A imprensa e os caça-cliques

Por Mauro Cezar Pereira

Essa capa representa uma das maiores vergonhas protagonizadas pela imprensa em toda a história.

É a primeira página do “The Sun” dias após a tragédia de Hillsborough, que matou 96 torcedores do Liverpool em 1989, na superlotação de um setor do estádio do Sheffield Wednesday. Era a semifinal da FA Cup frente ao Nottinghan Forest.

Foto: Reprodução
O jornal “comprou” a versão da polícia, diretamente responsável pelo que aconteceu, como ficaria provado anos depois. Sim, ela responsabilizava as vítimas. O tabloide foi além ao afirmar que torcedores do Liverpool, bêbados, atacaram equipes de resgate que tentavam reanimar feridos, policiais e bombeiros. Ambulâncias teriam levado socos e chutes em meio a hooligans urinado nas pessoas caídas pelo gramado. Tudo mentira.

À noite, milhares de cópias do “The Sun” foram destruídas, queimadas em áreas públicas. O tabloide é boicotado até hoje na região de Merseyside.‪ Mas os sensacionalistas e caçadores de clique não ligam para essa história. Talvez não a conheçam, nem queiram. Estão sempre ocupados inventando algo, forçando a barra num título. Caçando cliques.

O jornal “comprou” a versão da polícia, diretamente responsável pelo que aconteceu, como ficaria provado anos depois.

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