fim do discurso conformista

Quando Abel chegou, falou que ficar três vezes no G4 é difícil demais e tomamos consciência disso. Acho que chegou ao ponto do Flamengo conquistar algo pelo que já fez. Gosto de ser sempre o primeiro, não gosto de perder. No Flamengo, tem que sempre ser assim, ganhar tudo.

Atacantes mais valorizados que defensores

É uma diferença normal. Fazer gol não é fácil. É muito mais fácil destruir do que construir. Então, merecidamente eles são mais reconhecidos do que quem marca e dá um equilíbrio ao time. São importantes situações como a do Modric ganhar a Bola de Ouro para que estejamos sempre no radar e nos vejam importantes como quem faz gol. Ele mesmo falou isso e acho correto. Quem está na frente é quem decide e, obviamente, é mais reconhecido. Sabemos da nossa importância. Dentro do elenco, não há estrelas. Somos todos iguais.

Cuellar brasileiro e carioca

Às vezes, confundo o idioma na Colômbia, misturo e nem sei mais como fala alguma palavra em espanhol. A cultura brasileira tem me ajudado muito no dia a dia, é uma experiência que tem me feito crescer como pessoa e jogador. Principalmente a forma como o brasileiro vive o futebol, é paixão 100%. Isso me marcou muito, aprendi a viver pensando no futebol o dia todo. É algo que levarei para a vida.

Que tipo de música ou cantor te agrada?

Escuto muito Ferrugem, Safadão, várias músicas de pagode eu gosto. Botam muito samba no vestiário, em geral a música brasileira é muito boa.

E a gastronomia?

O feijão eu não acostumei a comer de manhã, de tarde, de noite. Vocês aqui comem o dia todo. Eu não acostumei e não gosto muito (risos). Mas trouxe uma funcionária colombiana que cozinha como é na nossa culinária.

E o calor?

Em Barranquilla, é assim o ano todo. Mas esses dias está demais. Esses dias era 42 graus a sensação térmica e senti um pouco. Verão no Rio é assim, temos que vencer o calor.

Qual a diferença do Flamengo que tinha em mente para agora?

À distância, era o Flamengo do Zico, Júnior, Zinho, Adriano... Ouvíamos falar deles. Víamos pouco, porque não passa lá na televisão, mas obviamente sabia da grandeza. Mas cheguei aqui e ainda fico impressionado. Onde o Flamengo chega tem torcedor no aeroporto, em todo estádio é metade da torcida, no Brasil todo. Isso me deixou muito impressionado. Não pensava que a pressão fosse tão grande como é.

Copa América no Brasil

Um sonho que eu tenho como meta para esse ano é me consolidar na seleção, estar nos pensamentos do treinador que assumir. Acho que estamos no nível de grandes seleções para competir por alguma coisa e ganhar títulos. Minha vontade é me consolidar e ser campeão.

Europa ou o Flamengo é suficiente?

Meu sonho era me consolidar internacionalmente, e o Flamengo me ajudou muito nisso. Estou muito tranquilo, tenho um filho brasileiro, está vindo outro que também será. O Flamengo até agora me deu tudo internacionalmente. É um clube onde a torcida sempre esteve ao meu lado nos momentos difíceis, e tenho essa gratidão.

Se ficar aqui a vida toda, vai ser lindo. Passar por um clube e ficar tanto tempo não é fácil. Mas também tenho claro que há períodos na vida em que temos que seguir. Meu pensamento está todo no Flamengo, em conquistar mais a torcida, conquistar títulos de expressão esse ano. Se vier algo na frente, analisarei o que é melhor com a família.

é o discurso de inconformismo que ele leva para o vestiário e aponta como determinante para mudar o destino do Flamengo.

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