Pagar caro demais, ou não contratar ninguém?

ESPN FC: Por João Luis Jr.

Os valores são assustadores. Vitinho, um jogador de qualidade mas que está longe de ser um craque, custou 43 milhões de reais. 50% dos direitos de Rodrigo Caio, também um jogador competente mas que não arranca suspiros de nenhum torcedor, custaram 22 milhões de reais. Entre as negociações em curso, Bruno Henrique custaria 27 milhões e a proposta por Dedé já teria ultrapassado os 30, enquanto por Arrascaeta os valores já estariam girando na casa dos 50 milhões de reais. Gabigol ao menos parece ser especulado por um empréstimo sem custos para o Flamengo então, certo? Claro, não pagaríamos pelo empréstimo, arcaríamos apenas com 15 milhões de reais por ano do salário do jogador.

Isso é, claro, fruto primeiro de um mercado absurdamente inflacionado, tão inflacionado que gera aberrações como Pablo, um atacante de 26 anos que realizou apenas uma temporada relevante na carreira, sendo vendido ao São Paulo por 31 milhões de reais e se tornando a segunda maior transferência doméstica do futebol brasileiro – não que a primeira, Leandro Damião por 41 milhões, não seja absurda também, claro.

Foto: Divulgação
Depois existe também a influência da óbvia disparidade cambial entre o real e o euro, que transforma em mega-operação financeira qualquer tentativa de repatriar um jogador mediano que não está nem conseguindo pegar banco num time pequeno da Europa. Volante limitado do 8º colocado do campeonato russo que recebe 150 mil euros por mês e tem multa estipulada em 5 milhões de euros só por desencargo de consciência? Bem, quando chega ao Brasil ele automaticamente se transforma num badalado reforço de mais de 20 milhões que não assina por menos de 500 mil reais por mês.

Mas é preciso reconhecer que existem fatores nessa equação que são puro Flamengo. Primeiro o fato de que o rubro-negro, após anos de crise, hoje vive um momento financeiro muito positivo e isso vem sendo intensamente divulgado pela imprensa. “Clube mais rico do Brasil”, “recorde de receita”, “Flamengo tem 100 milhões para contratações em 2019”, é o tipo de manchete dos sonhos de todo empresário e que faz brilhar os olhos de qualquer clube cujo jogador é abordado pelo Flamengo. Como já reconheceram vários membros da diretoria, dirigentes e representantes de jogador tentam propor valores mais altos pelo simples fato de que sabem que o clube tem condições de pagar. “Vocês tem uma verba de 100 milhões pra contratação? Bem, sendo assim agora meu lateral que custava 5 milhões custa 30, que eu sei que passando fome vocês não estão”.

E depois existe a pressão. Tendo o Flamengo já uma torcida naturalmente exigente, a série recente de temporadas em que fomos um time milionário mas não vencedor apenas aumentou a sede da torcida por títulos e isso se reflete também na ansiedade pelas contratações. Por que ainda não temos lateral? Cadê um zagueiro fora de série? Se Diego sair quem vem pro lugar? São cobranças que pressionam a diretoria e para as quais se espera que as respostas sejam contratações de impacto e não apostas ou jogadores da base.

Essa soma de fatores colocou o Flamengo numa espécie de sinuca: vale mais abrir os cofres em busca de reforços mesmo com a plena consciência de que estamos pagando valores profundamente inflacionados ou investir com mais calma e serenidade e correr o risco de começar a temporada sem nenhum grande nome chegando na Gávea?

Ao que tudo indica a nova diretoria rubro-negra optou pela primeira opção e, como sempre acontece no futebol, só vamos saber se essa foi a melhor decisão quando vierem os resultados. Flamengo mais uma vez morrendo na praia? A torcida vai cair de pau em cada uma dessas contratações e reclamar que jogadores milionários não entendem o clube, que falta identidade ao grupo, que é preciso dar chances pra base. Vencemos uma Libertadores, um Brasileirão, uma Copa do Brasil? Flamengo malvadão do mercado, se tem dinheiro tem que contratar, alguém pega o zap do Neymar e pergunta se ele quer ser feliz aqui no Rio de Janeiro. O que resta pra nós flamenguistas agora é torcer pra que, se o dinheiro não traz felicidade, ele nessa temporada consiga ao menos trazer pra Gávea as pessoas que vão nos fazer felizes.

Só vamos saber se essa foi a melhor decisão quando vierem os resultados. Flamengo mais uma vez morrendo na praia?

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