Flamengo lança estrelas e empaca diante do Resende

CHUTE CRUZADO: Pedro Henrique Torre

Uma simples passada de olho nas redes sociais, um ótimo termômetro, e qualquer um pensaria que o Flamengo disputou na noite desta quarta-feira, em Volta Redonda, um jogo decisivo para a temporada. Claro, reflexo direto de temporadas frustrantes, especialmente as duas últimas. É um ponto compreensível e não se tira, jamais, o direito de qualquer torcedor bufar com uma atuação ruim. Mas, coração mais calmo e pés de volta ao chão, a mente fresca do mesmo arquibaldo, virtual ou não, poderá entender: mesmo com as estreias de Arrascaeta e Gabigol, Abel propôs uma experiência em um momento possível. Um teste ruim, mas ainda assim um mero teste. O empate em 1 a 1 com o Resende reflete pouco na disputa do campeonato e talvez tenha apresentado respostas ao técnico que ele poderá respondê-las mais à frente, em campo.

Gabigol se lamentando no Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
Há, óbvio, um pano de fundo na história. Ora, se foi condenado no ano passado por colocar o mesmo time à prova de maneira desgastante em várias frentes simultâneas, o Flamengo neste ano decidiu o contrário. Ganhou o apoio da massa a ideia de se inspirar no rival Palmeiras, alternando – ou mesclando – jogadores de qualidade para se manter sempre vivo. Fundamental, portanto, dosar energias neste início de temporada que desde já se anuncia extenuante. Pois Abelão pôs a ideia em prática. De quebra, mandou a campo as principais contratações de 2019, observando uma alternativa tática pouco usual nos dias atuais. Ser fiel ao planejamento de fisiologistas e preparadores físicos significaria não repetir os jogadores que três dias antes, sob um sol escaldante, venceram o Bangu no Maracanã. Foi a senha para a primeira queixa.

Sim, o Flamengo teve três volantes em campo. Piris da Motta, Hugo Moura e Jean Lucas. Sinais de retranca? Bom, há três meias no elenco rubro-negro atualmente. Dois poupados – Everton Ribeiro e Diego – e um estreante, o uruguaio Arrascaeta. Por que não Vitinho, que estava no banco? Vaiado pela torcida, o camisa 11 disputara exatos 71 minutos contra o Bangu. Três dias à frente, o clássico contra o Botafogo, no Engenhão, será disputado. Como já expôr o atacante a uma maratona nos três primeiros jogos da temporada, com menos de 15 dias de treinos? Um sinal de que talvez que o elenco ainda careça de um quarto meia para dar opções. Por enquanto, não há.

Abel mandou o time a campo em um 4-4-2 à moda antiga, com um losango no meio de campo. Piris centralizado, Jean Lucas à esquerda, alternando com Hugo Moura, à direita, Arrascaeta na última ponta, mais avançado. Gabigol, posicionado inicialmente mais à direita, como um segundo atacante, solto, tentando encostar em Henrique Dourado, o centroavante clássico. Uma ideia no mínimo diferente, mas que parece ser incompatível com dias atuais, quando o jogo passa tanto pelos lados do campo. Sem pontas para atacar, o time dava liberdade aos laterais, nesta noite Rodinei e Trauco, mas acabava por afunilar quando buscava o meio com Arrascaeta. Gabigol não passava a impressão inicial de que poderia compor o lado direito do campo. Jogava, sim, mais próximo à área, pelo meio, com muita liberdade. Como Arrascaeta. Centralizado, o uruguaio mostrou a classe já conhecida dos tempos de Cruzeiro. Elegância no passe, busca constante por entrar na área e tentar o arremate. O problema é o time tentar se defender com competência desta maneira.

Sem a natural proteção pelos lados, com pontas que tentam ir ao fundo e voltam para ao menos fechar as laterais, o time ficava exposto. Inicialmente, parecia que Arrascaeta cumpriria o papel de fechar o lado esquerdo, como Diego desempenhou já algumas vezes. Mas não foi o que ocorreu. Com os três homens mais adiantados soltos, o restante da equipe teve dificuldade para entender como se proteger melhor. Avançar mais à esquerda poderia comprometer o lado direito com uma simples inversão de bola rival. E vice-versa. Em alguns momentos, o Resende aproveitou os buracos. Maxwell, logo no início, quase encobriu César quando recebeu bola livre pelo lado esquerdo. Faltava, sobretudo, entrosamento a um Flamengo com nove reservas e dois prováveis titulares estreantes.

Na defesa, Léo Duarte e o jovem Dantas pouco se entendiam, sem sincronia sobre quem ocuparia qual espaço. Um desencontro também da nova dupla titular – Rhodolfo e Rodrigo Caio – e até natural no início da temporada. Um impacto direto, por exemplo, no jogo aéreo. De novo, o Flamengo falhou por ali. Escanteio pela direita, bola viajando e Joseph, tranquilamente, subiu ao lado de Piris da Motta para tocar de cabeça no canto direito de César, que pulou bem atrasado no lance. 1 a 0. De novo, um susto.

Pelo meio, Arrascaeta tentou abusar dos passes em profundidade. Dois passos para trás e um agudo no capricho para quem ultrapassava. Por mais que estivesse centralizado, por vezes o uruguaio se rendia, naturalmente, aos trejeitos do Cruzeiro. Puxava da esquerda para o centro, buscando arremate ou o passe. Em um desses lances, uma pintura de jogada. Ele encontrou Trauco entrando na área e o cruzamento – ou melhor, o passe – saiu com categoria para um arremate de Henrique Dourado, uma belíssima bicicleta no ângulo que qualquer craque assinaria. 1 a 1. Um empate com um bom momento de futebol. Mas, no fundo, os problemas continuavam com os lados abertos. Trauco, novamente importante no ataque, cedeu espaços mais uma vez. Foi pelo seu setor que o Resende, por duas vezes, quase fez o segundo no primeiro tempo. Na primeira, Vitinho recebeu o cruzamento da direita e bateu fraco, nas mãos de César. Na segunda, Maxwell quase marcou de cabeça, rente à trave.

O primeiro tempo morno, com uma atuação razoável de Arrascaeta e discreta de Gabigol, fez Abel insistir com a formação no segundo tempo. Compreensível. Se o Campeonato Carioca é o momento ideal da temporada para abrir o campo de ideias e realizar testes, observando o comportamento de jogadores em determinadas funções, 45 minutos parecem insuficientes. O panorama só veio mudar, mesmo, quando Jean Lucas, discreto, deu lugar a Vitinho. Vaiado no primeiro jogo do ano, pedido pela arquibancada no segundo. Com pernas frescas, o atacante foi o destaque da equipe com a já conhecida facilidade em se livrar dos rivais quando no mano a mano e servir companheiros. Mas o posicionamento ajudou o Flamengo a se estabilizar mais na partida. Com Piris e Hugo Moura por dentro, Arrascaeta mais à esquerda e Vitinho à direita. Os espaços dados ao Resende pelos lados diminuíram consideravelmente. Gabigol continuou próximo de Dourado. Tentou uma ou outra jogada, chamou a torcida, mas o ritmo de jogo travava as passadas corretas. O Flamengo foi só Vitinho.

Já sem Arrascaeta, substituído por Thiago Santos após o apagão de 15 minutos nos refletores, coube ao camisa 11 tentar dar a virada à equipe. Serviu Dourado na pequena área e o Ceifador perdeu gol incrível, de cabeça, mandando para fora. Tentou encobrir o goleiro Ranule de longe ao cair pela esquerda, seu habitat, puxar para dentro e bater. Chegou perto. E arrancou o grito de gol de Abel na beira do campo ao cobrar falta nos acréscimos rente ao ângulo. Com Cuellar em campo e Hugo Moura improvisado na zaga, o Flamengo tentou a vitória com um ataque em bloco, até um tanto desorganizado. Mas o resultado permaneceu mesmo no 1 a 1, para a chiadeira geral rubro-negra no estádio e em redes sociais. Apenas no segundo jogo oficial do ano.

Abel promoveu estreias das contratações badaladas e teve uma ideia fora da caixinha de como encaixá-los. Parece improvável que a escalação à moda antiga tenha espaço com todos os jogadores disponíveis, ainda que Diego e Everton Ribeiro possam ser os homens logo à frente de Cuellar e atrás de Arrascaeta. Os lados continuariam expostos e a senha para vazar o rubro-negra seria muito visível. As pendências seguem a ser ajustadas jogo a jogo. Léo Duarte, por exemplo, parece ser o tipo de atleta que precisa de uma sequência para render no bom nível de 2018. Serviu para observar os dois novos reforços em ação, tirar o peso das estreias e manter à risca o planejamento físico do elenco. Sim, um teste ruim no Raulino de Oliveira. O Flamengo não foi bem. Mas, por enquanto, um mero teste.

Sim, um teste ruim no Raulino de Oliveira. O Flamengo não foi bem. Mas, por enquanto, um mero teste.

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