Dinheiro não compra felicidade, mas pode comprar laterais

ESPN FC: Por João Luis Jr

O mês era janeiro de 2015 quando Pará chegou ao Flamengo. A presidente ainda era Dilma Roussef, o Brasil nunca havia sediado uma olimpíada, a NASA não havia encontrado água líquida em Marte, o Windows 10 ainda não havia sido lançado, eu tinha uma namorada. E Pará veio com todos os sinais de que seria o famoso “reserva para compor o elenco”: chegou para uma posição que já tinha um titular absoluto (Léo Moura), chegou por empréstimo com os salários pagos pelo clube de origem, chegou como aquela contratação que empolga mais o jogador do que o torcedor, como ficava claro nas entrevistas.

Mas aí Léo Moura se aposentou, e Pará se tornou titular. E ele foi ficando. Vieram Aírton, Rodinei, e o Pará continuou. Dilma foi derrubada, Temer assumiu, teve nova eleição, e Pará ficou. Isaquias Queiroz ganhou 3 medalhas olímpicas inéditas para o Brasil na canoagem. A NASA encontrou material orgânico em Marte, e o Pará continuou. Você já teve que formatar seu Windows 5 vezes, mas o Pará continuou. Eu estou solteiro tem 3 anos, mas o relacionamento do Pará com o Flamengo continuou.

Pará, lateral do Flamengo - Foto: Divulgação
Nesse meio tempo o Flamengo fez contratações, claro. Berrío e Dourado custaram cerca de 11 milhões de reais, Mancuello custou 12, Cirino custou 17, Éverton Ribeiro e Rodrigo Caio custaram 22, Vitinho custou mais de 40, Arrascaeta custou astronômicos 63 milhões de reais. Mas o Pará? O Pará continuou lá, firme e forte.

E com isso, após 4 anos, Pará, que veio para ser um reserva pouco confiável para Léo Moura, inicia mais uma temporada como titular da lateral-direita do Flamengo. Um clube que saiu da crise para hoje ter uma das melhores estruturas do país, um clube que já flertou com o rebaixamento e hoje é participante assíduo da Libertadores, um clube que vem investindo pesado em seu plantel, a ponto de ter duas das três maiores contratações da história do futebol brasileira, ambas realizadas nos últimos 12 meses. Mas que tem na lateral-direita, como titular, o Pará.

Não que a culpa seja, é claro, do próprio Pará. Ainda que seja um jogador limitado tanto no aspecto técnico quanto tático e até mesmo físico, ainda que seja fraco na defesa e inoperante no ataque, ainda que eclipses seguidos do nascimento de bezerros de duas cabeças que ao invés de mugir cantam o verso “eu não quero tocar em você oh baby” da canção “Mordida de Amor” do grupo Yahoo sejam mais comuns do que ele acertar um cruzamento, não se pode criticar a vontade e disposição de Pará. É exatamente vantagem ter um jogador tão ruim e que gosta tanto de participar do jogo e pedir a bola? Provavelmente não, mas claramente ele está dando seu máximo.

O problema é que o máximo do Pará é muito pouco para um clube como o Flamengo, para as ambições que um time como o Flamengo precisa ter. E quando diretoria e comissão técnica não apenas permitem que Pará continue como titular por mais de 4 anos como colocam como única outra opção para a vaga um jogador como Rodinei, que nada mais é do que um Pará 30% mais rápido e 50% mais carismático, as únicas explicações possíveis variam entre dissociação cognitiva, negligência ou a ideia de que o atleta chantageou duas diretorias seguidas usando informações privilegiadas obtidas na noite de Belém.

Não que ele seja individualmente culpado por todos os fracassos dos últimos anos, claro, mas a presença de Pará em campo é não apenas um constante ponto fraco a ser explorado pelos adversários como um eterno lembrete de que não adianta ter todo o dinheiro do mundo se você não souber usar. Podemos ter meias exuberantes mas o lateral esquerdo do outro time ainda vai sair na vantagem, podemos ter atacantes goleadores mas alguém ainda vai se embananar lá atrás ao não conseguir cortar uma bola fácil.

Reforçar a lateral-direita – e na verdade reforçar todo o setor defensivo, já que a linha inicial com Pará, Rhodolfo, Rodrigo Caio e Renê é no mínimo preocupante pra uma equipe que se propõe a ter dois times completos – é um passo básico que o Flamengo precisa dar com urgência se quiser brigar por grandes coisas em 2019. É preciso finalmente entender que por mais que não seja viável ter uma equipe titular com onze craques, o Flamengo já tem, faz algum tempo, condições de procurar opções melhores para a sua lateral e evitar que Pará ainda seja titular quando outro presidente entrar, eu voltar a namorar, a NASA descobrir vida fora da Terra.


O Flamengo já tem, faz algum tempo, condições de procurar opções melhores para a sua lateral e evitar que Pará ainda seja titular.

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