O curioso caso de Klebinho no Flamengo

ESPN FC: Por João Luis Jr

Na franquia “Air Bud”, que gira toda em torno do conceito de um cachorro que é capaz de praticar em alto nível os mais diversos esportes com bola – basquete, beisebol, futebol – e com isso se torna titular de uma equipe humana de futebol, uma coisa que muitas pessoas esquecem é que, para que esse cachorro possa estar atuando pelo time do colégio uma criança humana precisa ter ficado fora da equipe e, ao chegar em casa, explicar para seus pais que agora é reserva de um cachorro.

Da mesma maneira, na série de filmes “Stuart Little”, que gira em torno de um casal que decide adotar como filho um pequeno rato falante adolescente, para que isso aconteça é preciso que eles deixem de levar para casar qualquer uma das várias crianças humanas do abrigo, que irão seguir suas vidas tendo que lidar com o fato de que foram preteridas por uma família que preferiu ter em casa um roedor que é amplamente reconhecido como vetor de variadas doenças.

Pará e Klebinho, laterais do Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
E ainda que sejam comparações extremas e baseadas em universos amplamente fantasiosos, é complicado não imaginar que seja mais ou menos assim que Klebinho, o segundo reserva da nossa lateral-direita e o único dos laterais do elenco a ainda não ter recebido uma chance nessa temporada deve se sentir.

Aos 20 anos, Kleber Augusto Caetano Leite Filho, conhecido dentro do clube como Klebinho, tem uma longa trajetória nas categorias de base, que inclui desde títulos pela seleção sub-17 até o Torneio Otávio Pinto Guimarães e a Copa São Paulo de Juniores pelo Flamengo e poderia ser visto como um desses casos de jogador certo no lugar certo na hora certa. Afinal, além de ser um atleta jovem, promissor e polivalente – pode jogar até como volante ou meia – ele é um lateral direito em uma das equipes brasileiras que vem há mais tempo enfrentando mais problemas com sua lateral-direita.

Mas por alguma razão Klebinho não joga. Rodinei entra, Rodinei vai mal, Rodinei sai, mas Klebinho não joga. Pará volta, Pará vai mal, Pará sai, mas Klebinho não joga. Léo Duarte é improvisado na lateral, Léo Duarte vai até bem, lembram que o Léo Duarte é zagueiro, Léo Duarte sai, mas Klebinho não joga. Disputamos duas partidas de torneio de pré-temporada que não valem absolutamente nada, mas Klebinho não joga. Disputamos quatro partidas do Campeonato Carioca que não valem a pilha que usam naquela plaquinha luminosa de substituição mas Klebinho não joga.

Mas qual pode ser o problema com Klebinho? Ele é muito jovem? Mas Thuler, que é mais novo ainda e Dantas e Jean Lucas, que são da mesma idade, já tiveram oportunidades. Ele não tem qualidade para jogar? Bem, se ele não tem qualidade para merecer ao menos uma chance e ser usado numa eventualidade então ele não deveria nem estar no elenco. Ele tem algum problema disciplinar, alguma questão física? A própria comissão técnica já fez questão de explicar que o jogador está em boa ideal, sendo apenas mais uma vítima da “síndrome do atleta bundudo”, em que um cidadão de forma física naturalmente atarracada acaba sendo visto como fora de forma.

Então, a não ser que venha à tona a informação de que Klebinho fuma crack escondido na concentração, morreu durante uma festa open bar em Inhaúma e foi substituído por um ator ou é apenas um holograma projetado pela diretoria para não precisar explicar por que a nossa base é incapaz de revelar um lateral-direito decente, o que nós temos é, no mínimo, um mistério.

Como, numa equipe que parece ter como opções para uma posição-chave dois jogadores que são basicamente versões etnicamente diferentes do mesmo atleta– muita disposição, pouca visão de jogo, forte carisma, fraca qualidade técnica – uma revelação que teve tanto destaque na base pode receber tão poucas chances? Como Klebinho pode ser tão bom que merece estar na equipe principal do Flamengo mas ao mesmo tempo tão ruim que não merece começar uma partida nem mesmo contra o Resende, o Boavista? Se estamos num momento de experiências e o próprio Abel Braga já falou sobre a necessidade de ter duas equipes em rodízio, Klebinho não mareceria atuar mais nem que fosse apenas diante da eventualidade/favor divino de Pará ou Rodinei se machucarem?

E esses mistérios se unem a vários outros que povoam esse verdadeiro triângulo das bermudas cognitivo que é a lateral-direita do Flamengo. Como um time milionário mantém Pará de titular? O quão ruim precisa ser o mercado para não termos contratado ninguém mais para a posição? Como Rodinei pode ser tão ruim de bola mas tão gente boa no Instagram? Acredito que durante essa temporada vamos ter respostas para vários desses mistérios, mas não tenho a mesma certeza de que vamos gostar do que o futuro vai nos responder.

Klebinho não mareceria atuar mais nem que fosse apenas diante da eventualidade/favor divino de Pará ou Rodinei se machucarem?

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