Isolado, Diego Alves queria deixar o Flamengo

UOL: Dia 21 de outubro de 2018. Diego Alves perde a condição de titular do Flamengo e, segundo a diretoria da época, pede dispensa da viagem para enfrentar o Paraná. Começava ali o pior momento do goleiro na Gávea, com direito a grande desconforto interno, discussões, críticas da torcida e possibilidades reais de saída, até "ressurgir das cinzas" quase três meses depois contra o Ajax (HOL), na última quinta-feira (10), sendo um dos melhores em campo na vitória rubro-negra [nos pênaltis].

Esse episódio não teria sido possível se não tivesse passado por uma conversa olhos nos olhos e direta com o atual vice-presidente de futebol, Marcos Braz, e com o técnico Abel Braga, algo que foi primordial para sua permanência na Gávea.

Diego Alves no Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
Isolado, abatido e se sentindo injustiçado, Diego Alves queria sair. Com sondagens da Europa e uma proposta do Al-Ittihad, da Arábia Saudita, já estava de malas prontas, até Rodolfo Landim vencer a eleição do Flamengo e Marcos Braz, quase que "imediatamente", ligar para o camisa 1. Após a breve conversa por telefone, se reuniram e o dirigente, de forma franca e ao seu modo, deixou claro: com ele, o goleiro rubro-negro chama-se Diego Alves.

Abel Braga também entrou em cena. Em diálogo a sós, disse contar com o atleta para a temporada de 2019. Era o que faltava para o arqueiro se convencer de que sua história no clube não havia chegado ao fim.

A mágoa passou? Não totalmente. Há ainda no clube para quem Diego Alves "torça o nariz". Trata-se Carlos Noval, diretor de futebol, e um dos envolvidos na polêmica com o goleiro ano passado. Isso, porém, já não é mais prioridade.

Se sentindo novamente abraçado, foi a campo na última quinta-feira dar a resposta com o que mais sabe fazer, que é agarrar. E fez com maestria. Debaixo das traves, fez ao menos cinco grandes defesas diante dos holandeses e foi, com sobras, um dos melhores em campo.

"Eu já tinha definido (a permanência de Diego Alves) pelo grande goleiro que é, pela experiência. Não tinha nenhuma dúvida. Mas fiquei feliz que, depois de tudo que ocorreu, onde eu fiquei sempre na neutralidade, colocando a instituição acima de tudo, o jogador fez uma partida admirável", elogiou Abel Braga.

Sempre enfatizando respeitar as decisões da comissão técnica, Alves parece ter também recebido o perdão dos torcedores, que estiveram presentes em bom número no Orlando City Stadium (EUA) e o ovacionaram com os gritos de "melhor goleiro do Brasil".

"Foi uma festa bonita, temos que agradecer ao torcedor. O americano não está acostumado com essa festa. Mais do que o resultado, o importante é somar minutos e se preparar nessa temporada. Independentemente de ser titular ou não, temos que estar preparados", disse um Diego Alves, enfim, em tom pacificado.

A mágoa passou? Não totalmente. Há ainda no clube para quem Diego Alves "torça o nariz". Trata-se Carlos Noval.

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