Só secar o Flamengo não pode se o suficiente para os seus rivais

O GLOBO: Por Marcelo Barreto

O grupo de WhatsApp “Amigos do PJ” — que eu chamo carinhosamente de meu grupo de jornalistas velhos, embora a descrição não seja cem por cento precisa — está em polvorosa. Desde que o Flamengo anunciou as primeiras contratações da temporada, chegam mais mensagens do que eu consigo acompanhar. O MQ (sigla de mais querido, como o clube é chamado, por arrogância ou deboche, nos acalorados debates) provoca as reações mais extremas. E até agora não consegui entender se o que vem aí é a dominação total ou uma reedição ampliada de fracassos como a SeleFla e o “melhor ataque do mundo”.

É bom registrar que esse grupo tem um um tipo raro de ser humano: o rubro-negro pessimista. Gente que chega ao extremo de ter medo de que o Flamengo ganhe a Libertadores, porque isso implicaria na possibilidade de perder para um clube africano ou asiático na semifinal do Mundial — e, a maior de todas as tragédias, virar motivo de chacota eterna dos rivais. Esses são os mais inquietos. A cada Gabigol, a cada Arrascaeta que chega, se deixam levar pela ideia de que quanto maior o gigante, maior o tombo.

Jogadores do Flamengo aplaudindo a torcida na Florida Cup, nos EUA - Foto: Divulgação
Tem também a ala do isso aqui é Flamengo, que reconhece virtudes nas duas gestões de Eduardo Bandeira de Mello, mas atribui a falta de títulos à pouca identificação dos jogadores contratados com a história do clube e com o espírito da arquibancada. Esses são da linha dos torcedores que gritam “queremos raça” no Maracanã quando algo dá errado — mesmo que o motivo real seja tático ou técnico. Já começaram a reclamar quando chegou o Rodrigo Caio, que veem como bonzinho demais. Depois, cismaram com os salários milionários: segundo eles, quem ganha muito se importa menos com o resultado e ainda racha o grupo, porque provoca a inveja dos outros.

Curiosamente, essas duas linhas de pensamento estavam alinhadas nas reclamações no fim de 2018: essa diretoria não contrata ninguém, de que adianta pegar um clube com as finanças saneadas e não ir ao mercado? Sei de pelo menos um em cada ala que ainda não se conformou com a ida de Hernanes para o São Paulo. Reforço de peso, segundo eles, é o Flamengo que tem de trazer.

No meio desse festival de reclamação de barriga cheia, os torcedores de Vasco, Fluminense e Botafogo até botam pilha, mas entendem mais claramente o que está acontecendo: o Flamengo vai se distanciando de seus rivais de uma maneira que hoje já parece irreversível. Entre eles há, claro, os que veem na distribuição das cotas de TV o grande vilão. Tenho telhado de vidro nesse assunto, pois trabalho para a emissora que detém os direitos. Também acredito que o modelo dos últimos anos — que muda a partir de 2019 — não era o mais justo. Mas encerrar o debate por aí omite grande parte da responsabilidade dos próprios clubes, na gestão de suas dívidas e na exagerada dependência de uma fonte de renda.

Ganhar de um Flamengo milionário na final do Estadual pode ter um gostinho ainda mais especial. Mas nos outros nove meses do ano, a rivalidade regional vale cada vez menos. O principal esporte de três grandes torcidas não pode ser a expectativa do fracasso rubro-negro.

Ganhar de um Flamengo milionário na final do Estadual pode ter um gostinho ainda mais especial.

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