Rodrigo Caio, um zagueiro subestimado

NÚMEROS DA BOLA: André Schmidt

"Eu não sou bonzinho, sou um cara justo". A frase de Rodrigo Caio em sua apresentação ao Flamengo mostra que o jogador chega à Gávea disposto a mudar alguns rótulos que recebeu durante a carreira. Para um zagueiro, que muitas vezes depende do físico para se impôr contra os adversários, 'bonzinho' pode ser algo pejorativo. No São Paulo, o defensor chegou a ser chamado de ingênuo e até de "jogador de condomínio". Estereótipos que vão na contramão do que o torcedor rubro-negro costuma esperar de seus atletas, mas também na linha contrária a que Rodrigo apresentou em campo nos últimos anos.

Não dá para esperar que Rodrigo Caio se torne o novo Rondinelli, não tem esse perfil, apesar da liderança natural. Com 1,82 m, também não é esperado que seja uma torre quase intransponível no jogo aéreo como é Dedé, desejo rubro-negro, por exemplo. O reforço da equipe carioca tem características distintas do zagueiro tradicional, até pelo seu biotipo. É técnico, tem boa saída de bola e leitura de jogo. Evita muitas vezes o contato físico com antecipações, mas nem por isso foge das disputas. E seus números mostram isso.

Rodrigo Caio treinando no Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
Se em 2018 o ex-tricolor pouco atuou no Brasileiro - fez apenas seis jogos -, em razão de um cirurgia no pé, que o fez perder a condição de titular, em 2017 terminou o campeonato como o zagueiro que mais realizou desarmes. Segundo o Footstats, foram 51 recuperações de posse em 33 partidas, uma média de 1,5 por rodada, bem superior aos 0,9 obtidos por Réver nesta edição - 24 em 26 -, titular que se transferiu para o Atlético Mineiro. No último ano, o aproveitamento de Rodrigo foi de 1,3 por jogo - oito desarmes em seis atuações.

O jogador foi também o 4º defensor que mais interceptou passes em 2017, com 15 antecipações. Na Libertadores do mesmo ano, apesar da baixa estatura, ficou em segundo no ranking de rebatidas defensivas, perdendo apenas para Mina, ex-Palmeiras e contratado pelo Barcelona, que na época atuava pelo Independiente del Valle, do Equador. Desempenho que mostra que mesmo sem os atributos físicos tradicionais de um zagueiro, Rodrigo Caio consegue ter um bom rendimento tanto no duelo individual quanto no jogo aéreo. Com uma vantagem: a saída de bola.

Tendo atuado muitas vezes como volante, Rodrigo tem no passe uma de suas maiores virtudes. No Brasileirão 2017, foi o 10º maior passador da competição, acertando 1527 toques. Em 2018, com poucos minutos em campo, esteve longe de repetir o feito, ainda assim, teve a maior média do São Paulo de passes certos por rodada, com 39,8 por jogo, e um aproveitamento de 96,7% nas tentativas, a maior entre os atletas de linha do time com mais de cinco partidas disputadas.

O valor da negociação, considerado alto por muitos, pode ser discutível - R$ 22,2 milhões por 45% do passe -, porém, o ganho técnico que Abel Braga poderá ter em seu elenco no caso de Rodrigo repetir as boas atuações que o fizeram chegar até a Seleção Brasileira parece inquestionável.

RODRIGO CAIO NO BRASILEIRÃO 2017

33 jogos
0 gols
51 desarmes (1,5/j)
15 antecipações (0,45/j)
1521 passes certos (46,0/j)

RODRIGO CAIO NO BRASILEIRÃO 2018

6 jogos
0 gols
8 desarmes (1,3/j)
3 interceptações (0,5/j)
248 passes certos (39,8/j)

Tendo atuado muitas vezes como volante, Rodrigo tem no passe uma de suas maiores virtudes.

Postar um comentário

[facebook]

FlamengoResenha

{facebook#https://www.facebook.com/FlamengoSouRubroNegro} {twitter#https://twitter.com/SiteFlaResenha} {google-plus#https://plus.google.com/u/0/107993712547525207446} {youtube#https://www.youtube.com/channel/UCiHkjDj2ljgIbiv_zUvdG6g/videos}

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget