Em entrevista, Mauro fala de Neymar, CBF, imprensa e Flamengo

UOL: Mauro Cezar Pereira não tem problemas com o rótulo que recebeu de seus seguidores nas redes sociais e na ESPN: ranzinza. O comentarista acredita que a definição é simplesmente uma consequência do espírito crítico que adota em suas análises, algo que julga ser fundamental para alguém com sua função na TV.

"Eu me considero ranzinza e não acho que seja defeito. Eu acho que às vezes falta muito isso no Brasil, em várias áreas, um pouco mais dessa característica que acho que é o reflexo de um espírito crítico mínimo que se tem que ter. Não paro para ler quando nunca tem crítica, tudo é legal, tudo é bacana. Não existe esse mundo, gente", comenta Mauro.

Com estreia nesta sexta-feira (1), o novo blogueiro do UOL Esporte encara qualquer assunto até quando isso pode significar um mal-estar com um dos melhores jogadores do mundo. Caso de Neymar. Para Mauro, falta maturidade ao jogador que completará 27 anos no próximo dia 5. "As piadas, as músicas e as dancinhas são as mesmas dos 17 anos. Com 17, é um adolescente, praticamente. Com 27, é um homem. É o principal jogador brasileiro. Ele poderia ter um pouco mais de conteúdo. Não tem. E por quê? Porque eu acho que ele vive numa bolha".


Nessa entrevista exclusiva, Mauro Cezar ainda defende Walter Casagrande, analisa que Luiz Felipe Scolari é o mesmo técnico do 7 a 1, conta da polêmica com Thiago Neves por causa de uma fake news e fala do "fetiche" do torcedor de querer saber o time dos jornalistas.

LUOL: A impressão que a gente tem é o que o Mauro está sempre no ar. É basicamente o dia inteiro pensando em futebol, consumindo futebol, escrevendo?

Mauro Cezar Pereira: Eu me considero repórter e estou comentarista. Acho que ser comentarista é ser o quê? Analista de futebol? Você não precisa nem ser jornalista. Você pode ser um cara que jogou bola ou não, entende taticamente, conhece o jogo e você fala do jogo. Eu sou jornalista. O jornalista na essência é repórter, então eu me considero um repórter que há alguns anos trabalha como comentarista, falando, escrevendo, enfim, dando também opinião. Me pagam para que eu dê minha opinião. Eu acho que isso é o reflexo de muitos anos de estrada. Muitos deles como repórter, outros como editor, mas trabalhando em redação, trabalhando como jornalista. Eu não abro mão disso. De estar em contato com as pessoas e tentar apurar o máximo de coisas que eu puder. Não só para compartilhar com aqueles que acompanham o meu trabalho, mas também para que isso me dê condições de fazer comentários melhores.

UOL: Você tem algum outro assunto que você seja mais apaixonado do que o futebol?

MCP: Eu gosto muito de ler e de falar sobre questões sociais. Eu acho que é o que mais me chama a atenção. Só que hoje está muito difícil de você falar sobre isso. Eu tenho até evitado em alguns momentos pelo nível muito elevado de analfabetismo funcional das pessoas. Grande parte das pessoas não tem condições de discutir. Já levam para o lado político, já colocam o "Fla-Flu" político e aí é bem desgastante. Como eu já sou obrigado entre aspas a conviver com ódio em rede social por conta de futebol, de paixão clubística, do não entendimento do nosso trabalho, como funciona, o cara acha às vezes que você ali é um porta-voz do seu time de coração, o outro acha que porque você tem um time você detesta o dele obrigatoriamente, o que é uma tolice muito grande. Eu até evito muitas vezes de me manifestar sobre isso.

UOL: Como que é esse ódio em rede social? Você vê esse ódio passando também para questão da vida do dia a dia na rua?

MCP: Eu acho que acontece ao contrário. Acho que as pessoas elas odeiam e elas não manifestam no dia a dia porque sabem que chegar na rua e atacar uma pessoa, agredir, ou até ofender você pode ter um problema, de repente você pode parar na delegacia. Mas na rede social muitas delas acham que não existe lei. Se você não gosta da opinião daquele jornalista, não acompanha. Mas acontece ao contrário. As pessoas acompanham para alimentar o ódio. Começa com ofensa, que aí é o de menos, você pode bloquear o cara, ignorá-lo ali: "você não tem condições de dialogar, eu não quero falar com você". Você pode bloquear e ponto final. Tem gente que fala: "o block é uma censura". Não é uma censura. O block é um direito que eu tenho... As ofensas são pesadas, há ameaças e eu já passei por isso já algumas vezes. Acho que a diferença é que eu resolvi encarar essa briga e em 2016 eu fiz uma denúncia ao Ministério Público e isso levou ao encaminhamento para a delegacia. A Polícia Civil de São Paulo fez o encaminhamento inclusive alguns que participaram dessas ações já foram prestar depoimento, tem inquérito rolando no fórum e aí a coisa tá com a Justiça, não é mais comigo. Já fiz outras denúncias e vou fazer quantas forem necessárias porque chegou ao ponto de vazarem o número do meu telefone e eu ser colocado em grupos de WhatsApp sem dar autorização. Em dado momento, eu comecei a printar aquilo tudo, juntei, pus num pen drive e entreguei no Ministério Público. Dali foi para polícia e a coisa seguiu. Diminuiu muito. É um sinal de que realmente os caras acham que podem fazer o que eles quiserem. Seja no aplicativo de troca de mensagens, seja na rede social. E não é assim.

UOL: Qual sua opinião sobre o Neymar?

MCP: Quando o Barrichello começou a correr, ele estava na Jordan e ele e o Piquet tinham o mesmo patrocinador, uma marca de produtos enlatados. O Piquet uma vez contou que quando o Barrichello teve um convite para ser piloto de teste da McLaren ele falou: "Vá. Vá ser piloto de teste, você vai estar numa equipe grande, mais um ano você vai ser o segundo piloto". A Jordan fez uma proposta financeira melhor, para continuar sendo um dos pilotos, e aí o raciocínio do Piquet era: "tenha primeiro um bom carro, depois pense no seu primeiro milhão de dólares". Rubinho fez o contrário. Quem era o empresário do Rubinho? Era o pai dele, o Rubão. O Rubão queria o mal para o Rubinho? Óbvio que não. Evidente que não. Ele praticamente bancou toda a trajetória do rapaz até ele virar um piloto de Fórmula 1, mas ele era a pessoa mais qualificada naquele momento? Eu acho que não. O caso do Neymar eu acho que é um pouco parecido no sentido de que ele continua tendo a carreira administrada pelo pai. A impressão que a gente tem vendo a forma como ele é tratado é que quem o cerca o faz como se ele ainda fosse um menino. Ele não é menino. Na outra Copa ele vai ter 30 anos. Ele tem filho. Que menino é esse? Acho que o dia a dia ele é tratado sempre de uma forma como se ele sempre fosse vítima quando as coisas vão mal. Não há uma convivência acho que muito boa com as críticas, que são pertinentes. E é um tremendo desperdício porque é um cara que tem qualidade técnica pra ser mais do que ele é.

UOL: Você acha que ainda dá para alguém de 26 pra 27 anos mudar isso?

MCP: Acho improvável. Essa questão da maturidade você pode procurar qualquer entrevista do Neymar você dificilmente vai encontrar algum conteúdo que mereça registro. Em geral, são frases feitas, "media training", brincadeirinhas infantis. As piadas, as músicas, as dancinhas, são as mesmas dos 17 anos. Com 17, é um adolescente, praticamente, com 27, é um homem.  Neymar é o Neymar. É o principal jogador brasileiro. Ele poderia ter um pouco mais de conteúdo. Não tem. E por quê? Porque eu acho que ele vive numa bolha. A impressão que eu tenho é essa. Eu acho uma pena, repito, porque eu acho que ele tem muito talento.

UOL: Quando a imprensa é mais crítica a ele, até na TV aberta o Casagrande, o próprio Galvão, os amigos saem em defesa. Esse relacionamento da imprensa com o Neymar e a imprensa atrás de qualquer migalha pelo Neymar, isso também influencia nessa construção da personalidade dele?

MCP:  O que falou o Casagrande sobre ele. Falou algum absurdo? Acho que não. Será que o Neymar não pode ouvir o Casagrande, com a história que tem o Casagrande, de jogador, de atleta, de problemas que enfrentou e superou. Acho que é legal ouvir o Casagrande. Alguma coisa ele tem para dizer. Não é possível que o Casagrande com 55, 56 anos não tenha nada para dizer para o Neymar com 30 anos a menos, aproximadamente. Não tem nada para dizer? O cara jogou na seleção brasileira, jogou no Corinthians, jogou no Flamengo, jogou na Itália, jogou Copa do Mundo. Viveu momentos dificílimos na vida pessoal dele e conseguiu voltar. Dá palestras sobre isso. Então, esse cara não tem nada para dizer para o Neymar? 

UOL: Você acha que o enfrentamento caracterizou também uma marca do Mauro? 

MCP: As pessoas às vezes acham que quem trabalha em televisão é um personagem obrigatoriamente. Eu não sou um personagem. Eu sou assim. Na televisão, eu procuro ter o mesmo comportamento que eu tenho fora dela. O melhor dos programas de debates são os debates, desde que eles não sejam "fakes". 

UOL: Certa vez um jornalista comentou: "você pode gostar ou não da opinião do Mauro Cezar, mas hoje ele criou uma cultura de que acabou a rodada o povo liga no canal dele para vê-lo". O que você acha que se deve esse seu sucesso?

MCP: Eu acho que a diferença é que a gente vai ficando mais à vontade na medida em que você trabalha mais tempo falando com o público. É difícil falar sobre mim. Eu acho que o pior para quem trabalha na televisão, comentando o futebol, é a indiferença. É o cara ligar a televisão, você falar durante longos minutos e o cara não lembra nada do que você falou, nem lembra teu nome. A indiferença eu acho que é o pior. É sinal de o trabalho não está sendo muito bem feito. Se você provoca alguma reação, positiva ou negativa eu acho que está no caminho porque a gente não está ali para agradar.

UOL: Quem você gosta de ouvir opinar hoje?

MCP: Quem eu mais gosto é o Tostão. Assim, disparado. Eu não sou admirador de ex-jogadores comentando futebol. Acho que a maioria deles não tira o pé da boleiragem, a maioria quer continuar amigo de jogador, quer continuar bem relacionado com técnico, não quer brigar com dirigente. Até entendo isso. O cara viveu a vida inteira dentro do futebol e de repente começa a brigar com Deus e o mundo. Ele não sabe o dia de amanhã. Muitos pretendem trabalhar no futebol de alguma forma, como dirigentes, como treinadores, como supervisor, o que for, então muitos vão para mídia quando são convidados para dar opinião porque é uma maneira de você continuar no futebol, de você não ser esquecido, você está ali falando de futebol, mas em geral eles são muito cuidadosos e muitos não se preparam. O cara acha que porque jogou basta. O Tostão é a exceção total porque é um cara que se isolou completamente do meio, até porque ele tem essa personalidade, mas eu acho bom isso. Ele se desligou, ele tá totalmente desconectado, não convive no meio da boleiragem, é um cara muito mais inteligente que a média, é um homem inteligente, sensível, escreve bem, então reúne tudo e tem sacadas, muitas reflexões, que eu acho a melhor parte. 

UOL: Como que é para você como comentarista quando as pessoas às vezes nem te assistem na TV e aquela palavra fora de contexto começa a ser disseminada pela internet ou até ela é alterada de certa forma? Aconteceu recentemente envolvendo o Thiago Neves. Ele acreditou numa transcrição que estava incorreta. Como que é esse desgaste para você?

MCP: Isso é bem irritante. Você falou, você assume o que falou, mas aí um camarada de um perfil sem rosto, com quase 90 mil seguidores. O cara pega uma frase minha, muda o contexto, muda o sentido da frase, dizendo como se eu tivesse dito uma coisa que eu não falei. Antes de o Thiago Neves cair nessa fake news, como foi publicado em vários sites, inclusive no UOL, eu entrei em contato, mandei a mensagem pro perfil. Falei: "vocês são loucos? Eu não falei isso". "Não, você falou sim". "Não, eu não falei". Aí eu peguei, achei o vídeo e mandei: "olha aí, a partir do minuto tal, veja o que eu falei". "Ah, mas não sei o que". Falei: "amigo, no momento que você usa aspas é tradução ipsis litteris, você não pode mudar uma vírgula. O que falei foi isso, isso, isso, que tem tal sentido. O que você escreveu foi aquilo, aquilo, aquilo, que tem outro sentido. Tá errado. Você tá colocando as pessoas contra mim por uma coisa que eu não falei". Aí eles se retrataram. Depois que eles publicaram, surge o Thiago Neves me cutucando, digamos assim, por uma coisa que eu não falei. Entrei em contato com o Cruzeiro, com o vice de futebol, com o assessor do Thiago Neves, com o assessor de imprensa do clube, questionei, pedi retratação. As pessoas tão me xingando, torcedores do Cruzeiro por uma coisa que eu não falei. Isso não é justo, não é correto. Ele não quis se retratar, mas aí é um problema dele, aí vai do nível de educação de cada um. Não tanto o Thiago, eu fiquei irritado mais com o perfil que criou isso tudo.

UOL: O que você acha que tem que mudar na seleção e na CBF?

MCP: A CBF precisa de uma mudança geral. Acho que isso é bem claro, embora tenha até avançado em algumas frentes com a criação de alguns departamentos e tudo mais, mas a parte política não muda. Na seleção, especificamente, uma coisa que eu nunca entendi é o Tite escolheu o chefe dele. O Edu Gaspar foi escolhido pelo Tite. Quando ele foi procurado para ser técnico da seleção brasileira e acho que ele errou terrivelmente ali ao permitir todo aquele misancene com o Marco Polo Del Nero, já envolvido naquela situação em que ele não podia sair do Brasil. Ele poderia ter dito pra CBF: "olha, eu vou treinar a seleção. Não vou permitir que vocês se aproveitem politicamente do meu prestígio, que eu conquistei com o meu trabalho". Ele estava surfando na onda de melhor técnico da Brasil há algum tempo. Não vou dizer que tem que demitir o Edu Gaspar, mas tinha que ter um chefe acima deles. Eu não consigo imaginar o Edu cobrando o Tite. "Tite, você fez uma bobagem aqui". E tem que haver essa cobrança. Uma coisa é o dirigente interferir na escalação, isso não, mas ele pode cobrar resultados, questionar decisões. "Por que você levou o Fred machucado, Tite? O que aconteceu? Por que o Taison? Pô, chegou na hora ali você não tinha tais opções. Você insistiu com o Gabriel Jesus o tempo todo e ele não conseguia fazer um gol, dar um passe para gol". Muitos questionamentos. Eu ainda acho que o Tite é o melhor técnico brasileiro. Eu acho que ele vai mais preparado daqui para frente com a experiência vivida na Copa do Mundo, que foi o primeiro embate de verdade com grandes treinadores, que nem são os maiores.

UOL: Voltando para os assuntos bem pontuais. Flamengo e Palmeiras são os dois principais clubes do Brasil hoje? E o que dá para esperar especialmente do Flamengo?

MCP: O Palmeiras, ele está estruturado e não tem hoje a pressão que o Flamengo sofre por conquistas importantes, até porque ganhou uma Copa do Brasil e dois Brasileiros nos últimos anos, nos últimos quatro anos. São três títulos importantes em quatro temporadas. Títulos de âmbito nacional, com diferentes treinadores e tudo mais, ou seja, o clube tem força. Óbvio que tem força, tem muitos jogadores, tem elenco, tem dinheiro, tem estrutura, tem um estádio muito bom. O melhor acordo disparado do Brasil pra construir um estádio é o do Palmeiras. Não botou nem um centavo e tá lá o estádio. Hoje o Palmeiras vive uma tranquilidade que o Flamengo não tem. O Flamengo é o contrário, por culpa do próprio Flamengo na gestão anterior. O Flamengo foi administrado nesses últimos anos, muito bem administrado na parte financeira, na parte comercial, aumentou arrecadação, se profissionalizou, tem profissionais em pontos estratégicos do clube, isso é importante dizer. As pessoas acham que era o Bandeira de Mello que fazia tudo. O Bandeira de Mello caiu de paraquedas três semanas antes da eleição de 2012 porque o candidato do grupo que queria tirar do poder quem estava lá há muito tempo, e a Patricia Amorim tentava a reeleição, era o Wallim Vasconcelos. O Wallim não pode concorrer por questão lá de estatuto, ia ter a candidatura impugnada, então, lançaram o Eduardo Bandeira de Mello, que era um amigo dele, que trabalhou com ele no BNDES. Estava com tempo, se aposentando e ele aceitou, mas toda a estrutura estava montada, tanto que ninguém sabia quem era Bandeira de Mello e votaram nele. Se fosse um cone o candidato, o cone seria eleito presidente do Flamengo porque as pessoas votaram contra a Patricia Amorim e contra tudo o que aqueles dirigentes ruins fizeram para o Flamengo nos anos anteriores.

UOL: O que mudou no Felipão do 7 a 1 para o Felipão campeão brasileiro pelo Palmeiras?

MCP: Eu acho que nada. Nada. Ele montou o time como ele sempre monta. A forma de jogar é a mesma. Eu queimei a língua legal porque eu achava que ia ser um resultado péssimo. E foi nos dois mata-matas. Ele foi eliminado na Copa do Brasil pelo Cruzeiro, que aí é engraçado, né, o Cruzeiro é meio que um espelho. O Cruzeiro usa as mesmas armas praticamente do Palmeiras e conseguiu eliminar o Palmeiras dois anos seguidos na Copa do Brasil, no ano anterior também. E na Libertadores por um Boca que nem era grande time assim, mas eu acho que foi eliminação categórica. O jogo na Argentina o Palmeiras não chutou nem uma bola no gol. Não dá pra você querer avançar jogando dessa forma. O adversário se impôs, pegou a bola, botou debaixo de braço e ficou atacando o tempo todo. Os gols saíram no final, mas foi um jogo inteiro se defendendo. O Dudu não pega na bola. O seu principal jogador não pega na bola? Tem alguma coisa errada aí. Eu acho que ele percebeu isso nitidamente, mas eu acho que filosofia, forma de jogar é a mesma. 

UOL: Como é que foi quando os torcedores souberam que você é torcedor do Flamengo?

MCP: A reação dos rubro-negros é assim os caras ficam felizes porque qualquer um que fala assim: "fulano torce pro meu time. Ah, legal". O cara fica feliz com aquilo. Muitos rubro-negros não gostam muito porque acham que eu critico demais, mas eu critico todo mundo, não é só o Flamengo. Acho que a maioria gostou, a maioria curtiu. Só que às vezes os caras confundem, acham que eu sou um representante deles na imprensa. Eu não sou representante de clube nenhum. Eu nunca ganhei salário de clube. Eu nunca trabalhei em clube. Sempre trabalhei nas empresas que me contrataram. Não tenho nenhum vínculo com o Flamengo e não tenho que defender o Flamengo. Isso não vai acontecer jamais. Com a torcida do Flamengo foi bom, porque acho que mais gente passou a acompanhar o meu trabalho. Alguns torcedores rivais acham que eu sou um defensor do Flamengo, o que é ridículo porque se você perguntar à antiga gestão o que os caras achavam de mim, especialmente o presidente do Flamengo, ele não vai falar coisas boas ao meu respeito porque eu fui muito crítico da gestão dele. Até essa questão de as pessoas às vezes ligarem pra ver o Linha de Passe, na ESPN, quarta-feira à noite, depois que o Flamengo joga, eu acho que quando o Flamengo perde é mais do que quando ganha. Antes de o programa entrar no ar, o Flamengo está perdendo o jogo a quantidade de mensagens é enorme. "Quero ver o que você vai falar. Desce o pau nos caras. Time banana". Toda hora. Os caras sabem que eu vou criticar, que eu vou pôr o dedo na ferida. Quando eu vou num jogo assim de arquibancada, eu compro o meu ingresso. É meu direito, estou na minha folga, comprando ingresso com meus amigos, eventualmente com meu filho vendo jogo de futebol. Direito meu. Ninguém tem nada com isso. Até foi engraçado, alguns sites colocaram assim: "jornalista flagrado". Flagrado? Se eu tivesse numa mostra de cinema cambojano, eu até poderia ser flagrado. Seria curioso. O que tem demais eu tá num estádio de futebol? O meu trabalho é ver futebol. Eu posso ver futebol em casa, no trabalho na tv, na rua, na tribuna de imprensa e posso ir na arquibancada. É um direito meu.

UOL: O que o torcedor pode esperar do seu blog no UOL? O que você vai priorizar: informação, análise, de tudo um pouco?

MCP: Tudo, né. Quando tiver informação, informação. Análise sempre que os assuntos pedirem um comentário, um aprofundamento, eventualmente, algumas entrevistas, quando a gente consegue trocar uma ideia com alguém que tem algo interessante a dizer. Acho que é isso. Tentar diversificar ao máximo. Não vai ser, certamente, um blog só com as minhas opiniões porque acho que isso é muito pouco. Acho que tem que ter as minhas opiniões, tem que ter as informações que eu apure, tem que ter a repercussão de algo que um colega apurou e de repente desenvolver aquilo, falar sobre aquilo. Às vezes o post parece mais uma matéria, às vezes parece uma entrevista, às vezes parece um artigo. O blog eu acho que tem essa elasticidade, oferece essa possibilidade de ser mais flexível, mais diversificado. Eu sempre procurei fazer assim e é como eu pretendo continuar fazendo agora no UOL.

Mauro Cezar ainda defende Walter Casagrande, analisa que Luiz Felipe Scolari é o mesmo técnico do 7 a 1.

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